{"id":3456,"date":"2021-06-23T06:33:25","date_gmt":"2021-06-23T09:33:25","guid":{"rendered":"https:\/\/fibrabrasil.wordpress.com\/?p=3456"},"modified":"2021-10-02T10:15:56","modified_gmt":"2021-10-02T08:15:56","slug":"o-orgulho-transforma-esperancando-utopias-e-lutas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fibrainternacional.org\/?p=3456","title":{"rendered":"\u201cO Orgulho Trans*Forma\u201d: esperan\u00e7ando utopias e lutas.","gt_translate_keys":[{"key":"rendered","format":"text"}]},"content":{"rendered":"\n<p>@anadijk (60), \u00e9 do Coletivo Amsterdam pela Democracia, coletivo fundador da FIBRA.<\/p>\n\n\n\n<p>Holanda, 22.06.2021<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignleft size-large is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/fibrabrasil.files.wordpress.com\/2021\/06\/screenshot-2021-06-22-at-15.33.50-1.png?w=723\" alt=\"\" class=\"wp-image-3460\" width=\"298\" height=\"249\"\/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap\">No pr\u00f3ximo domingo 27, o Programa Vozes de Fibra, produzido e transmitido pelo canal da FIBRA no YouTube <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/channel\/UCL7oXVCUXiPmzxGHUc39Crw\">(@FibraFrenteInternacional<\/a>), vai trazer o \u201cO Orgulho Trans*Forma\u201d, com participa\u00e7\u00e3o de Indianara Siqueira, Luiz Mott, Laura Finocchiaro, Paulo Giacomini e Linda Brasil, e modera\u00e7\u00e3o de C\u00e1ssio Paz e Tarc\u00edsio D\u2019Almeida. Um tima\u00e7o de nomes referendando a live que conta com o apoio da FIBRA. O programa busca honrar com muito ativismo este junho de 2021, em que se fala e celebra o <em>Gay Pride<\/em> por todo o lugar. A inten\u00e7\u00e3o \u00e9 marcar a import\u00e2ncia da luta pelos direitos de toda a comunidade LGBTQIA+ e dar um passo \u00e0 frente num mundo ainda t\u00e3o reacion\u00e1rio e excludente. Um mundo confuso, que se quer civilizado, por\u00e9m profundamente sect\u00e1rio, racista, mis\u00f3gino e homof\u00f3bico. O avan\u00e7o das liberdades individuais versus xenofobia de intolerantes \u00e9 a g\u00eanesis de um mundo profuso de possibilidades contradit\u00f3rias: os \u201cdiferentes\u201d, os n\u00e3o bin\u00e1rios, os n\u00e3o-machos, os inconvencionais e at\u00e9 mesmo grande parte das mulheres vivem suas naturezas, alegrias, dores, sucessos, fracassos e utopias apesar do mundo violento e violador de corpos e sonhos. A aparente leveza de tr\u00e2nsito, a liberdade de se expor para al\u00e9m das sombras do medo e da n\u00e3o aceita\u00e7\u00e3o, ainda disputa espa\u00e7o e dignidade numa sociedade que persegue, estigmatiza, isola e cancela seres humanos. E tragicamente, por prazer ou paran\u00f3ia, ainda os mata, e muito, pelo simples fato de serem quem s\u00e3o ou querem ser. Da\u00ed para mim a emo\u00e7\u00e3o com a relev\u00e2ncia do programa: a pauta \u00e9 milit\u00e2ncia pura como n\u00e3o poderia deixar de ser!<\/p>\n\n\n\n<p>E foi na vibe de produ\u00e7\u00e3o do Vozes que me deparei com um elemento importante da vida brasileira, e meio que fio condutor dos convidados ilustres. Direta ou indiretamente, todos se relacionam com um fen\u00f4meno cultural, que em plena ditadura militar (anos 60 e 70) revolucionaram a vida, os costumes e a pr\u00f3pria arte das noites cariocas \u2013 o grupo <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Dzi_Croquettes\"><strong>Dzi Croquettes<\/strong><\/a>. Para mim um nome vago, mas que arrebatou encantamento da equipe do programa! O inc\u00f4modo de n\u00e3o conhecer quase nada daqueles nomes me levou \u00e0 procurar na web do que se tratava!!!!<\/p>\n\n\n\n<p>Da infinidade de imagens e v\u00eddeos do grupo, ou melhor, da trupe que chacoalhou conceitos, limites, bundas, plumas e palcos sem modera\u00e7\u00e3o, selecionei o \u201c<a href=\"https:\/\/youtu.be\/OGrIMj-4UWc\">Dzi Croquettes Document\u00e1rio 2009<\/a>\u201d de Tatiana Issa; seria uma olhadinha pra me situar\u2026 Mergulhei por quase duas horas numa viagem ao tempo. Acabei de assistir e veio um desejo enorme de saber mais&#8230;.. Para quem conhecia o Rio de Janeiro \u201cdas f\u00e9rias\u201d e da TV, reconheci com \u00e1vido saudosismo alguns rostos famosos, lugares e m\u00fasicas que me fizeram voltar no tempo de minhas refer\u00eancias de inf\u00e2ncia e juventude. \u00c0 \u00e9poca, o Rio de Janeiro era o destino cobi\u00e7ado e invejado por muitos dos jovens com quem convivia. A mem\u00f3ria saudosa foi, no entanto, impedida pelo <em>gap<\/em> entre a maturidade e a juventude de qualquer romantismo daquele Rio (re)vivido. Como paraense, lembro da enorme discrep\u00e2ncia regional &#8211; \u00e0 \u00e9poca tatuada \u00e0s nossas percep\u00e7\u00f5es de mundo, levando \u201caos do norte\u201d a cobi\u00e7ar o tal &#8220;sul maravilha&#8221;, ponto central de produ\u00e7\u00e3o dos termos da vida nacional. Ali se vivia uma explos\u00e3o cultural e comportamental que n\u00e3o era nem reflexo, nem motivador do que ocorria no \u201cresto pa\u00eds\u201d (que produzia coisas fant\u00e1sticas na sua invisibilidade!). Rinc\u00f5es profundos, quase apartados pela geografia da soberba e esquecimento, da desimport\u00e2ncia estrutural de um projeto de Estado, ditando pol\u00edticas p\u00fablicas que sofriam e faziam sofrer os envolvidos. Dos relatos no document\u00e1rio, percebi nomes que vagamente lembrava, e alguns rostos que lembrava muito, e bem!, porque chegavam at\u00e9 n\u00f3s pela Globo. Ai, ai, daqueles dias o sabor que ficou \u00e9 que \u201co que a Globo n\u00e3o levava pra n\u00f3s n\u00e3o existia\u201d!!! E isso diz tanto e muito do per\u00edodo da ditadura militar, naturalizando privil\u00e9gios como direitos, a uma empresa tornada poderosa e nefasta, j\u00e1 que livre para modelar cora\u00e7\u00f5es, mentes e o destino do pr\u00f3prio pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Do tempo do glamour dos Croquettes lembro de um pa\u00eds \u00e0 deriva em preconceitos e ignor\u00e2ncia de si mesmo, do colonialismo interno t\u00e3o nefasto quanto o externo, que hoje lutamos para decolonializar. Ah se ali tiv\u00e9ssemos mergulhado como na\u00e7\u00e3o, na sabedoria de Paulo Freire! A vida fervilharia por todo lado e n\u00e3o haveria arrego ao mar de ignor\u00e2ncia que hoje nos suga para as profundezas do fundamentalismo religioso. Um fosso nunca inocente &#8211; porque projeto de Poder, a banalisar e ridicularizar a diversidade! Dessa ignor\u00e2ncia oportuna vemos hoje a tara e a gana de passar boiadas na vida brasileira, suprimindo o que n\u00e3o interessa, porque assim segue a l\u00f3gica de desbravadores e genocidas.<\/p>\n\n\n\n<p>Se o descaso foi idiota, hoje \u00e9 criminoso porque refuta de caso pensado o protagonismo, valor e significado de nossas diversidades, peda\u00e7os pouco valorizados, porque ainda n\u00e3o nos tratamos como iguais! Dzi e outros fen\u00f4menos que enriqueceram parte do pa\u00eds com suas genialidades, poderiam ter sido ainda mais ricos de significados, se estivessem atentos ao pa\u00eds todo. Teria Lennie Dalle incorporado o carimb\u00f3 e o forr\u00f3 nas coreografias e quem sabe &#8220;O Frevo de Sapatilha&#8221; subverteria a ordem de tudo, por todo o lugar, expandindo o movimento da contracultura para al\u00e9m dos palcos do sul e sudeste do Brasil. A arte dos desiguais inspirando outras artes, e inspirando-se em outras formas ver o mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Minha gera\u00e7\u00e3o perdeu naqueles anos, sob o jugo militar, a chance de ter se compreendido como na\u00e7\u00e3o para al\u00e9m do futebol.<\/p>\n\n\n\n<p>Devaneio eu, que haveria hoje mais empatia com as diferen\u00e7as e nos sobraria a humanidade que ainda nos falta para expelir o tal mito do poder e resgatar o Brasil que agoniza pelo v\u00edrus e pelo verme.<\/p>\n\n\n\n<p>A live \u00e9 luta pelo #forabosonaro. O programa \u00e9 neste domingo, mas para mim ele j\u00e1 come\u00e7ou!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\">***<\/p>\n","protected":false,"gt_translate_keys":[{"key":"rendered","format":"html"}]},"excerpt":{"rendered":"<p>@anadijk (60), \u00e9 do Coletivo Amsterdam pela Democracia, coletivo fundador da FIBRA. 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