{"id":8032,"date":"2022-01-21T14:56:25","date_gmt":"2022-01-21T13:56:25","guid":{"rendered":"http:\/\/fibrainternacional.org\/?p=8032"},"modified":"2022-01-21T14:56:26","modified_gmt":"2022-01-21T13:56:26","slug":"13-motivos-para-nao-que-nao-hesite-em-chama-lo-de-fascista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fibrainternacional.org\/?p=8032","title":{"rendered":"13 motivos para n\u00e3o que n\u00e3o hesite em cham\u00e1-lo de fascista.","gt_translate_keys":[{"key":"rendered","format":"text"}]},"content":{"rendered":"\n<p>@1flaviocarvalho, @quixotemacunaima, soci\u00f3logo e escritor.<\/p>\n\n\n\n<p>Barcelona, 21.01.2022<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\" type=\"1\"><li>O fascismo, como sistema pol\u00edtico, n\u00e3o tem receita de bolo, f\u00f3rmula m\u00e1gica ou manual de instru\u00e7\u00f5es. Para o fascista, o fascismo \u00e9 como um sentimento. O interessante \u00e9 que \u00e9 mais \u201cfazer\u201d como pr\u00e1tica, do que \u201csentir\u201d ou pensar, refletidamente;<\/li><li>Por mais que ele pense que n\u00e3o sente, que n\u00e3o \u00e9, e se desdiga, o fascismo \u00e9 um \u201cfoi sem querer, querendo\u201d. O principal \u00e9 que ele faz parte de um modelo de fazer pol\u00edtica \u2013 mesmo que ele diga que n\u00e3o \u00e9 \u201cpol\u00edtico\u201d, que o torna mais pol\u00edtico ainda \u2013 que se assemelha a outros ditadores que, em maior ou menor grau, atuaram na hist\u00f3ria mundial. Um fascista n\u00e3o precisa auto definir-se como fascista para ser fascista. Eu sim, posso definir ele, como eu vejo e sinto. E assim, o permito, por exemplo, que fa\u00e7a o mesmo comigo. Por exemplo, me chamando de comunista, outra complexidade que daria pra outro texto&#8230; A diferen\u00e7a \u00e9 a base do respeito. Chamar algu\u00e9m de fascista n\u00e3o \u00e9 uma ofensa. \u00c9 uma opini\u00e3o pol\u00edtica, bem definida \u2013 pelo menos para mim. Por isso quando um fascista me chamar de comunista ele pode pensar, equivocadamente, que est\u00e1 me agredindo;<\/li><li>O fascismo poderia ser chamado de fascismoS, no plural. Porque nenhum sistema pol\u00edtico \u00e9 homog\u00eaneo, fechado, como uma caixinha de ferramentas. Ele se adapta, como tudo em sociedade, \u00e0s culturas, aos contextos, aos tempos. Como os tais comunismos&#8230;<\/li><li>H\u00e1 muita literatura sobre os fascismos. Eu, por exemplo, dediquei-me a ler e tentar compreend\u00ea-lo. N\u00e3o porque me agrade, evidentemente. Que eu tenho coisa muito mais agrad\u00e1vel para ler, na fila da minha estante de livros. Mas porque \u00e9 um \u201cassunto\u201d que est\u00e1 matando boa parte do \u201cmeu povo\u201d. E isso sim \u00e9 muito importante para mim. Eu n\u00e3o leio para me exibir. Eu leio porque eu gosto de escrever. E, antes de tudo, eu n\u00e3o vivo sem ler. Al\u00e9m disso, escrever \u00e9, para mim, uma das melhores formas de refletir;<\/li><li>Da\u00ed que esta \u00e9 a minha (!) vis\u00e3o sobre os fascismos e sobre os fascistas. Tem gente, amigos mesmos, que dir\u00e3o que eu exagero, que estou banalizando o nome da coisa. Tanto quanto eles, eu tenho o leg\u00edtimo direito de n\u00e3o morder a l\u00edngua \u2013 e n\u00e3o \u00e9 de hoje \u2013 ao dizer que um mentiroso compulsivo, como o Presidente do Brasil, sim, \u00e9 um grandioso fascista. N\u00e3o porque eu queira insultar ele com isto. Claro que n\u00e3o! \u00c9 porque eu analisei o seu comportamento pol\u00edtico, antes de tentar caracteriz\u00e1-lo assim;<\/li><li>Uma das principais caracter\u00edsticas do fascismo \u00e9 n\u00e3o saber respeitar o dissenso, as diverg\u00eancias de pensamento. E transformar tudo em disc\u00f3rdia (trazendo sempre ao campo da ofensa agressiva). Eu prefiro chamar de dissid\u00eancia, do verbo dissentir. (Olha o sentimento, novamente, a\u00ed!&#8230;). Porque a outra caracter\u00edstica principal dos fascismos define bem os bolsonaristas: a viol\u00eancia. Que n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 f\u00edsica, cuidado! Tamb\u00e9m \u00e9 plural, como o pr\u00f3prio fascismo;<\/li><li>Dois anos atr\u00e1s, por exemplo, eu escrevi um texto parecido com este. E alguns companheiros, ativistas de esquerda, me perguntaram se n\u00e3o era \u201catrevido demais\u201d chamar o negacionista presidente de fascista. Semana passada, um deles, entre meus bons amigos, reconheceu o seu pr\u00f3prio vacilo. N\u00e3o devemos vacilar ao chamar os monstros pelos seus nomes. Nomes que para n\u00f3s estes mesmos monstros representam. Para mim, \u00e9 MUITO importante (cada vez mais) o que eu sinto. E, por isso, \u00e9 assim que eu digo: fascistas!<\/li><li>Aten\u00e7\u00e3o. Este debate te\u00f3rico, complexo, epistemol\u00f3gico, sobre o que \u00e9 ou n\u00e3o \u00e9 fascismo, aporta muitas dificuldades para a imensa maioria da popula\u00e7\u00e3o trabalhadora, que n\u00e3o tem dinheiro nem tempo para aprofundar leituras (n\u00e3o porque n\u00e3o querem ou porque n\u00e3o devam ler; mas porque n\u00e3o podem mesmo). Minha opini\u00e3o, portanto, \u00e9 que n\u00e3o compliquemos a vida. Por isso, eu que gosto e posso, li. E escrevo, e escrevi. Sobre a desgra\u00e7a de ter na presid\u00eancia do meu pa\u00eds um fascista. N\u00e3o \u201cmeramente de extrema direita\u201d (um eufemismo, a meu ver). Eu quero \u00e9 descomplicar a minha vida. E a sua. Da\u00ed que digo e repito: Fora fascistas! Tirem as m\u00e3os sujas do meu grande pa\u00eds;<\/li><li>Esse texto \u00e9 mais um exerc\u00edcio de liberdade de express\u00e3o. E mesmo que os fascistas adorem falar em liberdade e em democracia, quando conv\u00e9m e da forma que lhes conv\u00e9m, n\u00e3o s\u00e3o mais que outros conceitos, diversos e importantes. E com liberdade (ela, novamente) de interpreta\u00e7\u00e3o. Eu exer\u00e7o a minha. De express\u00e3o. Dela n\u00e3o abro m\u00e3o. N\u00e3o abra m\u00e3o da sua. Mas n\u00e3o confunda alhos com bugalhos. Porque n\u00e3o \u00e9 de hoje que qualquer fascista se sente no direito de usar express\u00f5es que eles dizem que adoram, como Liberdade e Democracia, por exemplo;<\/li><li>Liberdade, al\u00e9m disso, n\u00e3o \u00e9 poder dizer tudo o que Eu penso que posso dizer, da forma que Eu mesmo quero dizer. Sabe aquilo, complicado, de que o meu direito termina quando inicia o direito do \u201coutro\u201d? Leiam e releiam o Paradoxo da Intoler\u00e2ncia, de Popper. Por isso a tal liberdade n\u00e3o \u00e9, por exemplo, enaltecer a figura de Hitler, Mussolini ou Franco. O mesmo direito de poder pensar tudo o que eu quero significa n\u00e3o poder dizer tudo o que eu penso. Muito menos da forma como eu quero. Neste texto, por exemplo, eu n\u00e3o me censurei. Eu refleti bastante sobre o que eu digo. E revisei. E me corrigi. E certamente seguirei cometendo erros. Por ousar dizer o que eu quis, da forma que eu mesmo acho que eu posso. Com consequ\u00eancia e responsabilidade (a op\u00e7\u00e3o, c\u00f4moda e covarde, ao mesmo tempo \u00e9 calar-se). Porque ficar escrevendo de gra\u00e7a, voluntariamente, sobre assuntos que podem me trazer mais problemas do que semear a reflex\u00e3o e o debate? Porque eu gosto. E isto para mim j\u00e1 \u00e9 muito. E suficiente. Mas vai al\u00e9m: chama-se ativismo, mesmo;<\/li><li>Pra concluir, preparem-se. Vou logo avisando que nem fui eu que evolu\u00ed. Ele, sim. Ou involuiu. Explico: pra mim ele j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 nem um mero fascista. \u00c9 nazista. Se quer aliviar, eu n\u00e3o, pode at\u00e9 cham\u00e1-lo de nazi-fascista. E igual que na an\u00e1lise do seu comportamento fascista, j\u00e1 \u201ccolecionei\u201d suficientes elementos pra denomin\u00e1-lo nazista mesmo, com todas as letras. Pois uma das li\u00e7\u00f5es da hist\u00f3ria \u00e9 n\u00e3o deixar que avance. E um dos principais elementos da autodefesa (n\u00e3o fomos n\u00f3s que come\u00e7amos, \u00e9 bom que se diga e se lembre) \u00e9 \u2013 insisto! \u2013 dar nome aos bois como deve-se dar aos sentimentos. Sempre me lembro, neste ponto, que em Pernambuco, nos anos 90, criamos um comit\u00ea antinazista e as pessoas ficavam dizendo que est\u00e1vamos loucos. Era por hoje. Era por isso. Porque pra muitas coisas, a preven\u00e7\u00e3o ativa \u00e9 o melhor rem\u00e9dio. Chama-se coer\u00eancia;<\/li><li>Portanto, o pen\u00faltimo par\u00e1grafo \u00e9 um pedido, para que opinem e compartilhem este texto (por exemplo, desde o meu Facebook @quixotemacunaima). Aumentando o grito do \u00faltimo par\u00e1grafo;<\/li><li>Fora Fascistas! (Porque n\u00e3o adianta tirar o fascista. \u00c9 preciso enfrentar oS fascistaS. Isso \u00e9 o que nos define, nos definiu e nos definir\u00e1 como anti-fascistas. Isso sim, \u00e9 mais que um sentimento. \u00c9 pr\u00e1xis: insepar\u00e1veis teoria e pr\u00e1tica, como se fossem uma coisa s\u00f3; como deveriam ser \u2013 porque s\u00e3o). Chama-se coer\u00eancia.<\/li><\/ol>\n\n\n\n<p>Digo e repito. Viva Paulo Freire!<\/p>\n\n\n\n<p>Aquele abra\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>Fl\u00e1vio Carvalho, para a Fibra.<\/p>\n","protected":false,"gt_translate_keys":[{"key":"rendered","format":"html"}]},"excerpt":{"rendered":"<p>@1flaviocarvalho, @quixotemacunaima, soci\u00f3logo e escritor. Barcelona, 21.01.2022 O fascismo, como sistema pol\u00edtico, n\u00e3o tem receita de bolo, f\u00f3rmula m\u00e1gica ou manual de instru\u00e7\u00f5es. Para o<\/p>\n","protected":false,"gt_translate_keys":[{"key":"rendered","format":"html"}]},"author":2,"featured_media":8033,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"om_disable_all_campaigns":false,"_eb_attr":"","footnotes":""},"categories":[6,197,202,10],"tags":[],"class_list":["post-8032","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","category-colunistas","category-flavio","category-reportagens","three-columns"],"aioseo_notices":[],"rttpg_featured_image_url":{"full":["https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Screenshot-2022-01-21-at-14.48.37.png",2552,1432,false],"landscape":["https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Screenshot-2022-01-21-at-14.48.37.png",2552,1432,false],"portraits":["https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Screenshot-2022-01-21-at-14.48.37.png",2552,1432,false],"thumbnail":["https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Screenshot-2022-01-21-at-14.48.37-150x150.png",150,150,true],"medium":["https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Screenshot-2022-01-21-at-14.48.37-300x168.png",300,168,true],"large":["https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Screenshot-2022-01-21-at-14.48.37-1024x575.png",640,359,true],"1536x1536":["https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Screenshot-2022-01-21-at-14.48.37-1536x862.png",1536,862,true],"2048x2048":["https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Screenshot-2022-01-21-at-14.48.37-2048x1149.png",2048,1149,true],"refined-magazine-carousel-img":["https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Screenshot-2022-01-21-at-14.48.37-783x450.png",783,450,true],"refined-magazine-carousel-img-landscape":["https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Screenshot-2022-01-21-at-14.48.37-783x225.png",783,225,true],"refined-magazine-carousel-large-img":["https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Screenshot-2022-01-21-at-14.48.37-1000x574.png",1000,574,true],"refined-magazine-carousel-large-img-landscape":["https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Screenshot-2022-01-21-at-14.48.37-1000x287.png",1000,287,true],"refined-magazine-large-thumb":["https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Screenshot-2022-01-21-at-14.48.37-1170x657.png",1170,657,true],"refined-magazine-small-thumb":["https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Screenshot-2022-01-21-at-14.48.37-350x220.png",350,220,true]},"rttpg_author":{"display_name":"clearwaterdijk","author_link":"https:\/\/fibrainternacional.org\/?author=2"},"rttpg_comment":0,"rttpg_category":"<a href=\"https:\/\/fibrainternacional.org\/?cat=6\" rel=\"category\">Artigos<\/a> <a href=\"https:\/\/fibrainternacional.org\/?cat=197\" rel=\"category\">Colunistas<\/a> <a href=\"https:\/\/fibrainternacional.org\/?cat=202\" rel=\"category\">Fl\u00e1vio Carvalho<\/a> <a href=\"https:\/\/fibrainternacional.org\/?cat=10\" rel=\"category\">Reportagens<\/a>","rttpg_excerpt":"@1flaviocarvalho, @quixotemacunaima, soci\u00f3logo e escritor. Barcelona, 21.01.2022 O fascismo, como sistema pol\u00edtico, n\u00e3o tem receita de bolo, f\u00f3rmula m\u00e1gica ou manual de instru\u00e7\u00f5es. Para o","gt_translate_keys":[{"key":"link","format":"url"}],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fibrainternacional.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8032","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/fibrainternacional.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fibrainternacional.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fibrainternacional.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fibrainternacional.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=8032"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/fibrainternacional.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8032\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8034,"href":"https:\/\/fibrainternacional.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8032\/revisions\/8034"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fibrainternacional.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/8033"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fibrainternacional.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=8032"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fibrainternacional.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=8032"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fibrainternacional.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=8032"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}