{"id":8047,"date":"2022-01-25T14:38:10","date_gmt":"2022-01-25T13:38:10","guid":{"rendered":"http:\/\/fibrainternacional.org\/?p=8047"},"modified":"2023-03-10T17:20:57","modified_gmt":"2023-03-10T16:20:57","slug":"balonismo-em-cavu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fibrainternacional.org\/?p=8047","title":{"rendered":"Balonismo em Cavu*","gt_translate_keys":[{"key":"rendered","format":"text"}]},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Ana Isa van Dijk<\/strong>, para o site da FIBRA<\/p>\n\n\n\n<p>25.01.2022<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\">(*)<em>\u201cCeiling and<\/em><em> v<\/em><em>isibility <\/em><em>u<\/em><em>nlimited<\/em>,<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\">an aviation <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Meteorology\">meteorology<\/a> term.\u201d<br>(Wikkipedia)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap\">As redes sociais trouxeram esta manh\u00e3 a not\u00edcia da morte de Olavo de Carvalho. Entre incredulidade e \u00eaxtase, as redes sociais acordaram nesta manh\u00e3 de 25 de janeiro em rebuli\u00e7o. O dia s\u00f3 est\u00e1 come\u00e7ando, este texto ser\u00e1 s\u00f3 um entre os muitos que v\u00e3o revestir de todos os tons de leituras, a relevante not\u00edcia do dia.<\/p>\n\n\n\n<p>Pelos grupos do zap do ativismo e amigos da pol\u00edtica, as mensagens v\u00e3o chegando\u2026. As primeiras mais simples, trazem aquele car\u00e1ter de avalia\u00e7\u00e3o dos ares e do ambiente no melhor estilo \u201cs\u00f3 pra avisar\u201d. Aos poucos, e vencidas as d\u00favidas dos <em>valse prikkels<\/em> (em holand\u00eas: falsos est\u00edmulos), observo cada vez mais o crescente entusiasmo que a not\u00edcia vai adulando. Al\u00edvio define, em grande parte neste caso, a resposta humana mais r\u00e1pida de quem est\u00e1 nos \u00faltimos muitos anos, 24\/7 lutando para no m\u00ednimo conter, tudo o que Olavo de Carvalho ajudou a destruir no Brasil recente, com influ\u00eancia direta e nefasta sobre o que hoje identificamos como bolsonarismo.<\/p>\n\n\n\n<p>O fascismo na pol\u00edtica \u00e9 velho conhecido da hist\u00f3ria. E no Brasil do golpe, aquele de 2016, chegou chegando assanhado, trazido sem \u201cpapas na l\u00edngua\u201d pelas letras, \u00e1udios e v\u00eddeos horrorosos, deste senhor que tanta gente vazia adotou como \u201cfil\u00f3sofo\u201d, na tentativa de revestir com alguma import\u00e2ncia sua pr\u00f3pria indig\u00eancia intelectual e f\u00e9tido car\u00e1ter. Olavistas e bolsonaristas delinearam-se mutuamente nos \u00faltimos anos, em cora\u00e7\u00f5es e mentes engajados pelo nada, pelo chulo, pela morte, pelo reverso do melhor da vida, pelo que de pior representam e contra as quais s\u00e3o travadas as lutas cada vez mais necess\u00e1rias, as quais n\u00f3s, da resist\u00eancia \u00e0 esquerda, nos dedicamos incansavelmente, com o desejo de pelo menos denunciar as viol\u00eancias, as injusti\u00e7as e neutralizar as perdas sofridas por uma parcela importante da sociedade brasileira, alvos do \u00f3dio destilado pelos mitos, gurus e pupilos do fim do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Volto aos chats amigos e observo as rea\u00e7\u00f5es diversas e leg\u00edtimas, que o al\u00edvio do fim de um canalha consegue estimular. Isso me perturba mais que consola&#8230;.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu n\u00e3o celebro a morte de ningu\u00e9m, e repetirei hoje o dia todo \u201c- OC n\u00e3o ter\u00e1 de mim meu lado B!\u201d Compreendo e reconhe\u00e7o como poss\u00edveis, leg\u00edtimas at\u00e9, todas as raz\u00f5es e emo\u00e7\u00f5es que revestem a \u201canima\u00e7\u00e3o\u201d, mas n\u00e3o me conven\u00e7o. Este fato lembrou-me imediatamente de como o povo ingl\u00eas foi em massa \u00e0s ruas, naquele 8 de abril de 2013 celebrar a morte de Thatcher, carrasca implac\u00e1vel da dignidade do trabalhador, dos imigrantes e desvalidos na Inglaterra nos anos 80 e 90. Mulher cuja insensibilidade \u00e0s dificuldades humanas lhe conferiu a triste honra \u201cde festa nas ruas\u201d, por n\u00e3o mais existir. Sim, \u00e9 triste. Isso n\u00e3o \u00e9 horrendo? Assustador? Claro que sim, mas incontest\u00e1vel rea\u00e7\u00e3o ao legado de destrui\u00e7\u00e3o deixado por ela por onde reinou!<\/p>\n\n\n\n<p>No fundo a morte de OC, por doen\u00e7a, lhe redime do acerto de contas necess\u00e1rio, e o livra antes do tempo. O tempo de Justi\u00e7a que tanto sonhei e sonho para os maus, os canalhas, os genocidas, os que matam e ajudam a matar, e como diria Brizola para os coveiros de sonhos, que enterram o futuro de gera\u00e7\u00f5es inteiras em suas sanhas de poder pessoal! Quando morrem pessoas que deixaram um rastro de morte, destitui\u00e7\u00e3o das humanidades, banaliza\u00e7\u00e3o de viol\u00eancias e destrui\u00e7\u00e3o de esperan\u00e7as coletivas, n\u00e3o fico feliz, n\u00e3o consigo ter por elas sequer o meu pior: o desprezo que os concedi enquanto vivos. Eu estou convencida de que celebrar a morte como vit\u00f3ria pelo que n\u00e3o conseguimos vencer nas batalhas, \u00e9 dar ao Mal o triunfo, por exercitar em n\u00f3s, os mesmos sentimentos que tanto combatemos. O que nos guia \u00e9 o amor, na constru\u00e7\u00e3o de um caminho fraterno, animado por nossa natureza social, amor que ao final e ao cabo justifica a exist\u00eancia humana. N\u00e3o se trata de romantizar a morte de fascistas, longe de mim este papel!, mas de preservar em mim o que jamais lhes entregarei como tributo de derrotada &#8211; o meu melhor, o meu mais digno, o meu lado mais humano e de gratid\u00e3o pela vida.<\/p>\n\n\n\n<p>Margaret Thatcher, Olavo de Carvalho, Brilhante Ustra, Pinochet etc\u2026, a lista \u00e9 pesada, l\u00fagubre e longa. Reconhe\u00e7o que a Morte, como entidade, ressalta ainda mais o que lhe resta do legado que o apequenou a exist\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o! N\u00e3o ter\u00e3o de mim o que disseminaram enquanto vivos \u2013 o \u00f3dio eu refuto! Meu consolo, \u00e9 que no final, o olhar da Hist\u00f3ria acabar\u00e1 sendo animador: eles estiveram e estar\u00e3o mortos, pelo que pregaram, por tudo que viveram.<\/p>\n\n\n\n<p>Viva a vida! Seguimos! \u2764\ufe0f\ud83c\udf89<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-css-opacity\"\/>\n\n\n\n<p>O t\u00edtulo deste texto \u00e9 uma simbologia \u00e0 utopia que anima meu caminho no ativismo. O balonismo me remete \u00e0 aud\u00e1cia singela de vencer o ch\u00e3o impositivo; o termo cavu (jarg\u00e3o dos que trabalham na avia\u00e7\u00e3o e levantamentos cartogr\u00e1ficos), significa c\u00e9u impecavelmente azul e sem nuvens, perfeito para o v\u00f4o! Um em busca do outro \u00e9 a imagem que gosto de ter de n\u00f3s que resistimos em nossos bal\u00f5es de luta, desafiando incertezas, rumo ao cavu de uma sociedade plena, e livre das for\u00e7as que suprimem nossos sonhos de viver a salvo de toda e qualquer forma de discrimina\u00e7\u00e3o, exclus\u00e3o e injusti\u00e7a.<\/p>\n","protected":false,"gt_translate_keys":[{"key":"rendered","format":"html"}]},"excerpt":{"rendered":"<p>Ana Isa van Dijk, para o site da FIBRA 25.01.2022 (*)\u201cCeiling and visibility unlimited, an aviation meteorology term.\u201d(Wikkipedia) As redes sociais trouxeram esta manh\u00e3 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