{"id":1788,"date":"2021-02-01T08:04:07","date_gmt":"2021-02-01T11:04:07","guid":{"rendered":"https:\/\/fibrabrasil.wordpress.com\/?p=1788"},"modified":"2021-02-01T08:04:07","modified_gmt":"2021-02-01T11:04:07","slug":"antropologia-ativismo-arte-e-a-democracia-no-brasil-reflexoes-sobre-praticas-artisticas-do-trabalho-de-campo-a-escrita-etnografica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fibrainternacional.org\/?p=1788","title":{"rendered":"Antropologia, Ativismo, Arte e a Democracia no Brasil: Reflex\u00f5es sobre pr\u00e1ticas art\u00edsticas do trabalho de campo \u00e0 escrita etnogr\u00e1fica","gt_translate_keys":[{"key":"rendered","format":"text"}]},"content":{"rendered":"\n<p>Por Bartira Fortes<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/fibrabrasil.files.wordpress.com\/2021\/02\/1__pf6qzch6lemkjllsve4ga.jpeg?w=750\" alt=\"\" class=\"wp-image-1790\" \/><figcaption>Grafite Marielle Franco de Rodrigo Rizo<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p id=\"712f\">S\u00e3o diversos os pontos de contato entre a antropologia e as artes: ambas t\u00eam a cultura como objeto; ambas observam, participam e\/ou interv\u00eam criticamente na sociedade; ambas traduzem o \u201ccotidiano\u201d para criar representa\u00e7\u00f5es (Marcus &amp; Myers, 1995). A antropologia e as artes tamb\u00e9m se alimentam da fonte de conhecimento uma da outra para desenvolver novos subcampos interdisciplinares, como: antropologia da arte (Morphy &amp; Perkins, 2006), antropologia da performance (Turner, 1986), antropologia visual (Guindi, 2004), antropologia liter\u00e1ria (Poyatos, 1988) e antropologia teatral (Barba &amp; Savarese, 1991).<\/p>\n\n\n\n<p id=\"3649\">Objetos de arte e performances em seu amplo espectro \u2014 teatro, dan\u00e7a, esporte, ritual, cerim\u00f4nia religiosa, festa comunit\u00e1ria, prociss\u00e3o, desfile, etc. \u2014 t\u00eam oferecido \u00e0 pesquisa antropol\u00f3gica um laborat\u00f3rio para o estudo das rela\u00e7\u00f5es sociais. A partir do modernismo, Franz Boas (1955 [1927]) viu no estudo da arte um potencial para revelar padr\u00f5es hist\u00f3ricos e rela\u00e7\u00f5es entre grupos. O impacto do modernismo tamb\u00e9m influenciou antrop\u00f3loga(o)s sociais que defendiam uma vis\u00e3o da antropologia na qual a arte seria um componente integral (Firth, 1936; Redfield et. al., 1959). Ap\u00f3s a II Guerra Mundial, objetos de arte e performances entraram no estudo antropol\u00f3gico sobre ritual e simbolismo (Forge, 1973; Fernandez, 1986; Turner, 1973; Witherspoon, 1977; Munn, 1973). A partir da d\u00e9cada de 1970, houve uma \u00eanfase crescente na pesquisa antropol\u00f3gica sobre quest\u00f5es \u2014 como emo\u00e7\u00f5es, g\u00eanero e o corpo \u2014 , e a arte forneceu uma rica fonte de pesquisa (Gell, 1992; Feld, 1982).<\/p>\n\n\n\n<p id=\"1d51\">Ao mesmo tempo, o papel de artistas tem se aproximado cada vez mais ao da(o) etn\u00f3grafa(o) desde a \u201cvirada etnogr\u00e1fica\u201d da arte contempor\u00e2nea (Foster, 1996). A virada etnogr\u00e1fica na arte contempor\u00e2nea ocorre em paralelo com a \u201cvirada sensorial\u201d na etnografia, que est\u00e1 relacionada ao crescente interesse na antropologia pelas diferentes formas art\u00edsticas de comunicar descobertas etnogr\u00e1ficas (Pink, 2009). Como George Marcus e Fred Myers (1995: 1) previram: \u201cA arte passou a ocupar um espa\u00e7o associado \u00e0 antropologia, tornando-se um dos principais meios para investigar e representar os efeitos da diferen\u00e7a na vida contempor\u00e2nea\u201d (<em>minha tradu\u00e7\u00e3o<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p id=\"5a75\">Eu comecei a pensar sobre a rela\u00e7\u00e3o entre a antropologia e as artes, mas foi quando me deparei com a escrita de minha disserta\u00e7\u00e3o de mestrado em Antropologia Social na Universidade de Estocolmo que me envolvi seriamente com essas quest\u00f5es. Passei a me interessar pelo processo de trazer as pr\u00e1ticas art\u00edsticas durante meu trabalho de campo para o texto etnogr\u00e1fico. A partir da\u00ed, eu comecei a buscar um compromisso vi\u00e1vel entre a estrutura e a linguagem que se espera de uma disserta\u00e7\u00e3o de mestrado em Antropologia Social e a express\u00e3o art\u00edstica. A seguir, eu trago algumas reflex\u00f5es sobre como eu empreguei as artes em diferentes etapas, do trabalho de campo \u00e0 escrita e teoria etnogr\u00e1fica.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"7ac8\">Pr\u00e1ticas Art\u00edsticas: do trabalho de campo \u00e0 escrita etnogr\u00e1fica<\/h1>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/fibrabrasil.files.wordpress.com\/2021\/02\/bdead-1pmop4rksumacoh-3vws3bw.jpeg\" alt=\"Image for post\" \/><figcaption>Workshop &#8220;Fogo no Cabar\u00e9 do Prometeu Acorrentado&#8221; ministrado por Beth Firmino e Bartira Fortes no II Encontro Internacional da FIBRA entre 16 e 18 de Agosto de 2019, na Funda\u00e7\u00e3o Rosa Luxemburgo em Berlim<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p id=\"af15\">Esbo\u00e7os, desenhos, pinturas, fotografias, v\u00eddeos, literatura e poesia t\u00eam sido usados historicamente para delinear as anota\u00e7\u00f5es de trabalho de campo. Isso revela facetas importantes dos processos envolvidos na coleta de dados. As formas como as artes s\u00e3o utilizadas durante o trabalho de campo afetam a forma como antrop\u00f3loga(o)s apresentam suas descobertas, incorporando as pr\u00e1ticas art\u00edsticas \u2014 visuais, sonoras, liter\u00e1rias ou performativas \u2014 na concep\u00e7\u00e3o, cria\u00e7\u00e3o e apresenta\u00e7\u00e3o do trabalho etnogr\u00e1fico (Schneider e Wright, 2013 ).<\/p>\n\n\n\n<p id=\"14fc\">Durante meu trabalho de campo dentro de um movimento social transnacional pela democracia no Brasil chamado&nbsp;<a href=\"https:\/\/fibrabrasil.wordpress.com\/\">FIBRA<\/a>, eu participei e ajudei a organizar diversas atividades art\u00edsticas: desde oficinas culturais \u00e0 exposi\u00e7\u00f5es de arte, performances, cenas teatrais, shows e festas de carnaval. Al\u00e9m disso, chamou minha aten\u00e7\u00e3o o fato de muita(o)s ativistas terem encontrado paralelos entre o que acontecia no cen\u00e1rio pol\u00edtico do pa\u00eds e os diferentes g\u00eaneros: trag\u00e9dia, circo, show de horrores, filme de terror, teatro do absurdo, tragicom\u00e9dia e novela costumavam ser mencionados. Isso me levou a questionar o tipo de estrutura narrativa que eu usaria em meu texto etnogr\u00e1fico. Inspirada pelos encontros art\u00edsticos durante o meu trabalho de campo e pelas oficinas de escrita conduzidas pela professora Helena Wulff durante o programa de mestrado (Wulff, 2016), eu decidi incluir elementos do Teatro \u00c9pico, da Trag\u00e9dia Grega e do Carnaval na minha escrita. Meu objetivo foi construir uma esp\u00e9cie de cen\u00e1rio configurado por meio da intera\u00e7\u00e3o entre atos de fala, gestos, imagens, cores e figurinos.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"501e\">Para cumprir esse objetivo, eu decidi combinar a divis\u00e3o principal da estrutura de uma tese \u2014 \u201ccap\u00edtulos\u201d \u2014 com a divis\u00e3o inserida em uma obra de teatro \u2014 \u201catos\u201d. Eu dividi a minha disserta\u00e7\u00e3o em \u201ccap\u00edtulos atos\u201d; cada um representando um momento dram\u00e1tico na hist\u00f3ria recente do Brasil, relevante para o desenvolvimento da FIBRA. Como os atos geralmente s\u00e3o compostos por cenas, eu inicio cada cap\u00edtulo ato com uma cena baseada em eventos concretos, declara\u00e7\u00f5es documentadas e fragmentos de jornadas intelectuais destinadas a fornecer uma experi\u00eancia engajada e uma base para argumenta\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m de figuras p\u00fablicas, h\u00e1 tamb\u00e9m um coro que se baseia nas minhas anota\u00e7\u00f5es durante o trabalho de campo e que representa a voz coletiva da FIBRA, e um narrador que representa minha pr\u00f3pria voz antropol\u00f3gica. Cada cena \u00e9 ent\u00e3o seguida por uma descri\u00e7\u00e3o etnogr\u00e1fica mais detalhada e uma an\u00e1lise antropol\u00f3gica.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"312e\">Abaixo segue um breve trecho da primeira cena (original em ingl\u00eas):<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"1c40\">The stage is set: the BBB political show<\/h1>\n\n\n\n<p id=\"c5bd\">This scene takes place on 17 April 2016 at the Brazil\u2019s Chamber of Deputies during the impeachment vote on President Dilma Rousseff; and at Kungstr\u00e4dg\u00e5rden (King\u2019s Garden), in Stockholm, where occurred the first protest of the collective in Sweden for democracy in Brazil, called BRASSAR. All the deputies\u2019 statements and actions presented in this scene were collected from the voting session (my translation). The scene starts at the Brazil\u2019s Chamber of Deputies.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"48e4\"><strong>&#8211; Narrator<\/strong>: Honorable audience, on the historical day of Sunday 17 April 2016, millions of Brazilians\u2019 eyes around the world were turned towards the Chamber of Deputies to follow the vote on whether the president, Dilma Rousseff, should be put through an impeachment trial. Hundreds of thousands took to the streets across more than twenty states in Brazil. Outside the Congress building in Bras\u00edlia, the pro- and anti-impeachment protesters were divided by a steel barrier. On each side, giant screens were installed so that the protesters could follow the voting session. On the one side of the barrier, a red crowd of anti-impeachment protesters.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"7931\"><strong>&#8211; Chorus (chanting)<\/strong>: N\u00e3o ao golpe! Not to the coup! Impeachment without crime is coup!<\/p>\n\n\n\n<p id=\"ceb1\"><strong>&#8211; Narrator<\/strong>: On the other side, a green and yellow crowd of pro-impeachment protesters.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"6901\"><strong>&#8211; Pr\u00f3-impeachment protesters (chanting)<\/strong>: Tchau, querida! Dilma out! Impeachment now!<\/p>\n\n\n\n<p id=\"3def\"><strong>&#8211; Narrator<\/strong>: During that Sunday afternoon, I was in the King\u2019s Garden in central Stockholm with dozens of Brazilians who gathered to demonstrate against the impeachment. The climate was a mixture of hope and tension over what would be decided in the voting session.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"381a\"><em>The scene moves to King\u2019s Garden. The narrator joins the Chorus and holds a placard stating, \u201cCome to democracy\u201d. They start chanting together: \u201cFascists shall not pass!\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p id=\"39ab\"><strong>&#8211; Narrator<\/strong>&nbsp;<em>(leaving the Chorus)<\/em>: After the protest, we went to our homes to wait for the chamber\u2019s voting session. The session lasted about six hours. The deputies were called one by one by the accuser-in-chief of the impeachment, Eduardo Cunha. They could use the microphone for some seconds to justify their decisions. With each vote, the crowd of deputies cheered or booed.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"6e5c\"><strong>&#8211; Deputy<\/strong>: for the military in 1964, today and always; for the police; in the name of God and the Brazilian family, I vote yes for the impeachment! Lula and Dilma in jail!<\/p>\n\n\n\n<p id=\"f3ae\"><strong>&#8211; Deputy<\/strong>: For the end of corruption and paid vagabonds! I vote yes!<\/p>\n\n\n\n<p id=\"aafe\"><strong>&#8211; Deputy<\/strong>: In the name of the nation\u2026<\/p>\n\n\n\n<p id=\"b6d4\"><strong>&#8211; Deputy<\/strong>: For my family, for the good citizens\u2026<\/p>\n\n\n\n<p id=\"7e94\"><strong>&#8211; Narrator<\/strong>: The triad \u201cGod, family and nation\u201d would reverberate again and again throughout the voting session in a congress considered one of the most conservative in the history of Brazil, where the BBB benches\u2026<\/p>\n\n\n\n<p id=\"9ab7\"><em>The Big Brother Brazil theme song starts to play.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p id=\"53f1\"><strong>&#8211; Narrator<\/strong>: Actually, this is not the Big Brother Brazil reality show!<\/p>\n\n\n\n<p id=\"c6b7\"><em>The song turns off.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p id=\"d6b9\"><strong>&#8211; Narrator<\/strong>: The BBB is a conservative political coalition nicknamed \u201cThe Bull, Bible, and Bullet benches\u201d. The coalition represents together the agribusiness\u2026<\/p>\n\n\n\n<p id=\"38af\"><em>An actor crosses the stage holding a placard with a picture of Bolsonaro wearing a cowboy hat.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p id=\"71c0\"><strong>&#8211; Narrator<\/strong>: The evangelical Christian\u2026<\/p>\n\n\n\n<p id=\"982c\"><em>A placard with a picture of Bolsonaro being baptized in the Jordan River by Everaldo Pereira, Pastor and president of the conservative Social Christian Party.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p id=\"3880\"><strong>&#8211; Narrator<\/strong>: And the military and security sectors\u2026.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"8579\"><em>A placard with Bolsonaro\u2019s image making a handgun signal, which became his campaign salute in the 2018 presidential election.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p id=\"7389\"><strong>&#8211; Narrator<\/strong>: The most outrageous moment happened when Bolsonaro, a deputy at that time, dedicated his vote in favor of the impeachment\u2026<\/p>\n\n\n\n<p id=\"f6c2\"><strong>&#8211; Bolsonaro\u2019s voice<\/strong>: to the memory of Colonel Carlos Alberto Brilhante Ustra, the dread of Dilma Rousseff\u2026<\/p>\n\n\n\n<p id=\"7be0\"><em>The Chorus reacts fervently. The deputy Jean Wyllys spit in the direction of Bolsonaro.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p id=\"b759\"><strong>&#8211; Wyllys<\/strong>: First, I want to say that I am embarrassed to participate in this farce, this indirect election, led by a traitor and conspirator, and supported by torturers, cowards, political illiterates and sellout. This sexist farce! In the name of the rights of the LGBT people, the black people living in slums, the culture workers, the homeless, the landless, I vote no to the coup.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"9d90\"><strong>&#8211; Deputy<\/strong>&nbsp;<em>(addressing Wyllys):<\/em>&nbsp;Get out of here because we are going to revoke Brazil! We vote yes, and whoever votes yes puts their hand up!<\/p>\n\n\n\n<p id=\"c2b8\"><em>The deputy releases a carnival confetti cannon, filling the air with a glittering cloud of color.<\/em><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/fibrabrasil.files.wordpress.com\/2021\/02\/62985-1hqovfjaoqlykrzfioz4htg.jpeg\" alt=\"Image for post\" \/><figcaption>Foto Estad\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"fbde\">A Escrita da Cultura e o Teatro \u00c9pico: uma narradora participante<\/h1>\n\n\n\n<p id=\"4110\">A antropologia tem sido tradicionalmente inspirada pelo realismo apresentado no romance cl\u00e1ssico, no qual a tarefa da(o) autor(a) \u00e9 produzir os efeitos do \u201crealismo objetivista\u201d (Webster, 1983: 196,&nbsp;<em>minha tradu\u00e7\u00e3o<\/em>). Contudo, com a interroga\u00e7\u00e3o do car\u00e1ter ilus\u00f3rio da representa\u00e7\u00e3o desde o advento do movimento Writing Culture (Escrita da Cultura) (Clifford &amp; Marcus, 1986), mais aten\u00e7\u00e3o tem sido dada \u00e0s t\u00e9cnicas textuais. Geertz (1988) mostrou que a ilus\u00e3o de objetividade na pesquisa cient\u00edfica se revela na pr\u00f3pria figura da(o) antrop\u00f3loga(o) como autor(a). Segundo Geertz, a solu\u00e7\u00e3o para o meio-termo antropol\u00f3gico entre a arte e a ci\u00eancia \u00e9 aceitar as dimens\u00f5es liter\u00e1rias do texto etnogr\u00e1fico, incluindo mais reflexivamente a vis\u00e3o da(o) antrop\u00f3loga(o).<\/p>\n\n\n\n<p id=\"5422\">Deixe-me fazer um paralelo entre a reflexividade e o Teatro \u00c9pico de Bertolt Brecht (1964). No teatro de Brecht, a pe\u00e7a pretende provocar uma vis\u00e3o cr\u00edtica da a\u00e7\u00e3o no palco, usando t\u00e9cnicas para quebrar sua caracter\u00edstica ilus\u00f3ria. Brecht chamou essas t\u00e9cnicas de&nbsp;<em>Verfremdungseffekt&nbsp;<\/em>\u2014 tamb\u00e9m conhecido como efeito de aliena\u00e7\u00e3o e efeito de distanciamento. Uma das t\u00e9cnicas mais populares \u00e9 a quebra da \u201cquarta parede\u201d, ou seja, a parede imagin\u00e1ria do teatro que separa os atores do p\u00fablico. No Teatro \u00c9pico, a&nbsp;<em>mise-en-sc\u00e8ne<\/em>&nbsp;\u00e9 exposta para lembrar ao espectador que a pe\u00e7a \u00e9 apenas uma representa\u00e7\u00e3o da realidade, e n\u00e3o a pr\u00f3pria realidade. A quebra da quarta parede impede o p\u00fablico de se banhar em emo\u00e7\u00f5es emp\u00e1ticas, o que Brecht viu como condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para desenvolver uma atitude cr\u00edtica sobre aquilo que est\u00e1 sendo apresentado no palco.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"d595\">Assim como o efeito de distanciamento de Brecht, o movimento Writing Culture tamb\u00e9m revela a&nbsp;<em>mise-en-sc\u00e8ne<\/em>&nbsp;do trabalho etnogr\u00e1fico (Marcus, 1997). A reflexividade cr\u00edtica tornou vis\u00edvel a ilus\u00e3o de neutralidade cient\u00edfica ao revelar que n\u00e3o h\u00e1 um \u00fanico caminho que leve ao conhecimento sobre a vida social. A exposi\u00e7\u00e3o da&nbsp;<em>mise-en-sc\u00e8ne<\/em>&nbsp;representa na antropologia o reconhecimento de que n\u00e3o existe uma \u00fanica grande narrativa. O texto etnogr\u00e1fico est\u00e1, assim, ancorado na forma como a(o)s antrop\u00f3loga(o)s constroem a ordem dram\u00e1tica a partir da qual designam um sentido a uma s\u00e9rie de acontecimentos vividos durante o trabalho de campo.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"773e\">Eu escolhi usar a dimens\u00e3o da primeira pessoa da narradora como minha pr\u00f3pria voz dentro das cenas introdut\u00f3rias para que a(o) leitor(a) esteja ciente de minha posi\u00e7\u00e3o no texto etnogr\u00e1fico. Como qualquer contadora de hist\u00f3rias, eu tenho uma rela\u00e7\u00e3o particular com a narrativa: eu sou uma mulher brasileira na di\u00e1spora e participo da FIBRA desde a sua cria\u00e7\u00e3o em 2016. A dimens\u00e3o da primeira pessoa \u2014 geralmente oculta da voz da(o) pesquisador(a) sob a suposta neutralidade da pesquisa etnogr\u00e1fica \u2014 apresenta, assim, a dimens\u00e3o da antrop\u00f3loga como narradora participante. A narradora participante constitui territ\u00f3rios onde a experi\u00eancia antropol\u00f3gica se entrela\u00e7a com as pessoas com quem se relaciona durante o trabalho de campo. Ao me apresentar como participante, eu combinei minha pr\u00f3pria trajet\u00f3ria pessoal com a da FIBRA, ao mesmo tempo em que fui capaz de me distanciar dela atrav\u00e9s do coro. Ao fazer isso, eu busquei evitar comprometer minha posi\u00e7\u00e3o de participante e transformar a escrita etnogr\u00e1fica em uma voz autoral monol\u00f3gica que coloca a etn\u00f3grafa, e n\u00e3o as pessoas estudadas, no centro do palco.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/fibrabrasil.files.wordpress.com\/2021\/02\/29cf9-1bvu8cfoldfbog4jbu9l4cq.jpeg\" alt=\"Image for post\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/fibrabrasil.files.wordpress.com\/2021\/02\/06f01-1kd_uwyqeo8-8aj7vhr-bnq.jpeg\" alt=\"Image for post\" \/><figcaption>Protesto durante o II Encontro Internacional da FIBRA<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"da9c\">Dramatizando a democracia: carnaval e trag\u00e9dia grega<\/h1>\n\n\n\n<p id=\"c903\">Scheper-Hughes certa vez prop\u00f4s: \u201ca escrita antropol\u00f3gica pode ser um local de resist\u00eancia [\u2026] Podemos romper as regras e status acad\u00eamicos esperados no esp\u00edrito do carnavalesco brasileiro\u201d (1995: 420,&nbsp;<em>minha tradu\u00e7\u00e3o<\/em>). O Brasil \u00e9 conhecido mundialmente como \u201co pa\u00eds do carnaval\u201d. O Rio de Janeiro \u00e9 o apogeu da festa com o desfile das Escolas de Samba. Tanto o carnaval quanto o samba surgiram como s\u00edmbolos da identidade nacional brasileira. O antrop\u00f3logo brasileiro DaMatta captou esse significado nacional do carnaval quando escreveu que n\u00e3o foi o Brasil que inventou o carnaval, mas sim o carnaval que inventou o Brasil (1984: 245).<\/p>\n\n\n\n<p id=\"6a9a\">Por outro lado, a trag\u00e9dia grega foi inventada durante a transi\u00e7\u00e3o da tirania para a democracia na Gr\u00e9cia Antiga. Segundo Chou (2012), os gregos antigos usavam suas trag\u00e9dias para lidar com desejos e valores conflitantes relacionados \u00e0 ideia de democracia. Ao dramatizar a democracia, a trag\u00e9dia ajudou a fazer ouvir vozes al\u00e9m do \u00e2mbito pol\u00edtico oficial. Chou usa o termo \u201cmultivocidade\u201d para abranger essa multiplicidade de personagens e quest\u00f5es que existiam no cerne da trag\u00e9dia grega e da polis democr\u00e1tica (ibid .: 51\u201379). \u00c9 importante notar, por\u00e9m, que a democracia na Gr\u00e9cia Antiga se estendia apenas aos cidad\u00e3os, que na \u00e9poca exclu\u00edam mulheres, jovens, escravos e estrangeiros (ibid .: 8). Dessa forma, eu sugiro o car\u00e1ter subversivo do carnaval conforme formulado por Bakhtin (1984 [1965]).<\/p>\n\n\n\n<p id=\"6a17\">Bakhtin via o carnavalesco como a representa\u00e7\u00e3o de uma subvers\u00e3o de uma realidade em outra, onde as hierarquias s\u00e3o suspensas pelo proletariado, pela classe baixa, pelos negligenciados. Como tal, o carnavalesco \u00e9 polif\u00f4nico, como Bakhtin o chamou, na medida em que se apropria de uma ampla gama de discursos em um esp\u00edrito democr\u00e1tico inclusivo. Assim como a multivocidade da trag\u00e9dia, o polif\u00f4nico faz ouvir v\u00e1rias vozes. Mas, em contraste com a trag\u00e9dia, as vozes polif\u00f4nicas do carnaval participam da arena p\u00fablica. A combina\u00e7\u00e3o desses elementos encapsula uma multiplicidade de pontos de vista conflitantes, necess\u00e1rios no processo de dramatiza\u00e7\u00e3o da democracia.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"1582\">O tr\u00e1gico do carnaval est\u00e1 na no\u00e7\u00e3o de que a subvers\u00e3o das hierarquias sociais \u00e9 permitida apenas na \u00e9poca da festa, como um momento tempor\u00e1rio de ilus\u00e3o. Esse contraponto entre a trag\u00e9dia e o carnaval apresenta a base para a minha ideia de democracia como uma her\u00f3ina tr\u00e1gica carnavalesca, que d\u00e1 nome \u00e0 minha disserta\u00e7\u00e3o (Fortes, 2020). Uma perspectiva tr\u00e1gica carnavalesca combina diferentes temporalidades desde a atemporalidade da trag\u00e9dia ao tempo suspenso do carnaval: um passado colonial que persiste nas desigualdades sociais do presente; ao subvert\u00ea-lo, mesmo que apenas temporariamente, surge um espa\u00e7o para um futuro emancipat\u00f3rio em um esp\u00edrito carnavalesco democr\u00e1tico que libera s\u00e9culos de coloniza\u00e7\u00e3o e desigualdade. A antropologia e as artes t\u00eam mostrado que as microrrevolu\u00e7\u00f5es est\u00e3o ocorrendo fora do alcance de narrativas baseadas na ret\u00f3rica colonial, racista e patriarcal.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"52c0\"><strong>Refer\u00eancias citadas:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p id=\"b9c0\">Bakhtin, Michail. 1984 (1965).&nbsp;<em>Rabelais and His World<\/em>. Translated by H\u00e9l\u00e8ne Iswolsky. Bloomington, IN: Indiana UP.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"a71d\">Bakhtin, Michail. 1984 (1929).&nbsp;<em>Problems of Dostoevsky\u2019s Poetics<\/em>. Edited and translated by Caryl Emerson. Minneapolis: University of Minnesota Press.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"c5ff\">Barba, Eugenio and Nicola Savarese. 1991.&nbsp;<em>A dictionary of theatre anthropology: the secret art of the performer<\/em>. Translated by Richard Fowler. London: Routledge for the Centre for Performance Research.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"5944\">Boas, Franz. 1955 (1927).&nbsp;<em>Primitive Art<\/em>. New York: Dover Publications Inc.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"2ffb\">Brecht, Bertolt. 1964.&nbsp;<em>Brecht on Theatre: The Development of an Aesthetic<\/em>. Translated and edited by John Willett. London: Methuen.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"9dec\">Chou, Mark. 2012.&nbsp;<em>Greek Tragedy and Contemporary Democracy<\/em>. New York: Bloomsbury.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"115e\">Clifford, James and George E. Marcus (eds.). 1986.&nbsp;<em>Writing culture: the poetics and politics of ethnography<\/em>. Berkeley: University of California Press.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"a70a\">DaMatta, Roberto. 1984. 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Para visualizar o artigo clique<a href=\"https:\/\/revistacaliban.net\/antropologia-ativismo-arte-e-a-democracia-no-brasil-reflex%C3%B5es-sobre-pr%C3%A1ticas-art%C3%ADsticas-do-b2e0a3ee2550\"> aqui.<\/a><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile\" style=\"grid-template-columns:15% auto;\"><figure class=\"wp-block-media-text__media\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/fibrabrasil.files.wordpress.com\/2021\/02\/1_cob1zn-w0dpzvk4apin77a.jpg?w=262\" alt=\"\" class=\"wp-image-1792 size-full\" \/><\/figure><div class=\"wp-block-media-text__content\">\n<p>Mestre em Antropologia Social pela Universidade de Estocolmo. Sua pesquisa cruza antropologia, ci\u00eancia pol\u00edtica, m\u00eddia, artes c\u00eanicas e est\u00e9tica da arte<\/p>\n<\/div><\/div>\n","protected":false,"gt_translate_keys":[{"key":"rendered","format":"html"}]},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Bartira Fortes S\u00e3o diversos os pontos de contato entre a antropologia e as artes: ambas t\u00eam a cultura como objeto; ambas observam, participam e\/ou<\/p>\n","protected":false,"gt_translate_keys":[{"key":"rendered","format":"html"}]},"author":1,"featured_media":1790,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"om_disable_all_campaigns":false,"_eb_attr":"","footnotes":""},"categories":[6,9,10,1],"tags":[78,79,80,81,82,23,51,83],"class_list":["post-1788","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","category-opiniao","category-reportagens","category-sem-categoria","tag-antropologia","tag-arte-e-a-democracia-no-brasil","tag-ativismo","tag-bartira-fortes","tag-escrita-etnografica","tag-fibra","tag-fibra-frente-internacional","tag-praticas-artisticas","three-columns"],"aioseo_notices":[],"rttpg_featured_image_url":null,"rttpg_author":{"display_name":"FibraInternacional","author_link":"https:\/\/fibrainternacional.org\/?author=1"},"rttpg_comment":0,"rttpg_category":"<a href=\"https:\/\/fibrainternacional.org\/?cat=6\" rel=\"category\">Artigos<\/a> <a href=\"https:\/\/fibrainternacional.org\/?cat=9\" rel=\"category\">opiniao<\/a> <a href=\"https:\/\/fibrainternacional.org\/?cat=10\" rel=\"category\">Reportagens<\/a> <a href=\"https:\/\/fibrainternacional.org\/?cat=1\" rel=\"category\">Sem categoria<\/a>","rttpg_excerpt":"Por Bartira Fortes S\u00e3o diversos os pontos de contato entre a antropologia e as artes: ambas t\u00eam a cultura como objeto; ambas observam, participam e\/ou","gt_translate_keys":[{"key":"link","format":"url"}],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fibrainternacional.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1788","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/fibrainternacional.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fibrainternacional.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fibrainternacional.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fibrainternacional.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1788"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/fibrainternacional.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1788\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fibrainternacional.org\/index.php?rest_route=\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fibrainternacional.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1788"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fibrainternacional.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1788"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fibrainternacional.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1788"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}