{"id":7378,"date":"2021-11-17T23:26:00","date_gmt":"2021-11-17T22:26:00","guid":{"rendered":"http:\/\/fibrainternacional.org\/?p=7378"},"modified":"2021-12-09T21:09:20","modified_gmt":"2021-12-09T20:09:20","slug":"vamos-falar-de-privilegios-a-nova-primavera-da-militancia-no-exterior","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fibrainternacional.org\/?p=7378","title":{"rendered":"Vamos falar de Privil\u00e9gios? A Nova Primavera da milit\u00e2ncia no exterior.","gt_translate_keys":[{"key":"rendered","format":"text"}]},"content":{"rendered":"\n<p>Fl\u00e1vio Carvalho para a Fibra. <br>@1flaviocarvalho, soci\u00f3logo e escritor. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\">Barcelona, novembro de 2021.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\">Para Dai Sombra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap\">Este texto est\u00e1 extra\u00eddo do artigo dirigido \u00e0 Nova Primavera Internacional, do Partido dos Trabalhadores.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cErros s\u00f3 os novos; repetir os velhos n\u00e3o vale\u201d (Gilberto de Carvalho, na <a href=\"https:\/\/pt.org.br\/tag\/projeto-nova-primavera\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Nova Primavera<\/a>).<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignright size-medium\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"300\" height=\"300\" src=\"http:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Screenshot-2021-11-17-at-23.21.14-300x300.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-7379\" srcset=\"https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Screenshot-2021-11-17-at-23.21.14-300x300.png 300w, https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Screenshot-2021-11-17-at-23.21.14-100x100.png 100w, https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Screenshot-2021-11-17-at-23.21.14-600x599.png 600w, https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Screenshot-2021-11-17-at-23.21.14-1024x1024.png 1024w, https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Screenshot-2021-11-17-at-23.21.14-150x150.png 150w, https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Screenshot-2021-11-17-at-23.21.14-768x767.png 768w, https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Screenshot-2021-11-17-at-23.21.14-1536x1534.png 1536w, https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Screenshot-2021-11-17-at-23.21.14-1170x1169.png 1170w, https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Screenshot-2021-11-17-at-23.21.14.png 1594w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption>Protesto em Barcelona\/2021<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Perigos, os mais subjetivos. \u00c9 preciso estar atento e forte.<\/p>\n\n\n\n<p>Tanto Gramsci quanto Umberto Eco j\u00e1 alertaram que a exist\u00eancia do Fascismo n\u00e3o pressup\u00f5e, necessariamente, a exist\u00eancia ou inexist\u00eancia de um partido fascista. \u00c9 &#8211; tamb\u00e9m! &#8211; subjetivo.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, voc\u00ea pode at\u00e9 n\u00e3o gostar de sentir-se um privilegiado. Mas jamais poder\u00e1 negar o quanto o Privil\u00e9gio te beneficia (fazendo parte de um imenso e complexo sistema de seguir beneficiando somente quem ele, o tal Privil\u00e9gio quer) em detrimento de uma imensa maioria que, historicamente, se prejudica com ele. Beneficia fascista e antifascista. De forma diferente.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele, o danado do Privil\u00e9gio, se protege de si mesmo, escondendo-se dentro de voc\u00ea. E escondendo-se at\u00e9 de voc\u00ea mesmo. \u00c9 a forma que ele encontra para, escondido, sobreviver.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, como no exemplo do Corona-V\u00edrus, o Privil\u00e9gio est\u00e1 em toda a diversidade de indiv\u00edduos. O fascista adora que ele exista tamb\u00e9m no antifascista. Assim, ele \u201cse justifica\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Sabe aquilo de \u201cfoi-sem-querer-querendo\u201d? No fundo, voc\u00ea acaba gostando dos benef\u00edcios que o Privil\u00e9gio te traz, por mais que voc\u00ea o condene publicamente. E morre de medo de perd\u00ea-lo.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, vamos falar de milit\u00e2ncia brasileira no exterior. Paralelamente \u00e0 quest\u00e3o do Privil\u00e9gio.<\/p>\n\n\n\n<p>A milit\u00e2ncia no Brasil, felizmente, empodera. \u00c9 terap\u00eautica, para quem abra\u00e7a a oportunidade da participa\u00e7\u00e3o cidad\u00e3. Mas qual a rela\u00e7\u00e3o entre oportunidade e privil\u00e9gio? Haver\u00e1 contradi\u00e7\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p>No exterior, principalmente pra quem nunca sofreu discrimina\u00e7\u00e3o no Brasil \u2013 principalmente os Homens Brancos, como eu \u2013 d\u00f3i muito o sofrer preconceito pela primeira vez. Aquilo que para uma Mulher Negra, infelizmente, ela j\u00e1 sofre desde que era crian\u00e7a. &nbsp;E torna-se forte, ela, para n\u00e3o acostumar-se nunca. Porque \u00e9 sempre melhor n\u00e3o acostumar-se com a crueldade.<\/p>\n\n\n\n<p>Ser discriminado como imigrante na Europa (confundido com um \u00e1rabe?!) me fez questionar todas as vezes na minha vida que eu tenha sido ou n\u00e3o, preconceituoso no Brasil. Foi um momento v\u00e1lido por anos de forma\u00e7\u00e3o, aulas, academia, etc. Essa quest\u00e3o nos empodera mais ainda. O tapa na cara de sentir-se discriminado pela primeira vez nos fortalece. Mas at\u00e9 onde?<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 onde essa dor se transforma na dor coletiva, hist\u00f3rica, em que at\u00e9 mesmo j\u00e1 colaboramos?<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o h\u00e1 bem sem mal. Nem manique\u00edsmos. No hay mal que por el bien no venga. O perigo \u00e9 a soberba. A presun\u00e7\u00e3o, a pretens\u00e3o, o convencimento, presente em mim mesmo. A fala que supera a escuta. \u201cBrasileiro no exterior fala muito e escuta pouco\u201d, me disseram, ontem mesmo! Talvez por isso, eu gosto tanto de escrever. Escrever \u00e9 um falar e calar ao mesmo tempo. Convida sempre ao di\u00e1logo e \u00e0 interlocu\u00e7\u00e3o. Escrever \u00e9 mais que tudo refletir. \u00c9 pausa. Fundamental.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 sempre o risco de sermos inoculados pelo v\u00edrus (hist\u00f3rico, colonialista) do falar muito e escutar pouco. A proximidade com a heran\u00e7a (atual!) dos colonialistas, presente at\u00e9 mesmo nos nossos melhores amigos e vizinhos europeus, teria nos contaminado, nem que seja somente um pouquinho? Foram s\u00e9culos de hist\u00f3ria de achar que a mulher pobre, sertaneja, lutadora, sabe menos do que eu (homem branco de classe m\u00e9dia) que tive a oportunidade de migrar pra Europa? At\u00e9 onde voc\u00ea j\u00e1 se questionou sobre essas coisas? Qual a sua empatia?<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 hora de falar somente de coisas agrad\u00e1veis. Principalmente quando a fome da tal mulher, mencionada na frase anterior, \u00e9 uma realidade, hoje, ontem e amanh\u00e3.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu n\u00e3o. Eu j\u00e1 tomei um bom caf\u00e9-da-manh\u00e3. Logo almo\u00e7arei e jantarei bem. E voc\u00ea? Ela&#8230; n\u00e3o!<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 hora de ser mais freireano do que nunca. \u00c9 hora de falarmos fixamente olhando para o nosso espelho. Coer\u00eancia era algo sagrado para Paulo Freire. N\u00e3o maculemos isto que n\u00e3o \u00e9 somente um conceito. Ou \u00e9 pr\u00e1xis ou n\u00e3o \u00e9. N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil definir coer\u00eancia: \u00e9 fazer aquilo que se pensa.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, muito cuidado: o pensar pode ser diferente do sentir. E eu priorizo o sentimento.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o existe luta antifascista somente de fora pra dentro. O inimigo pode ser interno tamb\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p>Para os homens, que ainda est\u00e3o em maior ou menor processo de desconstru\u00e7\u00e3o de machismos dentro de si mesmo, o ponto anterior, o Poder (mais que o empoderamento) aumenta. \u00c9 o privil\u00e9gio. O assunto mais desagrad\u00e1vel do momento. Principalmente para a luta antifascista. At\u00e9 porque pra fascista, \u00e9 como se estiv\u00e9ssemos falando grego. Com esse, perda de tempo&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>E por isso mesmo \u00e9 o refletir sobre todas as merdas do privil\u00e9gio, o que mais vai nos transformar. Para melhor. Claro. Porque no Sert\u00e3o j\u00e1 se diz: quem cresce pra baixo \u00e9 rabo de cavalo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 hora n\u00e3o somente de inverter as pautas, como a gente sempre disse que ia fazer (e, de fato, eu creio que, Nesse Sentido, NUNCA fizemos). Sejamos sinceros: est\u00e1vamos nos auto enganando. N\u00e3o estou falando de inverter as pautas de prioridades da pol\u00edtica econ\u00f4mica de esquerda, pois essa sim, eu creio que o PT come\u00e7ou bem a fazer. Mas porque n\u00e3o foi suficiente? Eu sei que h\u00e1 outros diagn\u00f3sticos e infinitos condicionantes. Mas eu quero falar, TAMB\u00c9M, sobre ESSES condicionantes. \u00c9 hora de falar do que diz\u00edamos que n\u00e3o sab\u00edamos, mas que na verdade era aquilo que a gente \u2013 por algum motivo \u2013 n\u00e3o QUERIA falar.<\/p>\n\n\n\n<p>Quantas vezes, no meio de uma discuss\u00e3o, o interlocutor te dispara: \u201cvoc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 me entendendo?!\u201d. Entendi sim. Mas n\u00e3o concordo. O que \u00e9 bem diferente. E \u00e9 exatamente o que voc\u00ea, interlocutor, n\u00e3o quer escutar de mim. A disson\u00e2ncia \u00e9 possibilidade de (nos) reconstruir.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 hora de falar somente de compatibilidades, entre o classismo e o feminismo, entre o classismo e a luta antirracista, entre o classismo e as pautas ind\u00edgenas, entre as quest\u00f5es de classe e as quest\u00f5es LGBTQIA+. A compatibilidade existir\u00e1, quando as oportunidades tamb\u00e9m o forem. Mas n\u00e3o s\u00e3o. E de quem \u00e9 \u201ca culpa?\u201d. \u00c9 do Privil\u00e9gio. E o que \u00e9 o Privil\u00e9gio? Ele pode estar em Voc\u00ea! Bem escondidinho ou menos escondido. Mas pode estar. Lamentavelmente.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora \u00e9 hora de trazer tudo isso, tudo o que n\u00e3o foram as pautas tradicionais para a esquerda. Trazer estas Novas Velhas pautas Pra Frente De Tudo. Eu disse \u201cpra frente\u201d, e nem mais \u201cao lado\u201d! E se n\u00e3o o trouxemos at\u00e9 agora, eu n\u00e3o sou ningu\u00e9m para afirmar absolutamente nada. Quem sou eu? Eu s\u00f3 quero somar-me \u00e0s perguntas mais inc\u00f4modas. S\u00e3o elas que nos far\u00e3o avan\u00e7ar. Esta \u00e9, para mim, sim, uma excelente oportunidade. E a boa not\u00edcia \u00e9 que \u2013 olhe, com sinceridade e sem hipocrisia ao seu redor \u2013 estas inc\u00f4modas quest\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o somente minhas.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, Fl\u00e1vio, n\u00f3s j\u00e1 temos tanto problema l\u00e1 na rua, contra os fascistas!<\/p>\n\n\n\n<p>Sim. Mas \u00e9 compat\u00edvel. Lembra&#8230;? Coer\u00eancia. Que o centen\u00e1rio de Paulo Freire nos sirva&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Para os n\u00e3o negros e n\u00e3o ind\u00edgenas e n\u00e3o integrantes da comunidade LGBTQIA+, temos que assumir de cara o desafio de falar dos Privil\u00e9gios. N\u00e3o se muda o que n\u00e3o se admite. E as ruas do Brasil (mais da metade da popula\u00e7\u00e3o no Brasil, faz parte das comunidades que a maioria da Emigra\u00e7\u00e3o Brasileira N\u00c3O representa) est\u00e3o demonstrando o caminho, e os erros est\u00e3o sendo jogados na nossa cara. S\u00f3 n\u00e3o v\u00ea quem n\u00e3o quer, por causa do v\u00e9u do Privil\u00e9gio, poderos\u00edssimo.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele, o Privil\u00e9gio, operou subjetivamente, de forma sorrateira. Eu tenho certeza que voc\u00ea, algu\u00e9m, n\u00e3o gostar\u00e1 nada de escutar falar sobre isso. D\u00f3i sim, eu sei. Em mim tamb\u00e9m doeu. Doer em mim me fez bem, enfim. Cura melhor o rem\u00e9dio que arde (lembro sempre minha av\u00f3).<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 ainda uma quest\u00e3o geracional. Os que fomos militantes no Brasil, antes de migrar (principalmente os dos cabelos brancos ou pintados), nos alimentamos, subjetivamente, positivamente, tamb\u00e9m da milit\u00e2ncia. N\u00f3s gostamos e nos beneficiamos desse gostar, por mais que a gente diga que est\u00e1 cansado e que n\u00e3o tem tempo e fique se martirizando e chorando nossos problemas (que, sim, existem). A gente n\u00e3o sai dizendo pela rua o quanto a milit\u00e2ncia tem nos ajudado a superar, ou contornar (ou pior, esconder) os nossos problemas pessoais. O n\u00e3o cuidarmos de n\u00f3s mesmos com a desculpa (pra gente mesmo) que estamos nos entregando a cuidar \u201cdo outro\u201d. N\u00e3o se cuida do outro sem cuidar de si mesmo. Faz anos que j\u00e1 sabemos disso. A filosofia j\u00e1 jogou na nossa cara, anos e anos atr\u00e1s. Mas n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil admitir coisa assim.<\/p>\n\n\n\n<p>Temos que assumir esse sentimento: a milit\u00e2ncia nos fez bem, nos faz bem e, portanto, nos empodera, nos d\u00e1 um \u201ccerto poder\u201d. E nisso tudo, o Privil\u00e9gio opera e joga um papel impercept\u00edvel para muitos. Participa da reuni\u00e3o nos dias de semana, tem dinheiro pra viajar pra encontros, teu aluguel t\u00e1 pago? N\u00e3o se martirize: felicidades! Mas, pelo menos assuma que, nesta crise financeira intermin\u00e1vel, esta n\u00e3o \u00e9 a realidade da maioria. A Maioria Merece Mais.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, Fl\u00e1vio, e agora eu devo entristecer, me retirar, me deprimir, me culpabilizar por isso?<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 disso que se trata. A Nova Primavera s\u00f3 est\u00e1 te pedindo o m\u00ednimo (que te fortalecer\u00e1 para seguir sendo Mais e Melhor): que voc\u00ea reconhe\u00e7a, admita e siga em frente. E se voc\u00ea considera m\u00ednima a base do Teu Privil\u00e9gio, jamais esque\u00e7a que ela estrutura a imensa maioria das desigualdades e injusti\u00e7as sociais que o mundo atravessa. A raiz \u00e9 a mesma, infelizmente.<\/p>\n\n\n\n<p>A piadinha machista e a ex-esposa assassinada est\u00e3o muito mais relacionadas ao teu privil\u00e9gio patriarcal do que voc\u00ea imagina. N\u00e3o se trata de Culpa e sim de Responsabilidade. N\u00e3o do que voc\u00ea \u00e9 ou deixa de ser, mas do que voc\u00ea faz ou far\u00e1 (Des-Condicionando do passado ou n\u00e3o).<\/p>\n\n\n\n<p>Nos ajuda esse processo de Re-Conhecimento. Porque, no fundo, voc\u00ea j\u00e1 sabe. Isso n\u00e3o \u00e9 ruim. Nada \u00e9 bom ou ruim na vida, definitivamente; o importante \u00e9 o que a gente faz ou deixa de fazer com essas coisas. O mar t\u00e1 bravo? Navegar \u00e9 preciso.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, devemos permitir que fale mais, sem condicionantes, principalmente os mais jovens, que deveriam ser \u2013 coerentemente! \u2013 o motor das Novas Primaveras. Assumir isso pode doer tamb\u00e9m nas pessoas que sentem que dedicaram toda a sua vida por estas lutas.<\/p>\n\n\n\n<p>Sabia que aquelas pessoas que t\u00eam filhos e conflitos intergeracionais dentro de casa, seriam aquelas com maior propens\u00e3o a reconhecer os pr\u00f3prios conflitos internos (que s\u00e3o filhos sen\u00e3o nossas contradi\u00e7\u00f5es lan\u00e7adas na nossa cara, como um maravilhoso espelho?)?<\/p>\n\n\n\n<p>E, nesse sentido, qualquer rec\u00e9m chegado a Barcelona, n\u00e3o merece a minha arrog\u00e2ncia de dizer-lhe que cale e escute os Meus Conselhos, \u201cdo alto dos meus 15 anos de j\u00e1 morar aqui\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A novidade da sua chegada (claro que primeiro se abrindo a reconhecer o territ\u00f3rio onde pisa) pode ser uma luz a desvendar minhas melhores convic\u00e7\u00f5es. Estar convicto pode ser (ou n\u00e3o) um dos piores erros que podemos cometer. Este texto trata de possibilidades. E n\u00e3o de convic\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Tem mais. A dist\u00e2ncia e o passar do tempo proporcionam um paradoxo: uma fala do exterior, pelo car\u00e1ter colonialista na hist\u00f3ria do Brasil, passa na frente de 300 falas de militante de movimento social brasileiro. Aprendi isso na FIBRA, aqui no exterior, quando mandei uma foto de um jornalzinho catal\u00e3o sobre uma manifesta\u00e7\u00e3o antibolsonarista e uma importante editora a publicou, passando na frente de todas as fotos de todas as imensas passeatas no Brasil. E n\u00e3o \u00e9 que a foto fosse melhor que nenhuma. Eu fui fot\u00f3grafo profissional, no Brasil, durante alguns anos e sei um pouco do que eu falo. E n\u00e3o \u00e9 disso que se trata. \u00c9 o tal complexo de vira-lata, operando, como tudo nesse texto, da forma mais subjetiva. Outra vez: Meu Privil\u00e9gio de morar fora, na Europa, operando sorrateiramente no imagin\u00e1rio da minha querida editora. Na Muribeca, periferia do Recife, Jones Manuel leu muito mais livros do que eu. Entendeu?<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 hora de transformar qualquer inc\u00f4modo em oportunidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Aproveitar n\u00e3o \u00e9 somente tirar proveito. \u00c9 usar o privil\u00e9gio, por exemplo, contra ele mesmo. Mas com MUITO cuidado para novamente n\u00e3o se auto enganar. O que seria facil\u00edssimo.<\/p>\n\n\n\n<p>O Paradoxo da Ilha, de Saramago, \u00e9 uma das maiores virtudes da milit\u00e2ncia no exterior: quanto mais nos distanciamos da ilha, mais a reconhecemos, e a desvendamos, dizia o grande escritor. Com uma perspectiva nem melhor nem pior, mas muito necess\u00e1ria \u2013 o ver a ilha de forma \u201csimplesmente diferente\u201d de quem segue nela.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;\u201cRenovar os m\u00e9todos, as t\u00e9cnicas e as estruturas\u201d. Est\u00e1 no pr\u00f3prio documento-base da Nova Primavera do PT, que eu li com aten\u00e7\u00e3o, carinho e respeito. E por isso o felicito. Muito.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA proposta \u00e9 criar um processo de massa, para um partido de massa\u201d. Quem \u00e9 a massa brasileira? Qual \u00e9 o diagn\u00f3stico? Quem \u00e9 hoje o movimento social brasileiro? Quem \u00e9 a famosa maioria? Freire novamente. Uma boa pergunta pode valer mais que mil respostas.<\/p>\n\n\n\n<p>Segue o texto-base&#8230; \u201cMais que a disputa institucional partid\u00e1ria, reconectar de forma definitiva com os movimentos sociais brasileiros&#8230; Ler a realidade e pensar a sua transforma\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A oportunidade \u00e9 realmente maravilhosa, apesar dos pesares.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;\u201cReflex\u00f5es permanentes sobre a pr\u00e1tica pol\u00edtica\u201d, nos exige o documento-base da Nova Primavera.<\/p>\n\n\n\n<p>Pedagogia da Pergunta, freireana, n\u00e3o somente gritando da porta de casa pra fora. \u00c9 hora de esperan\u00e7ar achando que a melhor petista \u00e9 aquela que AINDA nem assim, petista, se considera.<\/p>\n\n\n\n<p>Sem deixar de insistir na frase do in\u00edcio do texto: \u00e9 preciso estar atento e forte.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;O \u00fanico risco? O medo.<\/p>\n\n\n\n<p>Medo de quem fala o que a gente n\u00e3o quer ouvir. Medo dessas pessoas que subjetivam tanto a pol\u00edtica, deixando de lado todos os falsos racionalismos. Medo dessa gente que fala muito em sentimentos. Como se fosse uma estrat\u00e9gia meramente individualista, psicologista, o que n\u00e3o tem nada a ver. Aprendi, na sociologia, a refletir sobre o indiv\u00edduo coletivo. Me importa!<\/p>\n\n\n\n<p>Felizmente, temos ant\u00eddoto. Nenhum partido no Brasil, criou jamais um pequenino slogan que resume e que seria capaz de fechar (ou de abrir todo esse texto). Tem frases que resumem o mundo. A minha \u00e9 uma: Sem Medo de Ser Feliz.<\/p>\n\n\n\n<p>Agrade\u00e7o \u00e0 Maria do Ros\u00e1rio, Vivian Farias, Ta\u00eds Maciel, Gilberto de Carvalho, cujos nomes aparecem no texto-base. E a todas as pessoas que colaboraram. Com sincero orgulho e prazer.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cGanhar pra qu\u00ea? Pra fazer mais e melhor\u201d (Gilberto de Carvalho, referindo-se ao Lula, em palestra para catadores de lixo em S\u00e3o Paulo, ao dizer, Lula, que o seu Principal arrependimento \u00e9 n\u00e3o ter feito mais pelos exclu\u00eddos e pobres). Demos nomes e sobrenomes a esses exclu\u00eddos e pobres, entre os mais pobres. \u00c9 mulher. \u00c9 negra. \u00c9 perif\u00e9rica. \u00c9 LGBTQIA+. \u00c9 \u00cdndia. \u00c9 quilombola&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 isso, para mim, o que mais importa agora. E sempre, de hoje em diante, por favor.<\/p>\n\n\n\n<p>Aquele abra\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Nota<\/strong>: Os textos, cita\u00e7\u00f5es, e opini\u00f5es s\u00e3o fornecidos como tal pelo autor, sendo, por tanto, de sua exclusiva responsabilidade.<\/p>\n","protected":false,"gt_translate_keys":[{"key":"rendered","format":"html"}]},"excerpt":{"rendered":"<p>Fl\u00e1vio Carvalho para a Fibra. @1flaviocarvalho, soci\u00f3logo e escritor. Barcelona, novembro de 2021. 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