{"id":10540,"date":"2025-04-21T10:16:17","date_gmt":"2025-04-21T08:16:17","guid":{"rendered":"https:\/\/fibrainternacional.org\/?p=10540"},"modified":"2025-04-25T09:35:58","modified_gmt":"2025-04-25T07:35:58","slug":"reforma-agraria-no-brasil-a-atualidade-de-uma-bandeira-historica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fibrainternacional.org\/?p=10540","title":{"rendered":"Reforma Agr\u00e1ria no Brasil: a atualidade de uma bandeira hist\u00f3rica","gt_translate_keys":[{"key":"rendered","format":"text"}]},"content":{"rendered":"\n<p>Frankfurt, 19.04.2025 <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-background\" style=\"background-color:#c5d2dd\">Texto publicado originalmente na revista <a href=\"https:\/\/www.kooperation-brasilien.org\/de\/themen\/brasilien-aktuell-2025-internationale-solidaritaet\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" title=\"\">Brasilien Aktuell 2025 Internationale Solidarit\u00e4t<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Com 850 milh\u00f5es de hectares de extens\u00e3o territorial, o Brasil \u00e9 ainda campe\u00e3o em concentra\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria. Essa concentra\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria \u00e9 fruto de um hist\u00f3rico de forma\u00e7\u00e3o nacional marcada por interesses coloniais e, mais tarde, olig\u00e1rquicos que se mant\u00eam at\u00e9 os dias atuais. Com mais de 60 mil fam\u00edlias acampadas em todo o Brasil, aguardando a realiza\u00e7\u00e3o da reforma agr\u00e1ria, a conjuntura atual n\u00e3o \u00e9 nada favor\u00e1vel. <\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignright size-large is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"574\" src=\"http:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Screenshot-2025-04-25-at-09.32.50-1024x574.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-10542\" style=\"width:340px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Screenshot-2025-04-25-at-09.32.50-1024x574.jpg 1024w, https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Screenshot-2025-04-25-at-09.32.50-300x168.jpg 300w, https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Screenshot-2025-04-25-at-09.32.50-768x430.jpg 768w, https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Screenshot-2025-04-25-at-09.32.50-1536x861.jpg 1536w, https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Screenshot-2025-04-25-at-09.32.50-1170x656.jpg 1170w, https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Screenshot-2025-04-25-at-09.32.50-600x336.jpg 600w, https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Screenshot-2025-04-25-at-09.32.50.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Screenshot<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Mesmo com uma tradi\u00e7\u00e3o olig\u00e1rquica ligada ao poder local, a reforma agr\u00e1ria entrou como destina\u00e7\u00e3o constitucional j\u00e1 em 1988, como um dever do Estado na destina\u00e7\u00e3o das terras p\u00fablicas. Estas t\u00eam como destina\u00e7\u00e3o constitucional serem transformadas em terras ind\u00edgenas, florestas nacionais, unidades de conserva\u00e7\u00e3o para a preserva\u00e7\u00e3o da natureza e dos biomas, territ\u00f3rios de comunidades quilombolas remanescentes de escravizados e assentamentos rurais da reforma agr\u00e1ria. Territ\u00f3rios de comunidades quilombolas, remanescentes de escravos e assentamentos rurais da reforma agr\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>A reforma agr\u00e1ria \u00e9 entendida e defendida pelos movimentos sociais e organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil como uma estrat\u00e9gia fundamental de justi\u00e7a social, repara\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica, enfrentamento da fome e enfrentamento da crise clim\u00e1tica. No entanto, alguns desafios se imp\u00f5em. Com a valoriza\u00e7\u00e3o das <em>commodities<\/em> agr\u00edcolas e minerais, em especial a partir da d\u00e9cada de 2000, a terra se tornou n\u00e3o apenas o local de produ\u00e7\u00e3o dessas <em>commodities<\/em>, mas ela em si se tornou um ativo financeiro extremamente valorizado. Isso torna o processo de aquisi\u00e7\u00e3o de terras para reforma agr\u00e1ria muito dif\u00edcil, seja por meio da compra, seja pela desapropria\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que ambos os caminhos requerem or\u00e7amento.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A reforma agr\u00e1ria retira a terra do mercado e, por isso mesmo, tem sido amplamente atacada por meio de projetos de lei em instru\u00e7\u00f5es normativas das institui\u00e7\u00f5es do Estado, que tornam os lotes dos assentamentos propriedade privada, permitindo sua comercializa\u00e7\u00e3o, ou ent\u00e3o passam a permitir a destina\u00e7\u00e3o de \u00e1reas de Reforma Agr\u00e1ria para minera\u00e7\u00e3o ou grandes empreendimentos como parques e\u00f3licos ou barragens de hidroel\u00e9tricas.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse particular, a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica tem sido utilizada como justificativa para disponibilizar territ\u00f3rios para a explora\u00e7\u00e3o dos chamados minerais essenciais. Isso, na realidade, representa uma fal\u00e1cia, uma falsa justificativa para a explora\u00e7\u00e3o desses territ\u00f3rios, uma vez que minerar em \u00e1reas como a floresta amaz\u00f4nica para produzir baterias de carros individuais que v\u00e3o ser utilizados na Europa \u00e9 uma incongru\u00eancia.<br>O agroneg\u00f3cio no Brasil, setor capitalizado da agropecu\u00e1ria, majoritariamente produtor de <em>commodities<\/em> para a exporta\u00e7\u00e3o e altamente degradador do solo, dos recursos h\u00eddricos e das florestas segue sendo contr\u00e1rio \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o da Reforma Agr\u00e1ria j\u00e1 que disputa as terras p\u00fablicas &#8211; territ\u00f3rios tradicionais, terras ind\u00edgenas e de assentamentos rurais,&nbsp; umas vez que estes se mant\u00e9m preservados por suas popula\u00e7\u00f5es.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Soma-se o interesse de grandes <em>tradings<\/em> a quem s\u00f3 importa comercializar <em>commodities<\/em>, capital financeiro com seus fundos de investimento em terras e o capital extrativista minero exportador. Enquanto isso, a agricultura familiar, comunidades e povos tradicionais seguem lutando pela reforma agr\u00e1ria e pela garantia de direitos territoriais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Yamila Goldfarb<\/strong><br>Presidenta da ABRA \u2013 Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Reforma Agr\u00e1ria<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p>O texto de Yamila Goldfarb foi indicado por <a href=\"https:\/\/fibrainternacional.org\/?page_id=8955\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" title=\"\">Namir Martins<\/a>, colunista da FIBRA. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-background\" style=\"background-color:#e6ecf1\"><strong>Nota: <\/strong>Os textos, cita\u00e7\u00f5es e opini\u00f5es deste texto podem n\u00e3o expressar \u2013 no todo ou em parte, a opini\u00e3o dos Coletivos da Fibra.<a href=\"https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-admin\/post.php?post=10521&amp;action=edit\"> <\/a><\/p>\n","protected":false,"gt_translate_keys":[{"key":"rendered","format":"html"}]},"excerpt":{"rendered":"<p>Com 850 milh\u00f5es de hectares de extens\u00e3o territorial, o Brasil \u00e9 ainda campe\u00e3o em concentra\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria. 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