{"id":10550,"date":"2025-06-09T14:38:18","date_gmt":"2025-06-09T12:38:18","guid":{"rendered":"https:\/\/fibrainternacional.org\/?p=10550"},"modified":"2025-06-09T14:38:18","modified_gmt":"2025-06-09T12:38:18","slug":"a-linha-que-nos-une","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fibrainternacional.org\/?p=10550","title":{"rendered":"A Linha que nos Une","gt_translate_keys":[{"key":"rendered","format":"text"}]},"content":{"rendered":"\n<p>Amsterdam, 25 de maio de 2025.<\/p>\n\n\n\n<p>Por <strong>Lu\u00edza Monteiro<\/strong>, para o site da Fibra<br>@luiza.monteiro<\/p>\n\n\n\n<p>Uma linha vermelha costurou nas ruas de Haia um tapete de solidariedade ao povo palestino. E n\u00e3o venham dizer que foi antissemitismo porque n\u00e3o havia o mais leve sentimento de desprezo, preconceito ou \u00f3dio, havia, sim, a emo\u00e7\u00e3o de n\u00e3o aceitar a morte de parte da nossa esp\u00e9cie. O manto humano a nos cobrir, protegendo-nos da barb\u00e1rie.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignright size-large is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"575\" src=\"http:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Screenshot-2025-06-09-at-14.32.00-1024x575.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-10551\" style=\"width:414px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Screenshot-2025-06-09-at-14.32.00-1024x575.jpg 1024w, https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Screenshot-2025-06-09-at-14.32.00-300x169.jpg 300w, https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Screenshot-2025-06-09-at-14.32.00-768x432.jpg 768w, https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Screenshot-2025-06-09-at-14.32.00-1536x863.jpg 1536w, https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Screenshot-2025-06-09-at-14.32.00-1170x658.jpg 1170w, https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Screenshot-2025-06-09-at-14.32.00-600x337.jpg 600w, https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Screenshot-2025-06-09-at-14.32.00.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Screenshot<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>E ainda, se n\u00e3o bastasse, muitas pessoas de etnia judaica se alinharam para juntos protestarem pelo sangue tingindo os peda\u00e7os de escombros, pelo fim das bombas a perfurar o solo de Gaza e pela desumanidade realizada em seus nomes.<\/p>\n\n\n\n<p>Foram cerca de 1.200.000 pessoas, muito al\u00e9m da popula\u00e7\u00e3o da cidade holandesa, a maioria com vestes avermelhadas para alertar que neste momento estava se passando um limite, uma linha vermelha em que ela \u2013 a pr\u00f3pria humanidade \u2013 j\u00e1 n\u00e3o poderia mais se reconhecer ap\u00f3s atravessar esta rubra fronteira.<\/p>\n\n\n\n<p>Gritos, faixas, cartazes reivindicando a liberdade do povo Palestino, o fim das hostilidades e a entrega de suprimentos b\u00e1sicos para que homens, mulheres, crian\u00e7as, jovens e idosos, sobrevivam ao cerco militar que definiu como modelo ter uma etnia como inimiga, n\u00e3o importa quem esteja colocado ao lado, sejam pacifistas, m\u00e9dicos, jornalistas ou at\u00e9 ref\u00e9ns israelitas.<\/p>\n\n\n\n<p>O que mais d\u00f3i, diz meu marido, \u00e9 que o autor deste massacre \u00e9 quem sofreu o mesmo na sua hist\u00f3ria. Como pode acontecer este desfile de crueldades j\u00e1 vistas?<\/p>\n\n\n\n<p>Meu marido \u00e9 judeu, perdeu av\u00f3s e tios no Holocausto, levados de suas casas em Amsterdam para o campo de concentra\u00e7\u00e3o de <a href=\"https:\/\/kampwesterbork.nl\/\">Westerbork<\/a> (<a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Westerbork_transit_camp\">Drenthe<\/a>) e, de l\u00e1, transportados para ser assassinados em campos de exterm\u00ednio na Alemanha. Seus nomes est\u00e3o gravados em l\u00e1pides nestes locais. Os familiares que sobreviveram, emigraram como seus pais fazendo seu ponto no Rio de Janeiro, ou se esconderam no forro da sociedade. Na clandestinidade, disputavam uma batata por toda uma semana ou comiam bulbos de tulipas roubados dos rendados jardins da cidade. Dormiam vestidos at\u00e9 com sapatos, pois podiam ter que fugir sem perder um segundo sequer. \u00c9, foi dif\u00edcil&#8230; Participaram da Resist\u00eancia, pois n\u00e3o aceitaram o modelo que lhes foi imposto.<\/p>\n\n\n\n<p>O grande crime que cometeram: ser judeus.<\/p>\n\n\n\n<p>Se foi crime pertencer a uma etnia, como pode nos dias de hoje o mesmo se reproduzir? Pior! Sendo o algoz aquele que conheceu a dor e a persegui\u00e7\u00e3o? Uma parcela do povo judeu, que vestiu a camisa do sionismo!<\/p>\n\n\n\n<p>Um ciclo de dor ressurge das cicatrizes t\u00e3o recentemente fechadas. Desta vez, ao rev\u00e9s, a antiga v\u00edtima oprime aquele que \u00e9 mais vulner\u00e1vel. Ser\u00e1 que h\u00e1 uma semeadura de \u00f3dio racial que se reproduz silenciosamente? O que uma crian\u00e7a tornada \u00f3rf\u00e3 sentir\u00e1 em rela\u00e7\u00e3o a quem matou seus pais? Que futuro existir\u00e1 com tanta viol\u00eancia consumada? Ser\u00e1 um ciclo inexor\u00e1vel a se reproduzir? Ou poder\u00e1 existir um fim? Um corte nisto tudo?<\/p>\n\n\n\n<p>Um pa\u00eds \u2013 \u00c1frica do Sul \u2013 cuja minoria da popula\u00e7\u00e3o subjugou a maioria n\u00e3o branca tentou retalhar este processo. Criou tribunais de reconhecimento e reconcilia\u00e7\u00e3o como instrumentos jur\u00eddicos e psicol\u00f3gicos para reparar feridas sociais, inaugurando algo novo e promissor. Torna-se compreens\u00edvel que, justamente, a \u00c1frica do Sul tenha denunciado e obtido a culpabiliza\u00e7\u00e3o de Netanyahu e seu regime no <a href=\"https:\/\/www.icc-cpi.int\/\">Tribunal Penal Internacional<\/a> tamb\u00e9m em Haia. O homem que convidou os pa\u00edses da ONU a fazer da Faixa de Gaza uma ben\u00e7\u00e3o aos lucros do g\u00e1s natural ou aos de um <em>resort<\/em> com casinos, junto com Trump, \u00e9 r\u00e9u condenado, com limitada circula\u00e7\u00e3o pelo mundo. N\u00e3o resolve. Mas, atinge aquele na sua liberdade e \u00e9 o que dispomos de meios. At\u00e9 o momento.<\/p>\n\n\n\n<p>A Linha Vermelha de Haia (<a href=\"https:\/\/nl.wikipedia.org\/wiki\/Rode_Lijn-demonstratie\">de Rode Lijn, uit Den Haag<\/a>) e de outras tantas partes do mundo acordou a intencional letargia europeia. Esperemos que o bolso \u2013 parte mais sens\u00edvel do corpo de alguns humanos \u2013 se rompa e remodele o que observamos. Que linhas vermelhas que nos costuram como humanos se mantenham como prote\u00e7\u00e3o aos que sofrem e aos que se rebelam e, saibam todos, que n\u00e3o \u201cpassaremos pano\u201d a algozes.<\/p>\n\n\n\n<p>Luiza Monteiro<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p>Luiza Monteiro \u00e9 integrante do Coletivo Amsterdam pela Democracia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-background\" style=\"background-color:#f9c29a\"><strong>Nota: <\/strong>Os textos, cita\u00e7\u00f5es e opini\u00f5es deste texto podem n\u00e3o expressar \u2013 no todo ou em parte, a opini\u00e3o dos Coletivos da Fibra.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false,"gt_translate_keys":[{"key":"rendered","format":"html"}]},"excerpt":{"rendered":"<p>Amsterdam, 25 de maio de 2025. 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