{"id":10274,"date":"2023-10-24T22:07:44","date_gmt":"2023-10-24T20:07:44","guid":{"rendered":"http:\/\/fibrainternacional.org\/?p=10274"},"modified":"2023-10-24T22:07:45","modified_gmt":"2023-10-24T20:07:45","slug":"sobre-orgulhos-diversidades-privilegios-lula-e-a-minha-irma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fibrainternacional.org\/?p=10274","title":{"rendered":"Sobre orgulhos, diversidades, privil\u00e9gios, Lula e a minha irm\u00e3","gt_translate_keys":[{"key":"rendered","format":"text"}]},"content":{"rendered":"\n<p>@1flaviocarvalho, @amaconaima, soci\u00f3logo e escritor, residente em Barcelona.<\/p>\n\n\n\n<p>Barcelona, 24 de outubro de 2023.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-background\" style=\"background-color:#e7f4fb\"><em>Em mem\u00f3ria da jovem Karol Eller, induzida ao suic\u00eddio pela criminosa \u201ccura gay\u201d, no Brasil. E para a fam\u00edlia da jovem pessoa que cometeu terr\u00edvel assassinato na Escola Estadual Sapopemba, depois de sofrer bullying homof\u00f3bico.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\" style=\"font-size:15px\">\u201cConsideremos justa toda forma de amor\u201d<br>(Lulu Santos).<\/p>\n\n\n\n<p>@1flaviocarvalho.<br>Soci\u00f3logo e escritor. Participante da FIBRA e residente em Barcelona.<\/p>\n\n\n\n<p>Barcelona, 24 de outubro de 2023.<\/p>\n\n\n\n<p>Chorei algumas vezes quando Lula chorou na TV. Duas delas, guardei na mem\u00f3ria. Ao tomar posse, num mandato anterior e neste, ele repetiu a emo\u00e7\u00e3o, chorou, ao tratar de um tema que eu acho que \u00e9 psicologicamente caro para ele, Lula.<\/p>\n\n\n\n<p>Lula conteve a emo\u00e7\u00e3o duas vezes, em duas cerim\u00f4nias de posse da Presid\u00eancia, ao lembrar que n\u00e3o possui diploma universit\u00e1rio. Errou. Cometeu o ato falho de esquecer que j\u00e1 tem mais de trinta t\u00edtulos de Doutor <em>Honoris Causa<\/em>, concedido pelas universidades mais importantes do mundo. Nessa hora, a emo\u00e7\u00e3o lhe faz esquecer das dezenas de diplomas de Doutor. E lhe remete mais \u00e0 frustra\u00e7\u00e3o de nunca haver tido a oportunidade de frequentar um curso universit\u00e1rio. Por algo ser\u00e1\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Longe de mim desmerecer as forma\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas. Eu consegui quatro titula\u00e7\u00f5es, sem nunca precisar me gabar delas. Nem comento muito. Pouca gente sabe. S\u00f3 o fa\u00e7o hoje porque me ajuda a contextualizar. E s\u00f3 eu sei o que me custou conseguir cada uma delas.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, Paulo Freire me ensinou que no Brasil h\u00e1 muito mais gente que nunca frequentou uma universidade e merece um <em>Honoris Causa<\/em>, do que alguns que passaram anos l\u00e1 dentro e \u2013 sinceramente \u2013 parece que n\u00e3o aprendeu nada da vida.<\/p>\n\n\n\n<p>Sou suspeito ao dizer que a minha irm\u00e3 bota meus diplomas universit\u00e1rios no bolso? Vos explico.<\/p>\n\n\n\n<p>Ontem, finalmente, escutei um recente <em>p<\/em><em>odcast<\/em> que ela, minha irm\u00e3 me enviou, resumindo em poucos minutos a hist\u00f3ria de vida dela (e, claro, a das nossas vidas) e de como tornou-se uma refer\u00eancia internacional para as fam\u00edlias LGBTQIAP+ no Brasil inteiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Passei mais de trinta minutos \u201cparando a fita\u201d e chorando de orgulho.<\/p>\n\n\n\n<p>Empolguei-me tanto que fiquei quase o dia inteiro escutando todos os <em>p<\/em><em>odcasts<\/em> da s\u00e9rie, deliciosa, did\u00e1tica, emocionante, chamada IDA. De uma jornalista interessant\u00edssima chamada Lorena Coutinho. Nele, no <em>Spotify<\/em> da IDA, encontrei hist\u00f3rias muito interessantes sobre as diversidades homoafetivas, no exato momento em que o fascismo brasileiro voltou com suas pautas morais medievais. Por sorte, temos Lorena, Suanne, Layne (como eu chamo minha irm\u00e3, famosa nas redes como Gi Carvalho). E vamos descobrindo que fam\u00edlia \u00e9 um conceito de vida muito mais amplo do que sempre fomos conduzidos a pensar.<\/p>\n\n\n\n<p>As tr\u00eas partes para mim mais interessantes do <em>p<\/em><em>odcast<\/em> da IDA s\u00e3o estas.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma primeira em que eu sei muito bem o quanto ela se lamenta de n\u00e3o ter tido o privil\u00e9gio de poder dedicar-se mais aos estudos e ter um diploma acad\u00eamico. Eis este texto para que ela valorize mais o que possui e n\u00e3o ficar lamentando o que ela \u2013 e a imensa maioria das brasileiras desprivilegiadas (pelo machismo, racismo, aporofobia e outras discrimina\u00e7\u00f5es) n\u00e3o possuem. E refletir sobre at\u00e9 onde isso \u00e9 ou n\u00e3o, realmente, um intranspon\u00edvel problema. Nunca \u00e9 tarde, n\u00e3o esque\u00e7amos.<\/p>\n\n\n\n<p>As duas outras partes s\u00e3o quando ela me enganou, na narrativa do tal <em>p<\/em><em>odcast<\/em>. Induziu-me a pensar numa rea\u00e7\u00e3o negativa da minha m\u00e3e e do meu cunhado, quando souberam que a minha sobrinha assumiu sua op\u00e7\u00e3o homoafetiva. E foi exatamente o contr\u00e1rio do que em segundos pensei. Chorei nessas duas partes, de orgulho (mais ainda). Aceitaram e apoiaram, sim. Dos seus jeitos. Com louvor. E, sobretudo, com amor.<\/p>\n\n\n\n<p>Sentimentos t\u00e3o desencontrados quanto parar pra pensar (ou melhor, pra sentir): o orgulho maior, se ainda cabe, \u00e9 pra minha sobrinha. E uma revis\u00e3o profunda comigo mesmo sobre a incapacidade de perceber a riqueza familiar que me envolvia (e que sempre me privilegiou, como homem primog\u00eanito, alheio). Nunca \u00e9 tarde, repito&#8230; Tudo isso, que foi em mim constru\u00eddo, felizmente, comprovadamente, pode-se desconstruir. O primeir\u00edssimo passo \u00e9 querer. N\u00e3o se (auto)enganar.<\/p>\n\n\n\n<p>De fato, a grande protagonista nessa hist\u00f3ria toda, \u00e9 a sua filha, minha sobrinha e afilhada (ainda estou em tempo de honrar \u00e0 altura, a escolha da minha irm\u00e3, por mim, como padrinho), e a sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria de vida. Exemplar. Preciosa. Muito ainda pela frente. Vamos l\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>Formei-me em sociologia, que eu chamo de estudo das generaliza\u00e7\u00f5es. Deixando claro o quanto eu gosto (pouco) da teoria sociol\u00f3gica moderna. Tem coisas que eu n\u00e3o sei o que seria das nossas vidas sem a psicologia. Quantas vezes fui acusado, nas aulas de sociologia, de ser <em>psicologizante<\/em> demais?<\/p>\n\n\n\n<p>Jamais escrevo textos meramente pessoais. Cursei o mestrado de Ci\u00eancia Pol\u00edtica (na UFPE) e adotei, recentemente, um lema: Pol\u00edtica \u00e9 Vida. Como vida, \u00e9 sentimento, pois, ent\u00e3o\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>A hist\u00f3ria de vida da minha irm\u00e3 (e principalmente, da minha cada vez mais amada sobrinha) passou diante dos meus olhos, da minha pr\u00f3pria vida, sem que eu percebesse aquela grandeza toda. Onde eu estava enquanto aquela universidade de vida passava bem pertinho de mim? Devia estar enfiado num livro. Ou numa bolha mis\u00f3gina (que at\u00e9 hoje eu luto contra ela, e desconfio de toda vez que eu acho que j\u00e1 consegui). Ou bloqueando, propositadamente, todas as coisas que meus privil\u00e9gios n\u00e3o queriam ver. Acho at\u00e9 que foi isso mesmo. Mem\u00f3ria seletiva. Diagnosticar \u00e9 s\u00f3 o importante primeiro passo para mudar, pra melhorar.<\/p>\n\n\n\n<p>O melhor de tudo \u00e9 que, escutando, aprendi. Aprendi com o aprendizado dela. Que hoje ensina milhares de pessoas, pelo Brasil afora. Internacionalmente at\u00e9, pois agora eu a vivo recomendando para minhas melhores amigas que vivem fora do nosso pa\u00eds, como eu.<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre as quest\u00f5es relativas \u00e0s diversidades homoafetivas, o fato de que o falso moralismo neonazista brasileiro se agarre no retrocesso desses direitos, e at\u00e9 mesmo o velho discurso de que a isso, a esse tema, boa parte da esquerda insista em chamar de representatividades, identitarismos, minorias e outros reducionismos, recomendo conhecer o trabalho das organiza\u00e7\u00f5es de fam\u00edlias que, com seus amores diversos, est\u00e3o na linha de frente na defesa de nossas jovens. Na defesa das suas vidas.<\/p>\n\n\n\n<p>As lutas antifascistas ganhar\u00e3o muito quando admitirem os ganhos de todas essas lutas.<\/p>\n\n\n\n<p>Lutas que n\u00e3o diminuem as lutas antifascistas, em nada. Muito pelo contr\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Viva as compatibilidades! Um mais um \u00e9 sempre mais que dois.<\/p>\n\n\n\n<p>A organiza\u00e7\u00e3o que minha irm\u00e3 faz parte, chama-se M\u00e3es da Resist\u00eancia. @maesdaresistencia<\/p>\n\n\n\n<p>E, como veem, Layne (@gicarvalhomdr) \u00e9 um dos meus maiores orgulhos na vida. Sempre foi, mas agora \u00e9 muito mais. Gra\u00e7as a Lorena Coutinho (@lorenacoutinhooficial).<\/p>\n\n\n\n<p>Flavio Carvalho. Barcelona, 24 de outubro de 2023.<\/p>\n\n\n\n<p>PS.: daqui a tr\u00eas dias ser\u00e1 anivers\u00e1rio de Lula e de lembrar a ele que ele tem outro presentinho para receber aqui na cidade onde estou escrevendo este texto. Precisamente na Universidade de Barcelona, uma das mais antigas da Europa. Que lhe concedeu mais um Diploma de Doutor <em>Honoris Causa<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Sem medo de ser feliz.<\/p>\n\n\n\n<p>Flavio Carvalho.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p>T<em>witter e Instagram: <strong>@1flaviocarvalho<\/strong><\/em><br><em>Facebook: <strong>@quixotemacunaima<\/strong><\/em> | <strong>@amaconaima<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>#maconaima #quixotemacunaima<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-background\" style=\"background-color:#e9f4fa\"><strong>Nota: <\/strong>Os textos, cita\u00e7\u00f5es e opini\u00f5es podem n\u00e3o expressar \u2013 no todo ou em parte, a opini\u00e3o dos Coletivos da Fibra.<\/p>\n","protected":false,"gt_translate_keys":[{"key":"rendered","format":"html"}]},"excerpt":{"rendered":"<p>@1flaviocarvalho, @amaconaima, soci\u00f3logo e escritor, residente em Barcelona. Barcelona, 24 de outubro de 2023. 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