{"id":7890,"date":"2022-01-04T16:17:39","date_gmt":"2022-01-04T15:17:39","guid":{"rendered":"http:\/\/fibrainternacional.org\/?p=7890"},"modified":"2026-02-17T17:48:12","modified_gmt":"2026-02-17T16:48:12","slug":"meritocracia-identitarismo-e-frustracao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fibrainternacional.org\/?p=7890","title":{"rendered":"Meritocracia, identitarismo e frustra\u00e7\u00e3o","gt_translate_keys":[{"key":"rendered","format":"text"}]},"content":{"rendered":"\n<p><strong>&nbsp;Por Ermeson Vieira<\/strong><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignleft size-full is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/9912a154-1ab5-473b-b5c5-5da11e91c672.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7902\" width=\"470\" height=\"353\" srcset=\"https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/9912a154-1ab5-473b-b5c5-5da11e91c672.jpeg 1024w, https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/9912a154-1ab5-473b-b5c5-5da11e91c672-600x450.jpeg 600w, https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/9912a154-1ab5-473b-b5c5-5da11e91c672-300x225.jpeg 300w, https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/9912a154-1ab5-473b-b5c5-5da11e91c672-768x576.jpeg 768w\" sizes=\"(max-width: 470px) 100vw, 470px\" \/><figcaption>Bruxelas 2021<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap\">Recentemente fui convidado a participar de um grupo. Como todo mundo sabe, tudo agora consiste em participar tamb\u00e9m de um grupo de WhatsApp. Pois bem, entrei ao grupo e como n\u00e3o fui o \u00fanico algu\u00e9m prop\u00f4s que fiz\u00e9ssemos uma apresenta\u00e7\u00e3o. Eu fui o primeiro a me apresentar. Logo depois algu\u00e9m pediu para nos identificarmos com \u201co seguimento identit\u00e1rio pessoal (tipo: sou ind\u00edgena, quilombola, gay, etc &#8230;), ou a entidade da sociedade civil organizada da qual cada um fizesse parte, j\u00e1 que \u201ca meritocracia\u201d supostamente \u201cal\u00e9m de contribuir para segregar pessoas, fragiliza (<em>ria) <\/em>causas\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Esse coment\u00e1rio me deixou muito incomodado e at\u00e9 do\u00eddo pois o vi como uma indireta. Deu-me a impress\u00e3o que essa pessoa n\u00e3o compreende nem a quest\u00e3o da meritocracia, nem a quest\u00e3o do identitarismo e ao fazer tal coment\u00e1rio comete grande injusti\u00e7a e desrespeita a hist\u00f3ria e o esfor\u00e7o de outras pessoas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Quantas vezes nos emocionamos com os casos de alunos pobres que atrav\u00e9s das iniciativas dos governos de Dilma e Lula conseguiram entrar numa universidade p\u00fablica e se formar? Por que ent\u00e3o n\u00e3o achamos que isso \u00e9 meritocracia? Ou melhor, por que s\u00f3 achamos que \u00e9 meritocracia quando uma pessoa como eu, branco de classe m\u00e9dia se forma? Por que as pessoas n\u00e3o perguntam antes o que cada um passou para conseguir o que conseguiu lograr? Por que se toma automaticamente como negativo os estudos superiores e ainda mais no estrangeiro?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Outro epis\u00f3dio tamb\u00e9m me fez refletir muito sobre a chamada meritocracia e sobre o que as pessoas realmente est\u00e3o buscando. Este ano saiu uma oferta de trabalho na minha \u00e1rea (comunica\u00e7\u00e3o e v\u00eddeo), em Bruxelas, de um movimento bem conhecido no Brasil, o qual inclusive que recebeu incentivo do Minist\u00e9rio da Cultura no Governo de Lula. A vaga tinha absolutamente tudo a ver com meu perfil. Parecia que havia sido feita para mim. Precisava ter de experi\u00eancia em m\u00eddias sociais, escrever, falar em p\u00fablico, editar v\u00eddeos etc&#8230; Para resumir, eles n\u00e3o me convidaram sequer para uma entrevista. A vaga ficou para uma pessoa sem experi\u00eancia em muitos desses campos. Quando fiquei sabendo da decis\u00e3o, me perguntei o que eles realmente estavam procurando e cheguei \u00e0 conclus\u00e3o que eles supostamente s\u00f3 queriam uma pessoa com la\u00e7os com a comunidade brasileira na B\u00e9lgica. Que valor se deu ao saber, nessa hist\u00f3ria? Que import\u00e2ncia se deu aos anos e \u00e0 dedica\u00e7\u00e3o ao campo de estudoexplorado pela pessoa? O que h\u00e1 da experi\u00eancia da pessoa? N\u00e3o h\u00e1 nada.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em outro caso estive trabalhando como volunt\u00e1rio para um festival de cinema em Bruxelas, dentro da comunica\u00e7\u00e3o. Fui assistir \u00e0 primeira sess\u00e3o de um filme e, para minha surpresa, descobri que, para o debate que aconteceu depois da sess\u00e3o, foi convidado uma pessoa sem nenhum conhecimento te\u00f3rico ou pr\u00e1tico no ramo do cinema ou mesmo pol\u00edtico. A pessoa em quest\u00e3o era um blogueiro, que dizia que seu site tinha a visita de 20 mil pessoas por m\u00eas. E a\u00ed foi que eu entendi o que realmente importava, e importa, para uma parte da esquerda hoje em dia: a chance de atrair audi\u00eancia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Si eu fosse um gay, ou uma mulher negra e pobre, que tivesse conseguido estudar fora, isso n\u00e3o seria tomado como meritocracia. Isso seria considerada \u201cuma vit\u00f3ria contra o sistema\u201d. Seria eu ent\u00e3o um grande her\u00f3i e her\u00f3is chamam aten\u00e7\u00e3o. Her\u00f3is e m\u00e1rtires n\u00e3o se regem s\u00f3 por m\u00e9ritos mas tamb\u00e9m pela mitifica\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Pois bem, para os que gostam de her\u00f3is, m\u00e1rtires e mitos, e acham mais importante a identifica\u00e7\u00e3o de cada um, do que aquilo que ela pode acrescentar \u00e0 luta atrav\u00e9s dos conhecimentos sistematizados e acumulados atrav\u00e9s da pesquisa e da experimenta\u00e7\u00e3o acad\u00eamica, eu quero contar em grandes tra\u00e7os como cheguei a possuir meus tr\u00eas diplomas e ser considerado classe m\u00e9dia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Sou o filho mais novo de uma fam\u00edlia de oito filhos. Nasci em Quixeramobim, no sert\u00e3o central do Cear\u00e1. Meu pai teve que mentir sua pr\u00f3pria data de nascimento para entrar na REFESA, onde trabalhou por mais de dez anos como foguista passando longu\u00edssimas horas colocando carv\u00e3o na fornalha do trem at\u00e9 se tornar maquinista. \u00c0 minha m\u00e3e n\u00e3o lhe restou outra chance a n\u00e3o ser tornar-se dona de casa e cuidadora de oito crian\u00e7as.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Passei parte da minha inf\u00e2ncia em Quixeramobim. Meu primeiro contato com a educa\u00e7\u00e3o foi marcado pela palmat\u00f3ria de uma senhora negra que morava na minha rua. Meus pais incentivavam a mulher a me bater com aquilo que parecia uma colher de pau, mas sem a concavidade t\u00edpica desse instrumento que serve a uma t\u00e3o nobre e necess\u00e1ria atividade da vida humana: comer! Aquele instrumento eu nunca esqueci.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"765\" height=\"800\" data-id=\"7899\" src=\"http:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/1247151854361.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7899\" srcset=\"https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/1247151854361.jpg 765w, https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/1247151854361-600x627.jpg 600w, https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/1247151854361-287x300.jpg 287w\" sizes=\"(max-width: 765px) 100vw, 765px\" \/><figcaption>Quixeramobim<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"517\" height=\"800\" data-id=\"7898\" src=\"http:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/1247151847516.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7898\" srcset=\"https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/1247151847516.jpg 517w, https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/1247151847516-194x300.jpg 194w\" sizes=\"(max-width: 517px) 100vw, 517px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"669\" height=\"694\" data-id=\"7897\" src=\"http:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/1247151860473.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7897\" srcset=\"https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/1247151860473.jpg 669w, https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/1247151860473-600x622.jpg 600w, https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/1247151860473-289x300.jpg 289w\" sizes=\"(max-width: 669px) 100vw, 669px\" \/><figcaption>Fortaleza<\/figcaption><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<p>Em Fortaleza, anos depois, minha educa\u00e7\u00e3o foi um pouco menos traum\u00e1tica, mas n\u00e3o sem traumas. J\u00e1 na alfabetiza\u00e7\u00e3o fui reprovado por n\u00e3o saber a letra H na prova final, coisa que hoje em dia, imagino que seja ilegal. Na oitava s\u00e9rie tive que suportar os socos e os pontap\u00e9s de alguns companheiros de sala de aula por ser gay. Por\u00e9m o que mais doeu n\u00e3o foram os socos, mas a impossibilidade de me queixar do ocorrido a algu\u00e9m, principalmente a meus pais que mais uma vez eram contra a minha identidade. Tive que chegar a casa e fingir que nada tinha acontecido. Tamb\u00e9m preciso dizer, que durante toda minha adolesc\u00eancia tive que reprimir meu desejo e afetividade, j\u00e1 que os insultos, que eram t\u00e3o comuns, poderiam se transformar em agress\u00f5es como essa que os narrei.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O segundo grau foi mais calmo, mas de todas as maneiras n\u00e3o foi menos f\u00e1cil. Nessa \u00e9poca, eu encontrei o movimento estudantil e me dediquei a fazer oposi\u00e7\u00e3o ao gr\u00eamio da escola. Certa vez, fizemos um jogral durante um fim de semana. Na segunda-feira ele foi rasgado pelo diretor da escola na frente de todos os alunos. As aulas de filosofia eram cheias de discuss\u00f5es com o professor, que queria que decor\u00e1ssemos os nomes e as hist\u00f3rias dos fil\u00f3sofos para passar de ano, mas n\u00e3o incentivava nenhum senso cr\u00edtico nos alunos. Minha \u201csalva\u00e7\u00e3o\u201d filos\u00f3fica veio do CAEP (Centro de Atividades e Estudos Pol\u00edticos), um centro liderado por um ex-guerrilheiro e exilado cearence, o Gilvan Rocha &#8211; a quem sou muito agradecido, ainda que ele mesmo n\u00e3o tenha sido capaz de suportar a capitula\u00e7\u00e3o de parte da esquerda e as frustra\u00e7\u00f5es pessoais suicidando-se.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o consegui terminar a escola secund\u00e1ria no Brasil, j\u00e1 que aquele lugar parecia um lugar hostil para mim e o movimento estudantil demandava muita aten\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Aos vinte e quatro anos me mudei para a Espanha por conta de uma rela\u00e7\u00e3o afetiva com um espanhol. N\u00e3o foi f\u00e1cil. Eu n\u00e3o tinha permiss\u00e3o para trabalhar, s\u00f3 podia residir. Foram quatro anos de depend\u00eancia. Quando a rela\u00e7\u00e3o acabou, eu ainda estava esperando a permiss\u00e3o de trabalho, conquistada com a regulariza\u00e7\u00e3o. Morei primeiramente com amigos, por quem fui depois recha\u00e7ado. Mais tarde morei na casa de uma amiga que havia se mudado para Portugal com o marido. Sozinho, tive que me virar com o dinheirinho que ganhava fazendo uma limpeza por semana. Sobrevivi comendo macarr\u00e3o e salsichas Frankfurt enquanto estudava para ser cabeleireiro.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-2 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" data-id=\"7900\" src=\"http:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/325510_10150397774527160_185742822_o-1024x768.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7900\" srcset=\"https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/325510_10150397774527160_185742822_o-1024x768.jpeg 1024w, https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/325510_10150397774527160_185742822_o-600x450.jpeg 600w, https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/325510_10150397774527160_185742822_o-300x225.jpeg 300w, https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/325510_10150397774527160_185742822_o-768x576.jpeg 768w, https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/325510_10150397774527160_185742822_o-1536x1152.jpeg 1536w, https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/325510_10150397774527160_185742822_o-1170x878.jpeg 1170w, https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/325510_10150397774527160_185742822_o.jpeg 1600w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" data-id=\"7901\" src=\"http:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/329064_10150397771912160_690723915_o-1024x768.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7901\" srcset=\"https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/329064_10150397771912160_690723915_o-1024x768.jpeg 1024w, https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/329064_10150397771912160_690723915_o-600x450.jpeg 600w, https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/329064_10150397771912160_690723915_o-300x225.jpeg 300w, https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/329064_10150397771912160_690723915_o-768x576.jpeg 768w, https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/329064_10150397771912160_690723915_o-1536x1152.jpeg 1536w, https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/329064_10150397771912160_690723915_o-1170x878.jpeg 1170w, https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/329064_10150397771912160_690723915_o.jpeg 2048w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<p>Quando finalmente a permiss\u00e3o de trabalho saiu voltei para Madri onde vivia, e ali, morei num abrigo para pessoas sem teto por 20 dias j\u00e1 que rapidamente consegui um meu primeiro trabalho e pude alugar um quarto. Mudei-me dali, ap\u00f3s depois de uns meses de trabalho, para estar mais perto da escola de cabeleireiro, pois tinha que continuar o curso que era de dois anos. Estudava pela manh\u00e3 at\u00e9 \u00e0s 13h, depois trabalhava at\u00e9 \u00e0s 21h. No s\u00e1bado trabalhava o dia todo. As gorjetas que as clientes deixavam numa caixinha com os nomes dos empregados eram roubadas pela filha do dono do sal\u00e3o que era a caixa do local.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Busquei outro trabalho num restaurante de comida r\u00e1pida consegui terminar os estudos. Depois consegui trabalho num sal\u00e3o chique, segui como ajudante, lavando cabe\u00e7as e ajudando a fazer colora\u00e7\u00e3o o dia todo. O m\u00eas de dezembro t\u00ednhamos que trabalhar todos os fins de semana.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Eu sentia que s\u00f3 trabalhava e o dinheiro n\u00e3o dava com na can\u00e7\u00e3o do Legi\u00e3o Urbana. Tentava melhorar meu ingl\u00eas com cursinhos subvencionados pela Uni\u00e3o Europeia e buscava incessantemente outro trabalho. Finalmente consegui um trabalho melhor, no setor do turismo, reservando leitos de hot\u00e9is para agencias de turismo portuguesas. <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-3 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" data-id=\"7891\" src=\"http:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/291145_10150397811492160_824651282_o-1024x768.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7891\" srcset=\"https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/291145_10150397811492160_824651282_o-1024x768.jpeg 1024w, https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/291145_10150397811492160_824651282_o-600x450.jpeg 600w, https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/291145_10150397811492160_824651282_o-300x225.jpeg 300w, https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/291145_10150397811492160_824651282_o-768x576.jpeg 768w, https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/291145_10150397811492160_824651282_o-1536x1152.jpeg 1536w, https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/291145_10150397811492160_824651282_o-1170x878.jpeg 1170w, https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/291145_10150397811492160_824651282_o.jpeg 1600w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Madri 2004<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"600\" data-id=\"7896\" src=\"http:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/1238923657894.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7896\" srcset=\"https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/1238923657894.jpg 800w, https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/1238923657894-600x450.jpg 600w, https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/1238923657894-300x225.jpg 300w, https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/1238923657894-768x576.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption>Fitur 2005<\/figcaption><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<p>Queria melhorar minha posi\u00e7\u00e3o na empresa mas meu ingl\u00eas n\u00e3o era suficiente para trabalhar em outro departamento, assim que quando foi o momento de renovar ou encerrar meu contrato decidi encerr\u00e1-lo e me mudar para a Inglaterra.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse momento eu j\u00e1 contava com meu passaporte espanhol e podia trabalhar no Reino Unido. Ali passei, digamos a \u201cchuva\u201d da crise mundial do capitalismo de 2008. Vivi v\u00e1rios meses do meu seguro desemprego da Espanha e das minhas economias. Tive que pagar a agencias para conseguir um trabalho. Trabalhei inicialmente de limpeza, me levantado de madrugada; depois ia para um restaurante. Trabalhava o dia todo. At\u00e9 que n\u00e3o aguentei mais e por sorte consegui um trabalho numa agencia de envio de dinheiro. Foi ai que eu me dei contar que como era morar num pa\u00eds onde voc\u00ea realmente \u00e9 estrangeiro e a \u00fanica sa\u00edda era ter estudos nesse pa\u00eds. Nada do que eu tinha feito antes valia de alguma coisa em Londres.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"600\" src=\"http:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/527391_10150852383597160_1008669294_n.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7892\" srcset=\"https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/527391_10150852383597160_1008669294_n.jpeg 800w, https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/527391_10150852383597160_1008669294_n-600x450.jpeg 600w, https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/527391_10150852383597160_1008669294_n-300x225.jpeg 300w, https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/527391_10150852383597160_1008669294_n-768x576.jpeg 768w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption>Londres 2006<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignright size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/384270_10150475110762160_542276176_n-1.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7893\" width=\"285\" height=\"427\" srcset=\"https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/384270_10150475110762160_542276176_n-1.jpeg 641w, https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/384270_10150475110762160_542276176_n-1-600x899.jpeg 600w, https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/384270_10150475110762160_542276176_n-1-200x300.jpeg 200w\" sizes=\"(max-width: 285px) 100vw, 285px\" \/><figcaption>Formatura em Londres 2011<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>A empresa onde eu trabalhava fechou e eu perdi o emprego. Ent\u00e3o eu consegui um emprego de limpeza num minist\u00e9rio. Decidi fazer um curso de acesso \u00e0 universidade em Document\u00e1rio enquanto trabalhava de \u201ccleaner\u201d (faxineiro) pela noite. Depois do curso entrei para uma universidade no leste de Londres onde aceitam muitos imigrantes. Devido a j\u00e1 ser europeu n\u00e3o tive que pagar enquanto estava estudando. At\u00e9 pude receber algum dinheiro para ajudar nas despesas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Foi nesse momento que conheci meu marido. Mas quando eu terminei o que eu queria era voltar para o Brasil j\u00e1 que era a era dos governos do PT. A imagem do Brasil estava bombando e eu queria fazer cinema na minha terra, finalmente. Mas ainda que tenha ido morar em S\u00e3o Paulo, eu j\u00e1 tinha uma rela\u00e7\u00e3o e foi essa rela\u00e7\u00e3o que me trouxe de volta. Desta vez, n\u00e3o a Londres, mas a Bruxelas, capital da Uni\u00e3o Europeia. Aqui eu tive que aprender (e ainda estou aprendendo de certa maneira) outra l\u00edngua, o franc\u00eas. <\/p>\n\n\n\n<p>Depois de 2 anos decidi junto com meu marido que eu iria fazer um mestrado em cinema na Holanda. Tal mestrado n\u00e3o me ajudou em nada na minha volta a Bruxelas pois para meu espanto, a B\u00e9lgica n\u00e3o reconhece esses estudos e n\u00e3o consegui arranjar nenhum trabalho na \u00e1rea. Diante da frustra\u00e7\u00e3o decidi fazer outro mestrado, mas agora em outra \u00e1rea, n\u00e3o muito distante por\u00e9m mais necess\u00e1ria no mundo que vivemos: a Comunica\u00e7\u00e3o e a Educa\u00e7\u00e3o na internet. Foram dois anos cursando estes estudo numa universidade espanhola \u00e0 dist\u00e2ncia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignleft size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/IMG_5974-1024x768.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7903\" width=\"380\" height=\"286\" srcset=\"https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/IMG_5974-1024x768.jpeg 1024w, https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/IMG_5974-scaled-600x450.jpeg 600w, https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/IMG_5974-300x225.jpeg 300w, https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/IMG_5974-768x576.jpeg 768w, https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/IMG_5974-1536x1152.jpeg 1536w, https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/IMG_5974-2048x1536.jpeg 2048w, https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/IMG_5974-1170x878.jpeg 1170w\" sizes=\"(max-width: 380px) 100vw, 380px\" \/><figcaption>Bruxelas 2021 &#8211;<br> Mestrado em Comunica\u00e7\u00e3o e Educa\u00e7\u00e3o na Internet<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Acho bastante equivocado uma pessoa querer dizer que estes estudos n\u00e3o fazem parte da minha identidade. \u00c9 at\u00e9 autorit\u00e1rio querer dizer o que tem e o que n\u00e3o tem que fazer parte do que eu sou, ou de como eu me sinto.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A identidade \u00e9 uma coisa muito complexa. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 como as pessoas nos veem, mas tamb\u00e9m como eu me sinto e vice-versa. N\u00f3s precisamos realmente entender a quest\u00e3o da identidade, j\u00e1 que as identidades n\u00e3o s\u00e3o por si s\u00f3 boas ou m\u00e1s. Vale lembrar que hoje o grupo de extrema direita no Parlamento Europeu se chama Identidade e Democracia. Muitas vezes a identidade \u00e9 reclamada como projeto conservador, por exemplo atrav\u00e9s do conceito de \u201cEnglishness\u201d na Inglaterra, ou da identidade francesa na Fran\u00e7a, pa\u00edses que t\u00eam uma forte presen\u00e7a de imigrantes. Estes conceitos s\u00e3o usados para criar uma alteridade, uma distin\u00e7\u00e3o uma separa\u00e7\u00e3o com o outro.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A exist\u00eancia das diferentes identidades \u00e9 um fen\u00f4meno eminentemente moderno, o que por um lado \u00e9 bastante positivo pois se op\u00f5e \u00e0 homogeneiza\u00e7\u00e3o fascista (vejam que o fascismo pretende eliminar as diferen\u00e7as e impor um regime sem fissuras); por outro \u00e9 incentivado pelo poder de sedu\u00e7\u00e3o do capitalismo j\u00e1 que a produ\u00e7\u00e3o de identidades, muitas vezes flutuantes, n\u00e3o produz necessariamente sujeitos, mas consumidores especializados.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Infelizmente, n\u00e3o se encontra lugar dentro do espectro da esquerda hoje em dia para se aprofundar nos assuntos. O <em>homo faber ( <\/em>o homem que faz) e o <em>homo communicans <\/em>(o homem que compartilha), predomina sobre o<em> Homo sapiens, <\/em>j\u00e1 estes n\u00e3o est\u00e3o muitos preocupados com o saber, com a ci\u00eancia. Ele desconfia da ci\u00eancia e a acusa de separar os homens. Os <em>Homo fabers e Comminicans <\/em>da esquerda se esquecem que os grandes fundadores da esquerda moderna eram por um lado um te\u00f3rico da ci\u00eancia pol\u00edtica, econ\u00f4mica e filos\u00f3fica (Karl Marx) e um burgu\u00eas (Friedrich Engels). Dois homens europeus e brancos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Meritocracia \u00e9 uma palavra problem\u00e1tica j\u00e1 que pode levar as pessoas dadas ao pensamento r\u00e1pido (o pensamento n\u00e3o profundo) a imaginar que o problema est\u00e1 nos m\u00e9ritos em si, por\u00e9m o problema da meritocracia n\u00e3o os m\u00e9ritos, mas no discurso que esconde as estruturas de desigualdade que mitigam as oportunidades dos indiv\u00edduos de conseguirem seus m\u00e9ritos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Quando o filho de um diretor de uma grande empresa diz que entrou nessa empresa por seus m\u00e9ritos, possivelmente isso seja uma mentira para justificar sua posi\u00e7\u00e3o. Mas quando uma sociedade d\u00e1 as oportunidades aos indiv\u00edduos de conseguir lograr aquilo que anseiam isso n\u00e3o \u00e9 meritocracia, mas justi\u00e7a social.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Espero um dia se visto como algu\u00e9m que tem algo a aportar ao crescimento da sociedade e n\u00e3o somente algu\u00e9m que tem estudos, ou que pode ajudar a eleger um candidato ou aumentar a popularidade de um projeto, mas que n\u00e3o acrescenta conte\u00fado \u00e0s discuss\u00f5es ou ajuda a dissipar as trevas da ignor\u00e2ncia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-vimeo wp-block-embed-vimeo\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe title=\"Train Driver\" src=\"https:\/\/player.vimeo.com\/video\/8728241?dnt=1&amp;app_id=122963\" width=\"640\" height=\"512\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; fullscreen; picture-in-picture; clipboard-write\"><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p><strong>Ermeson Vieira Gondim<\/strong>&nbsp;\u00e9 cearense de Quixeramobim, co-fundador do comit\u00ea Lula Livre em Bruxelas. \u00c9 Mestre em Comunica\u00e7\u00e3o e Educa\u00e7\u00e3o na Internet pela UNED (Espanha), Mestre em Cinematologia pela Universidade de Amsterd\u00e3, Bacharel em Filme e V\u00eddeo pela Universidade do Leste de Londres. Tem organizado cursos de cinema e realizado filmes al\u00e9m de colaborar com a Fibra.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Acompanhe as m\u00eddias de Ermeson:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Instagram: @ermeson_vieira_gondim<br>Youtube: https:\/\/www.youtube.com\/channel\/UCDphyzfI-IQQyzvxJ-hMGSw<br><em>@cultura_acentuada<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Acesse seu livro (<em>ebook<\/em>) \u201c<a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/dp\/B09V3BFFWD\/ref=cm_sw_r_tw_dp_00EDC4131YE83YX60BAK\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Jonas em Guaramiranga<\/a>\u201d: via @amazonBR<\/p>\n\n\n\n<p>Nota: Os textos, cita\u00e7\u00f5es, e opini\u00f5es s\u00e3o fornecidos pelo autor, sendo de sua exclusiva responsabilidade, e podem n\u00e3o expressar \u2013 no todo ou em parte, a opini\u00e3o dos Coletivos da Fibra.<\/p>\n","protected":false,"gt_translate_keys":[{"key":"rendered","format":"html"}]},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp;Por Ermeson Vieira Recentemente fui convidado a participar de um grupo. 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