{"id":7375,"date":"2021-11-17T15:45:33","date_gmt":"2021-11-17T14:45:33","guid":{"rendered":"http:\/\/fibrainternacional.org\/?p=7375"},"modified":"2022-01-23T16:43:38","modified_gmt":"2022-01-23T15:43:38","slug":"vamos-ainda-de-maos-dadas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fibrainternacional.org\/?p=7375","title":{"rendered":"Vamos ainda de m\u00e3os dadas?","gt_translate_keys":[{"key":"rendered","format":"text"}]},"content":{"rendered":"\n<p>Publicado em 17\/11\/2021<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignright size-thumbnail is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Screenshot-2021-11-17-at-15.37.10-150x150.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-7376\" width=\"266\" height=\"266\" srcset=\"https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Screenshot-2021-11-17-at-15.37.10-150x150.png 150w, https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Screenshot-2021-11-17-at-15.37.10-300x300.png 300w, https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Screenshot-2021-11-17-at-15.37.10-100x100.png 100w, https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Screenshot-2021-11-17-at-15.37.10-600x599.png 600w, https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Screenshot-2021-11-17-at-15.37.10-1024x1024.png 1024w, https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Screenshot-2021-11-17-at-15.37.10-768x767.png 768w, https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Screenshot-2021-11-17-at-15.37.10-1536x1534.png 1536w, https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Screenshot-2021-11-17-at-15.37.10-1170x1169.png 1170w, https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Screenshot-2021-11-17-at-15.37.10.png 1594w\" sizes=\"(max-width: 266px) 100vw, 266px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap\">Escrevo no dia em que se comemoram os 99 anos do nascimento de Jos\u00e9 Saramago. (16 de novembro). Pensei que poderia ser boa inspira\u00e7\u00e3o. Ao escritor portugu\u00eas se atribui a frase <em>O que as vit\u00f3rias t\u00eam de mau \u00e9 que n\u00e3o s\u00e3o definitivas; o que as derrotas t\u00eam de bom \u00e9 que tamb\u00e9m n\u00e3o s\u00e3o definitivas<strong>.<\/strong><\/em><strong> <\/strong>Nos \u00faltimos anos tento repeti-la a mim mesma, cada vez que sofremos uma derrota, e s\u00e3o muitas.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o sei quanto a voc\u00eas mas, ao melhor estilo Saramago, sou uma pessimista. E tamb\u00e9m como ele, n\u00e3o do tipo que se acomoda na pr\u00f3pria desilus\u00e3o. Continuo, apesar de tudo, confiando que s\u00f3 a a\u00e7\u00e3o coordenada pode nos fazer avan\u00e7ar e ainda me emociono com os pequenos atos, mesmo os que aos olhos de muita gente pare\u00e7am arrancadas quixotescas contra os moinhos de vento gigantes.<\/p>\n\n\n\n<p>A quest\u00e3o \u00e9 que embora eu saiba que em algum momento iremos conquistar a t\u00e3o sonhada vit\u00f3ria, em sua efemeridade, meu lado c\u00e9tico n\u00e3o deixa de se questionar a que custo isso se dar\u00e1 e como podemos tornar mais prolongados os efeitos da vit\u00f3ria. Explico-me: enquanto neste presente ultrajante tudo o que buscamos \u00e9 vencer a extrema direita, instalada em Bras\u00edlia &#8211; com seus bra\u00e7os que alcan\u00e7am e sufocam cada parte do Brasil-na\u00e7\u00e3o &#8211; , anseio que possamos pavimentar um caminho que permita que o retorno da esquerda ao poder seja mais perene, mais est\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Confesso que nos anos subsequentes a 2002, com erros e acertos, eu julgava que nunca mais voltar\u00edamos ao fundo do po\u00e7o. Mesmo uma pessimista de carteirinha como eu, naquele momento, julgava que poder\u00edamos, sim, viver harmoniosamente, quando boa parte da popula\u00e7\u00e3o sa\u00eda da linha de mis\u00e9ria para ter uma vida simples, \u00e9 verdade, mas minimamente digna.<\/p>\n\n\n\n<p>Na minha ingenuidade, eu analisava que mesmo os mais ricos prefeririam n\u00e3o ter de lidar com a viol\u00eancia da pobreza em suas fu\u00e7as todo santo dia. Que n\u00e3o fosse pelo bem estar do ser humano, seu compatriota, julgava eu que fosse pelo seu pr\u00f3prio conforto.<\/p>\n\n\n\n<p>O que eu n\u00e3o imaginava \u00e9 que muita gente \u2013 e n\u00e3o s\u00f3 os super ricos \u2013 talvez apreciem a vis\u00e3o dos desgra\u00e7ados, \u00e0 margem da dignidade que qualquer ser humano tem direito. Isso porque essa seria a \u00fanica maneira de se sentirem melhores, mais poderosos e, sem querer pscicanalisar a conversa, mais seguros em seus pap\u00e9is sociais.<\/p>\n\n\n\n<p>Doido, n\u00e3o \u00e9? Dizia Virginia Woolf que a mulher sempre teria servido como lentes que possu\u00edam o poder m\u00e1gico e delicioso de refletir a figura do homem com o dobro do seu tamanho natural e que se a mulher n\u00e3o fosse inferior o homem pararia de crescer em tamanho. Tomando a met\u00e1fora de empr\u00e9stimo, h\u00e1 gente demais no nosso amado Brasil buscando inferiorizar o outro para manter um status conqusitado sem nunca precisarem se esfor\u00e7ar.<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto jovem que tinha a oportunidade de ir ao exterior por seus pr\u00f3prios meios chamava o \u2018Ci\u00eancia sem fronteiras\u2019 de f\u00e9rias sem fronteiras, depreciando o programa e seus participantes. Quantas pessoas que n\u00e3o precisavam de ajuda do governo, apelidaram o Bolsa Fam\u00edla de bolsa esmola? Por qu\u00ea? Isso certamente aplacava a culpa de quem tem tudo sem luta nenhuma e lustrava o conceito meio emba\u00e7ado de meritocracia.<\/p>\n\n\n\n<p>Pois ent\u00e3o viraram o jogo e fomos, n\u00f3s, lan\u00e7ados \u00e0 derrota. E n\u00e3o me refiro s\u00f3 \u00e0 de 2018. Nem sei se posso comparar a dor que senti assistindo <em>in loco<\/em> a transmiss\u00e3o da vota\u00e7\u00e3o macabra pelo impedimento de Dilma Roussef em um tel\u00e3o do Vale do Anahangaba\u00fa, em S\u00e3o Paulo, a meu choro silencioso no sof\u00e1 da sala dos meus pais na derrota de Haddad.<\/p>\n\n\n\n<p>Deste lado da hist\u00f3ria, e fora dos limites do pa\u00eds, nos juntamos. Alguns, como eu, pela primeira vez participando de um grupo de brasileiros expatriados, como a Fibra. Gente que acredita que estar distante de casa n\u00e3o nos torna imunes \u00e0 dor que aflige nossos compatriotas e que compreende o bem estar do pa\u00eds, tamb\u00e9m, como inserido no todo planet\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Partilhar estrat\u00e9gias, atos, protestos pontuais ou espont\u00e2neos, enche a todos de esperan\u00e7a. Mas ser\u00e1 que ainda vamos de m\u00e3os dadas?<\/p>\n\n\n\n<p>Depois dos anos de ditadura, com a frente democr\u00e1tica fragmentada, cada um foi em busca das suas vertentes mais fi\u00e9is. O nascimento do Partido dos Trabahadores deu bem a medida disso. Na inf\u00e2ncia e come\u00e7o da adolesc\u00eancia, por exemplo, eu julgava que eu e meu pai compartilh\u00e1vamos os mesmos times, o Coritnhians e a oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 Arena, o partido dos golpistas. Chegada a democracia, s\u00f3 o Tim\u00e3o nos unia.<\/p>\n\n\n\n<p>E como ficaremos n\u00f3s durante a luta que antevemos? Como continuarmos de m\u00e3os dadas, agora que as escolhas mais relevantes come\u00e7am a se delinear? Enquanto eu, por meu lado, sei que n\u00e3o posso apoiar uma chapa com Alckmin (um sentimento de <em>d\u00e9j\u00e0 vu<\/em> assustador \u00e9 quase real demais no meu est\u00f4mago), j\u00e1 sinto o julgamento de companheiros que me veem como tra\u00eddora da causa.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o tenho respostas, tudo o que sinto \u00e9 um medo enorme de nos deixarmos levar por vit\u00f3rias fugidias, com vida ainda mais ef\u00eamera do que o pr\u00f3prio Saramago poderia supor. Longe de mim semear desuni\u00e3o. Busco exatamente o contr\u00e1rio, o que na minha vis\u00e3o n\u00e3o significa deixar de discutir nossas diferen\u00e7as, com respeito e responsabilidade. Mas que seja logo, o quanto antes. Afinal, como tamb\u00e9m apregoava Saramago: \u201cN\u00e3o tenhamos pressa, mas n\u00e3o percamos tempo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p>Selma Vital \u00e9 jornalista e professora. Fez parte do Coletivo Aurora, de Aarhus (Dinamarca) e agora \u00e9 membra independente da Fibra, morando na Carolina do Norte, EUA.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Acompanhe as letras de Selma:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Instagram: @selmadaclaraboia<\/p>\n\n\n\n<p>Site (@svital): <a href=\"https:\/\/linktr.ee\/svital\">Claraboia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Nota<\/strong>: Os textos, cita\u00e7\u00f5es, e opini\u00f5es s\u00e3o fornecidos como tal pela autora, sendo por tanto de sua exclusiva responsabilidade.<\/p>\n","protected":false,"gt_translate_keys":[{"key":"rendered","format":"html"}]},"excerpt":{"rendered":"<p>Publicado em 17\/11\/2021 Escrevo no dia em que se comemoram os 99 anos do nascimento de Jos\u00e9 Saramago. (16 de novembro). 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