{"id":2008,"date":"2021-02-13T15:57:58","date_gmt":"2021-02-13T18:57:58","guid":{"rendered":"https:\/\/fibrabrasil.wordpress.com\/?p=2008"},"modified":"2021-02-13T15:57:58","modified_gmt":"2021-02-13T18:57:58","slug":"brazilian-left-front-frente-de-esquerda-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fibrainternacional.org\/?p=2008","title":{"rendered":"Brazilian Left Front &#8211; Frente de Esquerda Brasileira","gt_translate_keys":[{"key":"rendered","format":"text"}]},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Por Juliana Sassi e Maila Costa<\/strong> <\/p>\n\n\n\n<p>Irlanda &#8211; Dublim<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/fibrabrasil.files.wordpress.com\/2021\/02\/demo-against-bolsonaro-approach-to-the-covid-pandemic-1.jpg?w=1024\" alt=\"\" class=\"wp-image-2016\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Introdu\u00e7\u00e3o: como come\u00e7amos e por qu\u00ea<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A Frente de Esquerda Brasileira \u00e9 um grupo de base criado em Dublin em mar\u00e7o de 2016 para se opor ao golpe contra a ex-presidente brasileira Dilma Rousseff. A cria\u00e7\u00e3o do BLF tamb\u00e9m foi influenciada por manifesta\u00e7\u00f5es de outros pa\u00edses contra o golpe, que estavam chamando a aten\u00e7\u00e3o internacional para a trag\u00e9dia pol\u00edtica do Brasil. Neste artigo, discutimos os desafios que o BLF enfrentou para enquadrar o golpe e nossas demandas, nossas emo\u00e7\u00f5es mistas envolvidas neste processo e suas contradi\u00e7\u00f5es, bem como os obst\u00e1culos para organizar e mobilizar os brasileiros na Irlanda. Este artigo \u00e9 uma forma de refletir sobre nosso trabalho e de compartilhar com outros ativistas os limites que enfrentamos como um pequeno grupo de base &#8211; limites que acreditamos que a esquerda como um todo tem lutado at\u00e9 certo ponto. N\u00e3o obstante, tamb\u00e9m pretendemos compartilhar nossa esperan\u00e7a de construir a unidade dentro da esquerda em nossa luta comum contra o capitalismo e pela liberta\u00e7\u00e3o do povo.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando o BLF foi criado, chamava-se Dublim pela Esquerda (Dublin Through the Left), para sinalizar que a solu\u00e7\u00e3o para a nossa crise atual seria melhor encontrada na esquerda. O golpe sinalizou esse momento de virada no Brasil, onde pol\u00edticas previdenci\u00e1rias inclusivas &#8211; ainda muito limitadas &#8211; foram amea\u00e7adas de serem destru\u00eddas pelas pol\u00edticas neoliberais, a privatiza\u00e7\u00e3o de empresas p\u00fablicas, bens e servi\u00e7os. A elite empresarial em conjunto com o Congresso buscou desmantelar os direitos trabalhistas, previdenci\u00e1rios, previdenci\u00e1rios e de servi\u00e7os p\u00fablicos essenciais, como sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o. O Brasil estava se movendo drasticamente para a direita e a esquerda era culpada por todos os problemas do pa\u00eds. Foi ent\u00e3o que um grupo de intercambistas brasileiros que viviam na Irlanda decidiu se reunir em frente \u00e0 Embaixada do Brasil. Eles usaram as redes sociais para convocar o protesto, que contou com a presen\u00e7a de cerca de 30 pessoas. Alguns deles haviam se beneficiado das pol\u00edticas do governo do Partido dos Trabalhadores (PT), alguns eram apoiadores e militantes do Partido dos Trabalhadores (PT), e outros se politizaram em 2013 com os protestos do Passe Livre contra o aumento das tarifas do transporte p\u00fablico trouxe muitos jovens \u00e0s ruas. Os protestos de 2013 trouxeram uma onda de mobiliza\u00e7\u00e3o em massa, mas no final, as queixas das pessoas foram cooptadas pela direita. Muitos desses grupos de direita que surgiram nesse contexto (como o MBL- Movimento Brasil Livre) foram financiados por funda\u00e7\u00f5es internacionais, como a Rede Atlas, que \u00e9 pr\u00f3xima aos bar\u00f5es do petr\u00f3leo Koch Brothers (Amaral, 2016: 92).<\/p>\n\n\n\n<p>Esses grupos de direita capturaram as queixas generalizadas e mobilizaram pessoas com ideias de bom senso, como anticorrup\u00e7\u00e3o, anticomunismo, defesa da fam\u00edlia, da na\u00e7\u00e3o e do mercado livre. Eles defenderam valores e discursos hegem\u00f4nicos; conseq\u00fcentemente, eles puderam se comunicar mais facilmente com as pessoas. A direita venceu a guerra narrativa, mas uma gera\u00e7\u00e3o jovem nasceu das lutas de 2013 e de suas contradi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>O BLF fez parte desse processo. Por\u00e9m, na \u00e9poca, o grupo tinha vis\u00f5es distintas sobre 2013. Aqueles apoiadores do PT responsabilizaram os protestos pelo golpe e pela ascens\u00e3o da direita. Os cr\u00edticos do PT viram 2013 como um acontecimento complexo, como uma resposta org\u00e2nica a problemas sociais concretos que o PT n\u00e3o conseguiu resolver devido \u00e0 sua natureza. Esses problemas eram inerentes \u00e0 l\u00f3gica de acumula\u00e7\u00e3o de capital, de modo que n\u00e3o podiam ser administrados por um estado capitalista \/ liberal dentro de uma abordagem centrada no mercado. Se pela primeira vez na hist\u00f3ria a popula\u00e7\u00e3o de baixa renda ampliava seus h\u00e1bitos de consumo e acessava a Universidade, as oportunidades de trabalho encontradas no mercado n\u00e3o eram t\u00e3o promissoras. Em 2014, 97,5% dos empregos criados pagavam cerca de 1.000 reais por m\u00eas (Singer, 2016: 108) &#8211; hoje 1 euro equivale a 6,5 \u200b\u200breais, mas em 2014 rondava os 3,5 reais. Existem muitos outros aspectos de 2013 e da nossa crise atual (ver Junior, 2019; Fernandes, 2019 e Singer et al., 2016), mas para o objetivo deste artigo o que \u00e9 relevante \u00e9 que n\u00e3o houve uma \u00fanica leitura desses eventos dentro BLF. Sab\u00edamos que faz\u00edamos parte da esquerda, mas isso n\u00e3o esclarecia muito sobre nossas vis\u00f5es, demandas e estrat\u00e9gia. T\u00ednhamos muitas identifica\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e vis\u00f5es de mundo distintas: a esquerda radical com anarquistas, socialistas e comunistas, mas tamb\u00e9m social-democratas &#8211; n\u00e3o necessariamente autoidentificados como tal. Na pr\u00f3xima se\u00e7\u00e3o, discutiremos o que essa heterogeneidade significa na pr\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Enquadrando o golpe, nossas emo\u00e7\u00f5es e suas contradi\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto o grupo foi criado com uma demanda espec\u00edfica, para protestar e conscientizar sobre o processo golpista e angariar apoio internacional, a forma como cada um de n\u00f3s entendeu esse momento pol\u00edtico foi diferente. Isso teria consequ\u00eancias para o enquadramento de nossas demandas, reivindica\u00e7\u00f5es e estrat\u00e9gia. Os partid\u00e1rios do PT viram o golpe como um golpe contra a democracia e o PT como v\u00edtima de uma direita voraz. Pois ent\u00e3o, se o PT permanecesse no governo, a democracia se restabeleceria e as mudan\u00e7as sociais viriam do Estado. A esquerda radical viu o PT ser esfaqueado nas costas por aqueles que apertavam as m\u00e3os e favoreciam dias antes. O PT optou por uma pol\u00edtica de concilia\u00e7\u00e3o de classes, e assim termina na periferia do sistema. Al\u00e9m disso, para a esquerda radical, o uso do termo democracia foi problem\u00e1tico porque tudo aconteceu dentro da estrutura da democracia liberal. A democracia liberal \u00e9 algo que as pessoas na Europa podem defender devido \u00e0 sua posi\u00e7\u00e3o no sistema mundial, na divis\u00e3o social do trabalho. Mesmo assim, para n\u00f3s que viemos de um dos pa\u00edses mais desiguais do mundo, isso n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>As pessoas n\u00e3o pensam no Brasil como um pa\u00eds rico, mas somos a 8\u00aa economia mais rica do mundo. Ent\u00e3o, por que tanta pobreza? O golpe \u00e9 revelador a esse respeito. Sempre que pequenas mudan\u00e7as est\u00e3o sendo implementadas no Brasil para beneficiar os pobres, a classe trabalhadora, o governo \u00e9 substitu\u00eddo pelo apoio dos EUA. Foi o que aconteceu em 1964, foi o que aconteceu em 2016. Mas, em 2016, as comunidades ind\u00edgenas e a esquerda sentiram pouca diferen\u00e7a com o PT ou o PSDB (partido da oposi\u00e7\u00e3o) no governo. As balas de borracha disparadas contra os manifestantes contra a Copa do Mundo de 2014 tiveram o mesmo efeito em suas peles de antes. Nesse sentido, para a esquerda radical do BLF, o PT foi o respons\u00e1vel por seu destino. Quando o golpe estava sendo articulado, o PT n\u00e3o mobilizou os movimentos sociais para apoiar Dilma. Na verdade, quando no governo, o PT desmobilizou movimentos sociais que historicamente os apoiaram pela incorpora\u00e7\u00e3o de militantes importantes aos cargos de governo e pela defesa de que as mudan\u00e7as sociais viriam do Estado. No entanto, o que nos uniu a todos foi o entendimento de que este golpe foi um golpe de direita que desmantelaria os direitos sociais e trabalhistas conquistados pelo povo. Ap\u00f3s a queda de Dilma, o governo de Michell Temer aprovou nova legisla\u00e7\u00e3o trabalhista com o objetivo de destruir os sindicatos, a capacidade de mobiliza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores, o poder de negocia\u00e7\u00e3o coletiva e os direitos fundamentais, levando \u00e0 flexibiliza\u00e7\u00e3o dos contratos. A nova legisla\u00e7\u00e3o trabalhista entrou em vigor para quebrar a solidariedade da classe trabalhadora e trazer mais precariedade, ansiedade e estresse para a classe trabalhadora em um mercado livre n\u00e3o regulamentado. <\/p>\n\n\n\n<p>Entre 27 e 29 de janeiro de 2017, membros do BLF participaram do primeiro encontro internacional de grupos brasileiros contra o golpe em Amsterd\u00e3 (Encontro Internacional pela Democracia e Contra o Golpe). Os tr\u00eas dias de evento reuniram grupos da Su\u00e9cia, Alemanha, Su\u00ed\u00e7a, Portugal, Espanha, Dinamarca, Fran\u00e7a, Holanda, It\u00e1lia, B\u00e9lgica, Irlanda, Noruega, Inglaterra e Brasil. Tr\u00eas coletivos participaram virtualmente (M\u00e9xico, Nova York e Washington DC). O evento foi importante para o fortalecimento da rede e tamb\u00e9m mostrou que as quest\u00f5es que o BLF estava enfrentando para construir uma narrativa comum tamb\u00e9m estiveram presentes neste encontro. A narrativa hegem\u00f4nica do encontro era a necessidade de restabelecimento da democracia, e a linha estrat\u00e9gica era focar nas elei\u00e7\u00f5es de 2018, nas quais Luiz In\u00e1cio Lula da Silva voltaria para salvar a todos n\u00f3s. Um grupo liderado por mulheres do PT n\u00e3o concordou com essa estrat\u00e9gia e defendeu que devemos continuar fazendo campanha para que Dilma volte porque foi ilegalmente removida. Reconhecer novas elei\u00e7\u00f5es era admitir que Dilma era culpada &#8211; embora ela n\u00e3o fosse. Eles tamb\u00e9m chamaram a aten\u00e7\u00e3o para a caracter\u00edstica mis\u00f3gina e sexista do golpe. O BLF era ent\u00e3o uma micro representa\u00e7\u00e3o dessa multiplicidade de narrativas e vis\u00f5es da esquerda brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p>O papel das emo\u00e7\u00f5es e da experi\u00eancia pessoal foi central para informar as leituras das pessoas sobre a situa\u00e7\u00e3o. Houve muitos cartazes e discursos nas primeiras manifesta\u00e7\u00f5es dizendo \u201cLula eu te amo\u201d, \u201cLula roubou meu cora\u00e7\u00e3o\u201d e afirma\u00e7\u00f5es emocionantes semelhantes. Estudiosos de movimentos sociais t\u00eam afirmado que as emo\u00e7\u00f5es fazem parte da vida de um movimento social, elas unem as pessoas e n\u00e3o s\u00e3o uma qualidade irracional (Jasper, 2011) nem apenas uma ferramenta estrat\u00e9gica instrumentalizada por movimentos sociais para atingir objetivos espec\u00edficos. Por\u00e9m, nos movimentos pol\u00edticos, a reflex\u00e3o sobre a realidade concreta n\u00e3o pode ser esquecida por simpatias pessoais. Se assim fosse, nossa defesa n\u00e3o seria de um programa social emancipat\u00f3rio, mas populista &#8211; ou, pior ainda, de um regime fascista, que vimos emergir depois, a partir do \u00f3dio e do preconceito.<\/p>\n\n\n\n<p>Nosso grande desafio foi encontrar uma linguagem para enquadrar o golpe e nossas demandas de maneira que englobasse a complexidade da crise atual e, concomitantemente, mobilizasse as pessoas. A esquerda critica h\u00e1 d\u00e9cadas o liberalismo e suas institui\u00e7\u00f5es, sua democracia burguesa, a grande m\u00eddia, os pol\u00edticos e o Estado. A extrema direita come\u00e7ou a ganhar espa\u00e7o fazendo o mesmo e ainda atacando os direitos humanos. Defender a democracia neste contexto assumiu uma caracter\u00edstica distinta. O fascismo estava em alta &#8211; em todo o mundo &#8211; e a imagem de esquerda estava sendo fortemente ligada. Por mais que os fascistas amem o mercado livre, os direitos humanos est\u00e3o sob ataque. Foi ent\u00e3o um momento crucial para destacar o problema do liberalismo e os perigos do fascismo. Na pr\u00f3xima se\u00e7\u00e3o, mostraremos como temos lidado com essas quest\u00f5es e trabalhado para nos mobilizar e nos organizar.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O que fazemos: Mobilizando e organizando brasileiros na Irlanda<\/strong><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-jetpack-slideshow aligncenter\" data-effect=\"slide\"><div class=\"wp-block-jetpack-slideshow_container swiper-container\"><ul class=\"wp-block-jetpack-slideshow_swiper-wrapper swiper-wrapper\"><li class=\"wp-block-jetpack-slideshow_slide swiper-slide\"><figure><img decoding=\"async\" alt=\"\" class=\"wp-block-jetpack-slideshow_image wp-image-2018\" data-id=\"2018\" src=\"https:\/\/fibrabrasil.files.wordpress.com\/2021\/02\/blf-elenao.jpg\" \/><\/figure><\/li><li class=\"wp-block-jetpack-slideshow_slide swiper-slide\"><figure><img decoding=\"async\" alt=\"\" class=\"wp-block-jetpack-slideshow_image wp-image-2017\" data-id=\"2017\" src=\"https:\/\/fibrabrasil.files.wordpress.com\/2021\/02\/ele-nao.jpg\" \/><\/figure><\/li><\/ul><a class=\"wp-block-jetpack-slideshow_button-prev swiper-button-prev swiper-button-white\" role=\"button\"><\/a><a class=\"wp-block-jetpack-slideshow_button-next swiper-button-next swiper-button-white\" role=\"button\"><\/a><a aria-label=\"Pause Slideshow\" class=\"wp-block-jetpack-slideshow_button-pause\" role=\"button\"><\/a><div class=\"wp-block-jetpack-slideshow_pagination swiper-pagination swiper-pagination-white\"><\/div><\/div><\/div>\n\n\n\n<p>Combinamos em nosso trabalho educa\u00e7\u00e3o e a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, teoria e pr\u00e1tica. Nosso principal objetivo \u00e9 mobilizar as pessoas para a a\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m aprender com a luta. Nesta se\u00e7\u00e3o, mostramos o que fazemos.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde o primeiro evento na Embaixada do Brasil, em 2016, o grupo organizou diversos protestos. Naquele ano projetamos a frase \u201cTemer fora, pare com o golpe no Brasil\u201d no muro da prefeitura na Rua Dame, sob o governo de Bolsonaro, convocamos protestos contra os cortes no or\u00e7amento da Educa\u00e7\u00e3o no Brasil, organizamos a manifesta\u00e7\u00e3o #EleNao contra sua elei\u00e7\u00e3o , que contou com a presen\u00e7a de cerca de 300 brasileiros, realizou um protesto contra o Acordo UE-Mercosul e a visita do vice-presidente da C\u00e2mara Rodrigo Maia ao presidente irland\u00eas Michael D. Higgins em sua resid\u00eancia oficial em Phoenix Park.<\/p>\n\n\n\n<p>A manifesta\u00e7\u00e3o ap\u00f3s o assassinato de Marielle em mar\u00e7o de 2018 foi particularmente emocional e poderosa. Muitos brasileiros e torcedores de outros grupos da Irlanda se reuniram para afirmar que sua luta ainda estava acontecendo. Banners tamb\u00e9m destacaram o n\u00edvel de viol\u00eancia policial no Brasil: Em um ano, cerca de 1.000 pessoas foram mortas pela pol\u00edcia apenas no estado do Rio de Janeiro. Por\u00e9m, todos sabiam que esse crime tinha uma motiva\u00e7\u00e3o espec\u00edfica: Marielle era uma l\u00e9sbica socialista negra que lutava contra o racismo, o capitalismo predat\u00f3rio, a viol\u00eancia policial e pelos direitos LGBTQI. Mais de dois anos depois, continuamos perguntando: quem mandou matar Marielle Franco?<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/fibrabrasil.files.wordpress.com\/2021\/02\/mariele.jpg?w=960\" alt=\"\" class=\"wp-image-2020\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Outra iniciativa do grupo foram os encontros feministas Feminismo em A\u00e7\u00e3o. Essas reuni\u00f5es tiveram seus temas escolhidos pelas participantes no encontro anterior e visavam estimular debates feministas de classe para combater as vis\u00f5es feministas hegem\u00f4nicas liberais. Houve encontros sobre racismo, maternidade, intersexo, sexualidade, entre outros. Tamb\u00e9m organizamos eventos (Roda de Conversas) para discutir assuntos pol\u00edticos e sociais. Em dezembro de 2019 organizamos com os grupos brasileiros Turbante-se e Go Dance For Change um evento para discutir a negritude e o racismo na Irlanda. Ra\u00e7a e racismo t\u00eam sido centrais em nosso trabalho devido ao processo de racializa\u00e7\u00e3o que muitas pessoas que eram consideradas brancas no Brasil enfrentam quando chegam \u00e0 Irlanda. Muitos n\u00e3o se entendem como pessoas de cor; muitos tamb\u00e9m acreditam que existe tanto racismo na Irlanda quanto no Brasil: nenhum. Portanto, precisamos nos educar. Para resolver alguns problemas que enfrentamos durante a organiza\u00e7\u00e3o, fizemos uma s\u00e9rie de palestras no YouTube em maio de 2020 sobre feminismo, identitarismo, marxismo, trabalhadores e COVID 19, bem como veganismo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/fibrabrasil.files.wordpress.com\/2021\/02\/feminism-in-action-meetings.jpg?w=1024\" alt=\"\" class=\"wp-image-2022\" \/><figcaption>Encontro Feminismo em A\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Nesses eventos, tamb\u00e9m buscamos motivar as pessoas a se envolverem mais ativamente com o grupo. Como uma organiza\u00e7\u00e3o de base, equilibramos o trabalho no BLF com outras atividades di\u00e1rias, como nossos empregos prec\u00e1rios, escola e universidade &#8211; e tamb\u00e9m mudamos de uma habita\u00e7\u00e3o de baixo padr\u00e3o para outra. Esta realidade que enfrentamos na Irlanda como migrantes racializados da classe trabalhadora tamb\u00e9m \u00e9 algo que passamos a compreender melhor trabalhando com outros grupos de base no terreno. Na pr\u00f3xima se\u00e7\u00e3o, explicaremos como essas rela\u00e7\u00f5es foram criadas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Solidariedade transnacional<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Dado o trabalho que est\u00e1vamos fazendo para informar a sociedade irlandesa sobre os perigos da ascens\u00e3o da extrema direita no Brasil para reunir apoio, tamb\u00e9m aprendemos os problemas enfrentados pela classe trabalhadora, mulheres, comunidade LGBTQI e migrantes e requerentes de asilo na Irlanda. Aprendemos que a luta para revogar o dia 8 tamb\u00e9m foi uma quest\u00e3o de migrantes e que fomos mais afetados pela proibi\u00e7\u00e3o do aborto do que os irlandeses devido ao nosso status de visto. Era uma despropor\u00e7\u00e3o semelhante ao que os negros enfrentam no Brasil, e camaradas no Brasil tamb\u00e9m estavam lutando para descriminalizar o aborto l\u00e1. O trabalho de Migrantes e Minorias \u00c9tnicas pela Justi\u00e7a Reprodutiva (MERJ) foi essencial para muitos de n\u00f3s no BLF para nos conectarmos com esta quest\u00e3o aqui. MERJ trouxe \u00e0 tona o fato de que os migrantes e requerentes de asilo s\u00e3o desproporcionalmente afetados pelas pol\u00edticas reprodutivas patriarcais e racistas do estado. Os membros do BLF se envolveram com o MERJ e contribu\u00edram para o livro \u201cN\u00f3s percorremos um longo caminho\u201d, publicado em 2018. Tamb\u00e9m fizemos um v\u00eddeo de apoio \u00e0 Campanha de Revoga\u00e7\u00e3o, pedindo \u00e0queles que podiam votar que considerassem nossa especificidade porque o fizemos n\u00e3o tem o voto.<\/p>\n\n\n\n<p>No final de 2017, o BLF envolveu-se com a Irish Housing Network. A primeira a\u00e7\u00e3o em que participamos foi o com\u00edcio anti-despejo em Mountjoy Square. Desde ent\u00e3o, alguns membros come\u00e7aram a trabalhar com Dublin Central Housing Action (DCHA), participando do doorknocking, o grupo de apoio, ajudando na tradu\u00e7\u00e3o de materiais e casos de RTB com inquilinos brasileiros. Em 2018, trabalhamos com DCHA na \u00e1rea de Summerhill. A partir desse trabalho, a DCHA foi informada em maio de que um despejo estava ocorrendo em 39-38 Summerhill Parade. Quando chegamos ao local, descobrimos que sete casas, nas quais viviam 120 pessoas, a maioria migrantes e 90% do Brasil, seriam ocupadas pelo senhorio sem pr\u00e9vio aviso de despejo. Em menos de uma semana, todos foram despejados.<\/p>\n\n\n\n<p>Como uma resposta de baixo para cima \u00e0 crise habitacional, em agosto de 2018 criamos o Take Back the City (TBTC) com outros seis grupos de base para destacar as contradi\u00e7\u00f5es entre o grande n\u00famero de propriedades vazias na cidade e o n\u00famero crescente de pessoas que viviam falta de moradia &#8211; no sentido pleno do termo. Isso inclu\u00eda inquilinos que estavam sendo despejados, aqueles que viviam em acomoda\u00e7\u00f5es superlotadas e abaixo dos padr\u00f5es ou em pr\u00e9dios da C\u00e2mara Municipal de Dublin deixados sem cuidados e manuten\u00e7\u00e3o pelo estado. Tamb\u00e9m incluiu todos aqueles que n\u00e3o possu\u00edam casa e enfrentavam a inseguran\u00e7a quanto \u00e0 loca\u00e7\u00e3o. Os outros seis grupos que criaram o TBTC foram: Blanchardstown Housing Action Committee (BHAC), North Dublin Bay Housing Crisis Committee (NDB), Dublin Central Housing Action (DCHA), Dublin Renters Union (DRU), Take Back Trinity (TBT) e Migrant &amp; Ethnic Minorities for Reproductive Justice (MERJ).<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2018, o BLF juntou-se \u00e0 Parada do Orgulho de Dublin. Foi a primeira vez que um bloco brasileiro participou do evento. A ades\u00e3o do brasileiro ao desfile foi alta e as pessoas apareceram segurando cartazes com conte\u00fado pol\u00edtico, em vez de apenas celebrar a diversidade como se a diversidade pudesse vir sem igualdade e justi\u00e7a social. Os escritos nas placas abordavam a situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica no Brasil, os ataques que pessoas LGBTQI + sofrem na Irlanda, o fato de no Brasil o casamento \u201cdo mesmo sexo\u201d ser permitido desde 2013 e tamb\u00e9m a expectativa de vida de uma mulher negra trans \u00e9 de apenas 35 anos no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>O BLF tamb\u00e9m tem trabalhado com o Centro de Solidariedade para a Am\u00e9rica Latina em quest\u00f5es relacionadas \u00e0 comunidade latino-americana. Em 2017, co-organizamos a visita do l\u00edder ind\u00edgena Ladio Veron. Ladio visitou v\u00e1rios pa\u00edses da Europa na \u00e9poca para denunciar a situa\u00e7\u00e3o ind\u00edgena no Brasil e pedir apoio internacional para pressionar o governo brasileiro a demarcar suas terras &#8211; um direito constitucional.<\/p>\n\n\n\n<p>O BLF participou de v\u00e1rias palestras na Irlanda, conduzidas por grupos de base, ONGs, partidos pol\u00edticos de esquerda e universidades. Participamos de um evento sobre o golpe no Brasil organizado na Dublin City University (DCU), e de outro evento sobre o legado da Copa do Mundo de 2014. Em 2019, tamb\u00e9m falamos no Festival Marxista sobre a ascens\u00e3o do fascismo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/fibrabrasil.files.wordpress.com\/2021\/02\/demonstration-against-the-coup-in-2016.jpg?w=720\" alt=\"\" class=\"wp-image-2024\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Obst\u00e1culos para os brasileiros se organizarem e mobilizarem brasileiros na Irlanda<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Construir um coletivo brasileiro de esquerda na Irlanda tem sido uma tarefa dif\u00edcil. A maioria dos brasileiros s\u00e3o estudantes que permanecem no pa\u00eds por cerca de dois anos [1]. Devido ao car\u00e1ter tempor\u00e1rio de sua estada, n\u00e3o \u00e9 prov\u00e1vel que se envolvam em movimentos sociais, especialmente aqueles relacionados ao contexto irland\u00eas sobre o qual eles quase nada sabem. Al\u00e9m disso, o crescimento das ideias conservadoras e neoliberais em todo o mundo gera desconfian\u00e7a na esquerda e em suas propostas sobre a sociedade. Portanto, mesmo ideias que foram consideradas universais, como moradia p\u00fablica e sa\u00fade, podem ser vistas como muito radicais e impediriam aqueles que n\u00e3o t\u00eam nenhuma forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de se envolver com o BLF. No entanto, abandonar nossas demandas para crescer como grupo \u00e9 uma concess\u00e3o que n\u00e3o faz sentido para n\u00f3s. Muitos grupos j\u00e1 o fazem e acabam se transformando em defensores liberais. Por isso, o desafio de construir uma narrativa que se comunique com a sociedade em geral ainda \u00e9 um desafio para o BLF, mas algo que almejamos superar por meio da pr\u00e1xis, da luta.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 importante ressaltar, por\u00e9m, que mesmo quando uma determinada popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o desenvolve a consci\u00eancia de que est\u00e1 sendo explorada, abusada ou racializada, isso n\u00e3o muda o fato de que est\u00e1 acontecendo. A for\u00e7a de trabalho brasileira, assim como outros migrantes de fora da Europa Ocidental, tem alta demanda, mas \u00e9 mal paga. Estamos comumente mais expostos ao trabalho abusivo (MRCI, 2015) e \u00e0s rela\u00e7\u00f5es sociais devido \u00e0 nossa vulnerabilidade devido aos altos pre\u00e7os do aluguel, barreiras culturais e de idioma, racismo e status de visto. Vivemos e trabalhamos em piores condi\u00e7\u00f5es, ganhamos sal\u00e1rios piores, estudamos nas piores escolas. Esta situa\u00e7\u00e3o \u00e9 muito conveniente para empresas que podem acumular mais realizando um trabalho competente a um custo mais baixo, bem como cobrando alugu\u00e9is mais altos ou prestando servi\u00e7os ruins \u00e0 comunidade migrante. Podemos ver que n\u00e3o existem barreiras, mas pontes para o capital, enquanto al\u00e9m de enfrentarem barreiras, as pessoas s\u00e3o rejeitadas aos subterr\u00e2neos. Nesse sentido, considerando a divis\u00e3o internacional do trabalho, os processos de racializa\u00e7\u00e3o, as quest\u00f5es femininas, sexuais, ambientais e animais, bem como a crise habitacional, tornou-se mais evidente que uma teoria, t\u00e1tica e estrat\u00e9gia mais complexas e totalizantes fariam mais sentido de entender. esses processos.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde o in\u00edcio, o BLF baseou-se em uma an\u00e1lise marxista e, como tal, n\u00e3o \u00e9 a vis\u00e3o de todos que se envolvem com o BLF que \u00e9 a vis\u00e3o predominante dentro do grupo. Entendemos que ter uma an\u00e1lise de classe \u00e9 fundamental para abordar de forma coerente o racismo, sexismo, aptid\u00f5es, LGBTQI e quest\u00f5es ambientais. O BLF est\u00e1 aberto a todos os brasileiros na Irlanda que desejam construir um mundo onde nossa identidade n\u00e3o seja limitada por nossa classe, ra\u00e7a, capacidade corporal, g\u00eanero, sexualidade e assim por diante. Seguindo Fanon (2008), o indiv\u00edduo deve assumir a universalidade inerente \u00e0 condi\u00e7\u00e3o humana.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><br>Fanon F. (2008),&nbsp;<em>Black Skin, White Masks<\/em>, New York: Grove Press.<\/p>\n\n\n\n<p>Fernandes, S. (2019).&nbsp;<em>Sintomas m\u00f3rbidos: a encruzilhada da esquerda brasileira<\/em>. Autonomia Liter\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Jasper J. M. (2011), \u201cEmotions and social movements: Twenty years of theory and research,\u201d&nbsp;<em>Annual Review of Sociology<\/em>, 37, 285-303<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00fanior M M (2019), Outros junhos vir\u00e3o: protestos organizados em rede e as democracias radicalizadas. Kotter ed.<\/p>\n\n\n\n<p>Migrants Rights Centre Ireland (2015),&nbsp;<em>All Work and Low Pay<\/em>.&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.mrci.ie\/app\/uploads\/2020\/02\/MRCI-All-Work-and-Low-Pay.pdf\">https:\/\/www.mrci.ie\/app\/uploads\/2020\/02\/MRCI-All-Work-and-Low-Pay.pdf<\/a>&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Singer A, et.al (2016),&nbsp;<em>Por que gritamos golpe?: para entender o impeachment e a crise pol\u00edtica no Brasil<\/em>. Boitempo Editorial.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\" \/>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/migranttravelleractivism.wordpress.com\/2021\/01\/03\/brazilian-left-front\/?fbclid=IwAR3iKdQ9HRqMRUEzpLAF_A0xTui4JRBh0xH_3cEWi1aJ3DQN_Yo0_5hzc1U#_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>\u00a0Esse n\u00famero \u00e9 baseado em nossa experi\u00eancia de trabalho com brasileiros na Irlanda, mas pode ser desafiado pela produ\u00e7\u00e3o de dados cient\u00edficos.<\/p>\n","protected":false,"gt_translate_keys":[{"key":"rendered","format":"html"}]},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Juliana Sassi e Maila Costa Irlanda &#8211; Dublim Introdu\u00e7\u00e3o: como come\u00e7amos e por qu\u00ea A Frente de Esquerda Brasileira \u00e9 um grupo de base<\/p>\n","protected":false,"gt_translate_keys":[{"key":"rendered","format":"html"}]},"author":1,"featured_media":2027,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"om_disable_all_campaigns":false,"_eb_attr":"","footnotes":""},"categories":[6,9,10,1],"tags":[148,149,150,140,151,23,51,152,153,154,8,29,136],"class_list":["post-2008","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","category-opiniao","category-reportagens","category-sem-categoria","tag-blf","tag-brazilian-left-front","tag-dublim","tag-esquerda","tag-feminismo","tag-fibra","tag-fibra-frente-internacional","tag-frente-de-esquerda-brasileira","tag-golpe","tag-irlanda","tag-lula","tag-lula-livre","tag-pt","three-columns"],"aioseo_notices":[],"rttpg_featured_image_url":null,"rttpg_author":{"display_name":"FibraInternacional","author_link":"https:\/\/fibrainternacional.org\/?author=1"},"rttpg_comment":0,"rttpg_category":"<a href=\"https:\/\/fibrainternacional.org\/?cat=6\" rel=\"category\">Artigos<\/a> <a href=\"https:\/\/fibrainternacional.org\/?cat=9\" rel=\"category\">opiniao<\/a> <a href=\"https:\/\/fibrainternacional.org\/?cat=10\" rel=\"category\">Reportagens<\/a> <a href=\"https:\/\/fibrainternacional.org\/?cat=1\" rel=\"category\">Sem categoria<\/a>","rttpg_excerpt":"Por Juliana Sassi e Maila Costa Irlanda &#8211; Dublim Introdu\u00e7\u00e3o: como come\u00e7amos e por qu\u00ea A Frente de Esquerda Brasileira \u00e9 um grupo de base","gt_translate_keys":[{"key":"link","format":"url"}],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fibrainternacional.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2008","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/fibrainternacional.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fibrainternacional.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fibrainternacional.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fibrainternacional.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2008"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/fibrainternacional.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2008\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fibrainternacional.org\/index.php?rest_route=\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fibrainternacional.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2008"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fibrainternacional.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2008"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fibrainternacional.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2008"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}