{"id":8640,"date":"2022-05-03T21:05:41","date_gmt":"2022-05-03T19:05:41","guid":{"rendered":"http:\/\/fibrainternacional.org\/?p=8640"},"modified":"2026-02-17T17:46:46","modified_gmt":"2026-02-17T16:46:46","slug":"post-datum-pos-verdade-e-fake-news-no-caso-judicial-de-lula","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fibrainternacional.org\/?p=8640","title":{"rendered":"Post Datum: P\u00f3s-verdade e fake news no caso judicial de Lula","gt_translate_keys":[{"key":"rendered","format":"text"}]},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Por Ermeson  Vieira Gondim<\/strong><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image is-style-default\"><figure class=\"alignright size-large is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Star-Wars-Post-para-Twitter-1-1024x576.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-8641\" width=\"455\" height=\"255\" srcset=\"https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Star-Wars-Post-para-Twitter-1-1024x576.png 1024w, https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Star-Wars-Post-para-Twitter-1-600x338.png 600w, https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Star-Wars-Post-para-Twitter-1-300x169.png 300w, https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Star-Wars-Post-para-Twitter-1-768x432.png 768w, https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Star-Wars-Post-para-Twitter-1-1536x864.png 1536w, https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Star-Wars-Post-para-Twitter-1-1170x658.png 1170w, https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Star-Wars-Post-para-Twitter-1.png 1600w\" sizes=\"(max-width: 455px) 100vw, 455px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Em fevereiro de 2015 escrevi um texto entitulado \u2018Debates sobre p\u00f3s-verdade e <em>fake news <\/em>no caso judicial do ex-presidente do Brasil, Luiz In\u00e1cio Lula da Silva\u2019 como parte de meus estudos de mestrado em Comunica\u00e7\u00e3o e Educa\u00e7\u00e3o na Internet, na Universidade Nacional de Educa\u00e7\u00e3o \u00e0 Dist\u00e2ncia da Espanha.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O objetivo desse texto era teorizar sobre o fen\u00f4meno da p\u00f3s-verdade e das not\u00edcias falsas no contexto do Brasil atual tomando o caso da companha midi\u00e1tica contra o ex-presidente do Brasil, Luiz In\u00e1cio Lula da Silva \u00e0 \u00e9poca.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse momento come\u00e7\u00e1vamos a conhecer as primeiras informa\u00e7\u00f5es reveladas a partir do vazamento das conversas entre o ex-juiz S\u00e9rgio Moro e os procuradores da Lava Jato que tinham como objetivo condenar sem provas Lula da Silva e demonizar o Partido dos Trabalhadores.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Naquele momento n\u00e3o me foi poss\u00edvel apresentar a maioria das conclus\u00f5es sobre o tema, o que seria normal se eu conhecesse mais informa\u00e7\u00f5es sobre os vazamentos e sobre o desenvolvimento pol\u00edtico que aconteceu depois da elei\u00e7\u00e3o de Jair Bolsonaro e da nomea\u00e7\u00e3o do ex-juiz como ministro no seu governo. Os eventos posteriores \u00e0 elei\u00e7\u00e3o de 2018 revelam claramente a prevarica\u00e7\u00e3o do ex-juiz com a finalidade de lograr um posto de Ministro, e se tudo sa\u00edsse bem, de Ministro do Supremo Tribunal Federal do Brasil, cargo vital\u00edcio e altamente desejado por raz\u00f5es econ\u00f4micas e de poder.<\/p>\n\n\n\n<p>A Justi\u00e7a brasileira, atrav\u00e9s do STF finalmente reconheceu o direito fundamental dos cidad\u00e3os \u00e0 liberdade at\u00e9 que seja julgado o \u00faltimo recurso contra um r\u00e9u, o que ajudou a libertar Lula da pris\u00e3o. Ainda assim tamb\u00e9m reconheceu que Moro foi parcial no julgamento do ex-presidente Lula e consequentemente todos os casos em que ele foi acusado sem provas foram anulados.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Deltran Dallagnol, ex-procurador da Lava Jato foi condenado a pagar uma indeniza\u00e7\u00e3o a Lula e mais recentemente S\u00e9rgio Moro e o Estado Brasileiro foram considerados pela ONU parciais no julgamento de Lula. Esperamos agora que tanto Moro (e outros ju\u00edzes) como Dallagnol e o Estado Brasileiro sejam obrigados a pagar pelo dano irrepar\u00e1vel ao ex-presidente e ex-candidato Lula da Silva que teve sua reputa\u00e7\u00e3o manchada, seus direitos eleitorais negados e posto injustamente na pris\u00e3o, expondo-o ao esc\u00e1rnio publico dentro de uma conspira\u00e7\u00e3o pol\u00edtico medi\u00e1tica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Reproduzo aqui o texto mencionado anteriormente traduzido ao portugu\u00eas porque acho que no momento em que vivemos, \u00e0s v\u00e9speras de uma elei\u00e7\u00e3o que provavelmente a grande arma do nosso oponente seja a desinforma\u00e7\u00e3o e a mentira, falar desses mecanismos de engana\u00e7\u00e3o \u00e9 de extrema import\u00e2ncia para criar consci\u00eancia e tentar barrar esse tipo de mentiras a partir do conhecimento.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 preciso entender a desinforma\u00e7\u00e3o e denunciar tamb\u00e9m o p\u00e2nico moral que s\u00e3o as verdadeiras armas da comunica\u00e7\u00e3o da ultra direita mundial.<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 a vit\u00f3ria!<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Debates sobre p\u00f3s-verdade e fake news no caso judicial do ex-presidente do Brasil, Luiz In\u00e1cio Lula da Silva<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Escrito em 03.02.2015<\/p>\n\n\n\n<p>Por Ermeson Vieira Gondim<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\"><li><strong>Marco te\u00f3rico<\/strong><\/li><\/ol>\n\n\n\n<p><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A era da Internet certamente representa um novo paradigma para a hist\u00f3ria da Comunica\u00e7\u00e3o. Na Internet, a informa\u00e7\u00e3o viaja de uma forma muito diferente de todas as \u00e9pocas anteriores. Sua produ\u00e7\u00e3o, distribui\u00e7\u00e3o, consumo, \u201cdescarte\u201d e reaproveitamento ocorrem em velocidade vertiginosa. As representa\u00e7\u00f5es s\u00e3o diferentes e at\u00e9 certos significados e valores mudaram. As imagens j\u00e1 n\u00e3o pressup\u00f5em simplesmente uma mem\u00f3ria do passado, mas a prova da necessidade da exist\u00eancia de um eterno presente que revela o medo de um desaparecimento do real no digital. A opini\u00e3o de qualquer pessoa \u00e9 t\u00e3o importante quanto a opini\u00e3o de um estudioso sobre um assunto. Em muitos casos, as informa\u00e7\u00f5es n\u00e3o aparecem mais em t\u00edtulos tem\u00e1ticos, mas se misturam nas redes sociais, subtraindo a capacidade de an\u00e1lise cr\u00edtica por pura distra\u00e7\u00e3o e\/ou confus\u00e3o. S\u00f3 isso j\u00e1 seriam bons motivos para entender parte do contexto das p\u00f3s-verdades, mas para entend\u00ea-las precisamos ir al\u00e9m, criticar as explica\u00e7\u00f5es poss\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p>A hist\u00f3ria da verdade e da mentira tem uma longa vida. Vil\u00e9m Flusser em A Philosophy of Photography apresenta dois aspectos que me parecem relevantes na discuss\u00e3o da verdade na m\u00eddia, ainda que n\u00e3o se refira exatamente \u00e0 \u201cm\u00eddia\u201d. Por um lado, que &#8220;a escrita linear foi inventada por comerciantes&#8221; (Flusser, 2001, p.109) e por outro, que &#8220;foi inventada&#8230; com a inten\u00e7\u00e3o de contar. E contar significa arrancar as coisas de seu contexto para alinh\u00e1-las. Essa conta \u00e9 a ess\u00eancia do pensamento cr\u00edtico\u201d (Flusser, 2001, p.132). Ou seja, por um lado, a escrita foi criada em um contexto de poder (econ\u00f4mico) e, por outro, a pr\u00f3pria cria\u00e7\u00e3o desse novo meio inaugurou a cr\u00edtica, o racionalismo e, portanto, a ci\u00eancia. E com a ci\u00eancia a &#8220;verdade&#8221; moderna, a forma euroc\u00eantrica de definir o mundo. Desta forma, a contagem da \u201cverdade\u201d equivale a uma valoriza\u00e7\u00e3o de um grupo no poder. O problema epistemol\u00f3gico est\u00e1 na rela\u00e7\u00e3o do poder com \u201ca verdade\u201d que ele produz.<\/p>\n\n\n\n<p>A era moderna, a era das massas, do populacho, por sua vez, inaugurou o processo de m\u00eddia de massa. Mas a era moderna \u00e9 tamb\u00e9m a era da burguesia, que \u00e9 aquela que det\u00e9m n\u00e3o s\u00f3 os meios de produ\u00e7\u00e3o de bens, mas tamb\u00e9m os meios de comunica\u00e7\u00e3o. N\u00e3o foi em v\u00e3o que Karl Marx e Friedrich Engels (1974) em A ideologia Alem\u00e3 afirmaram que:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA classe que tem \u00e0 sua disposi\u00e7\u00e3o os meios de produ\u00e7\u00e3o material disp\u00f5e ao mesmo tempo dos meios de produ\u00e7\u00e3o espiritual, o que significa que, ao mesmo tempo, em m\u00e9dia, as id\u00e9ias daqueles a quem carecem dos meios necess\u00e1rios para produzir espiritualmente. As ideias dominantes nada mais s\u00e3o do que a express\u00e3o ideal das rela\u00e7\u00f5es materiais dominantes, as mesmas rela\u00e7\u00f5es materiais dominantes concebidas como ideias\u201d (p.50-51).<\/p>\n\n\n\n<p>A origem do jornalismo foi claramente marcada por esse car\u00e1ter de classe. Desde a Lei Diurna na Roma antiga at\u00e9 os di\u00e1rios europeus, todos representavam os interesses das classes pol\u00edticas ou das classes econ\u00f4micas, ou ambas juntas. A hist\u00f3ria das lutas oper\u00e1rias, no entanto, n\u00e3o se contentou com a posi\u00e7\u00e3o de que a burguesia n\u00e3o deveria ser para sempre nem detentora dos meios de produ\u00e7\u00e3o, nem detentora da m\u00eddia, nem detentora das ideias dominantes. O conflito de classes tamb\u00e9m deu origem a uma luta pelo controle da narrativa hist\u00f3rica. Os trabalhadores e os partidos fundaram seus pr\u00f3prios meios de comunica\u00e7\u00e3o para combater a hegemonia burguesa. Al\u00e9m disso, a luta pela liberdade de imprensa tem interessado as classes trabalhadoras, mas tamb\u00e9m os setores liberais como um dos instrumentos para garantir o funcionamento saud\u00e1vel da democracia representativa, pois sem o direito de comunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o havia\/n\u00e3o h\u00e1 possibilidade de mudan\u00e7a de regimes. .<\/p>\n\n\n\n<p>Pierre Albert (2003) em A Hist\u00f3ria da Imprensa (Histoire de la presse) afirma que:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO progresso da imprensa foi consideravelmente retardado pela severidade do controle pol\u00edtico, mas n\u00e3o menos importante. Em primeiro lugar, em termos de conte\u00fado: enquanto as pequenas gazetas do in\u00edcio do s\u00e9culo XVII publicavam apenas not\u00edcias secas, em meados do s\u00e9culo publicavam artigos comentados e alargavam o campo da informa\u00e7\u00e3o a todo o tipo de not\u00edcias. aspectos da vida social e cultural. Mais tarde, e apesar do sistema de privil\u00e9gios, as publica\u00e7\u00f5es multiplicaram-se, especializando-se primeiro e depois competindo entre si. Finalmente, a imprensa adquiriu, apesar dos censores, um poder pol\u00edtico, vari\u00e1vel segundo os Estados; na vanguarda das ideias liberais, eles liderariam a luta por sua pr\u00f3pria liberdade. (p\u00e1g. 13)<\/p>\n\n\n\n<p>E embora a burguesia n\u00e3o considerasse inicialmente a imprensa como um meio ideal para refletir a realidade atual, ela progressivamente ganhou import\u00e2ncia devido &#8220;\u00e0 acelera\u00e7\u00e3o do mundo e particularmente&#8221; aos &#8220;per\u00edodos revolucion\u00e1rios&#8221; que devido a &#8220;uma realidade precipitada e a intensa curiosidade\u201d \u2026 \u201cderam origem a um p\u00fablico cada vez maior\u201d que deu \u201cfinalmente, \u00e0 imprensa a possibilidade de conquistar, tanto na vida social como no jogo das for\u00e7as pol\u00edticas, o seu lugar na primeira fila\u201d (Albert , 2003, p. 14).<\/p>\n\n\n\n<p>A liberdade de imprensa em nosso tempo \u00e9 fruto de um longo processo dial\u00e9tico entre for\u00e7as contra e por sua exist\u00eancia, mas tamb\u00e9m dos avan\u00e7os t\u00e9cnicos que contribu\u00edram para sua expans\u00e3o e democratiza\u00e7\u00e3o. Walter Benjamin (2013) atesta essa expans\u00e3o de novas t\u00e9cnicas e m\u00eddias em sua obra A obra de&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Arte na Era de Sua Reprodutibilidade T\u00e9cnica, mas como parece ser a regra, o surgimento de novas tecnologias, ainda que resolva alguns problemas, d\u00e1 enfrentar novos desafios e novos problemas.<\/p>\n\n\n\n<p>Benjamin (2003) chama a aten\u00e7\u00e3o para a &#8220;estetiza\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica&#8221;. Um fen\u00f4meno que ele relaciona com a emerg\u00eancia das massas e o desejo fascista de control\u00e1-las atrav\u00e9s da express\u00e3o de cidad\u00e3os sem cr\u00edtica e sem lutar por seus direitos (p. 96).<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO fascismo tenta organizar as massas prolet\u00e1rias que foram recentemente geradas, mas sem tocar nas rela\u00e7\u00f5es de propriedade para cuja elimina\u00e7\u00e3o elas tendem. Eles t\u00eam como objetivo fazer com que as massas alcancem sua express\u00e3o (mas de forma alguma, \u00e9 claro, seu direito)\u201d (Benjamin, 2003, p.96).<\/p>\n\n\n\n<p>Mas se por um lado o fascismo encorajou essa express\u00e3o acr\u00edtica, a arte por arte das\/para as classes prolet\u00e1rias, por outro ele criticou fortemente a imprensa cr\u00edtica como foi o caso do regime nazista que usou o termo L\u00fcgenpresse (imprensa mentirosa) como arma de propaganda contra judeus, comunistas e imprensa estrangeira contr\u00e1ria aos seus interesses.<\/p>\n\n\n\n<p>Em nosso tempo, a Web 2.0 deu a cada um de n\u00f3s a possibilidade de se tornar um jornalista em potencial. Nos relacionamos em redes de troca de informa\u00e7\u00f5es que, como j\u00e1 foi dito, s\u00e3o produzidas, distribu\u00eddas, consumidas, descartadas e reutilizadas em uma velocidade vertiginosa. Praticamente todo esse processo \u00e9 feito digitalmente, mas isso tamb\u00e9m dificulta a verifica\u00e7\u00e3o da autoria e autenticidade dos objetos digitais. A Internet \u00e9 um mundo paradoxal, um mundo de contradi\u00e7\u00f5es onde podemos acessar uma enorme quantidade de informa\u00e7\u00f5es mas, ao mesmo tempo, muitas dessas informa\u00e7\u00f5es podem estar comprometidas com falsidades. E mesmo quando a verdade \u00e9 dita, essa verdade pode ser refutada como falsa ou mentirosa como foi feito na era nazista. Assim, o desafio na chamada \u201csociedade do conhecimento\u201d ou \u201csociedade da informa\u00e7\u00e3o\u201d n\u00e3o \u00e9 o acesso ao conhecimento ou \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, mas saber distinguir a boa da informa\u00e7\u00e3o falsa.<\/p>\n\n\n\n<p>Este ensaio tem como objetivo discutir a quest\u00e3o da p\u00f3s-verdade, fake news, bolhas ideol\u00f3gicas e questionar uma poss\u00edvel rela\u00e7\u00e3o entre esses fen\u00f4menos e o caso da condena\u00e7\u00e3o do ex-presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Fake news e p\u00f3s-verdade<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>As fake news s\u00e3o comumente relacionadas \u00e0s chamadas m\u00eddias digitais alternativas devido \u00e0 prolifera\u00e7\u00e3o de todo tipo de not\u00edcias em in\u00fameros sites da Internet. As referidas not\u00edcias s\u00e3o veiculadas nas redes sociais juntamente com outras produzidas pela grande m\u00eddia. Essa mistura gera um caldeir\u00e3o que torna muito dif\u00edcil para o usu\u00e1rio distinguir quais not\u00edcias s\u00e3o verdadeiras e quais s\u00e3o falsas.<\/p>\n\n\n\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 forma e conte\u00fado, Leonardo Murolo (2019) apresenta tr\u00eas tipos de links que est\u00e3o vinculados nas redes sociais que representam essas fake news:<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\"><li>T\u00edtulos falsos que posteriormente s\u00e3o negados ou atenuados no corpo da mesma nota. Esses links podem vir de m\u00eddias reconhecidas e tradicionais que geralmente apelam para o uso da condicional em suas declara\u00e7\u00f5es.<\/li><li>T\u00edtulos falsos com notas falsas. Em geral, s\u00e3o sites dedicados a fake news que s\u00e3o desenvolvidos dentro dos c\u00e2nones dos g\u00eaneros jornal\u00edsticos, mas com informa\u00e7\u00f5es err\u00f4neas.<\/li><li>T\u00edtulos falsos com notas inexistentes. S\u00e3o sites dedicados a not\u00edcias falsas apenas em manchetes e com p\u00e1ginas vazias. Estes apelam aos usu\u00e1rios para rolar e n\u00e3o abrir os links.<\/li><\/ol>\n\n\n\n<p>Not\u00edcias e informa\u00e7\u00f5es geralmente s\u00e3o produzidas por pessoas e possuem qualidades e estilos diferentes; mas tamb\u00e9m devemos indagar sobre as inten\u00e7\u00f5es e prop\u00f3sitos por tr\u00e1s da produ\u00e7\u00e3o e publica\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es e not\u00edcias. Seria uma mentira que foi escrita por algu\u00e9m que acreditava que era verdade? \u00c9 verdade o que foi escrito com a inten\u00e7\u00e3o de enganar mas no final condiz com a realidade? e as pessoas bem intencionadas que pensam &#8220;fazer o bem&#8221;? S\u00e3o perguntas que nos ajudam a entender a complexidade da discuss\u00e3o sobre fake news e p\u00f3s-verdade.<\/p>\n\n\n\n<p>Cass R. Sunstein (2008) destaca dois fatores para a dissemina\u00e7\u00e3o de not\u00edcias falsas ou hoaxes: 1. Os propagadores 2. O pano de fundo. A primeira refere-se aos sujeitos que produzem ou propagam as hist\u00f3rias. Os antecedentes t\u00eam a ver com as cren\u00e7as b\u00e1sicas que uma pessoa tem e que colaboram para que ela tenda a dar cr\u00e9dito a determinada not\u00edcia ou hist\u00f3ria (p.3).<\/p>\n\n\n\n<p>Para Sunstein (2008), existem quatro tipos de propagadores:<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\"><li><strong>Muito interessados:<\/strong><\/li><\/ol>\n\n\n\n<p>\u201cEles procuram promover seus pr\u00f3prios interesses prejudicando uma determinada pessoa ou grupo. Uma alega\u00e7\u00e3o de que uma determinada pessoa \u00e9 racista ou sexista, ou envolvida em m\u00e1 conduta ou projetos corruptos, \u00e9 um exemplo comum\u201d (p. 3-4).<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\"><li><strong>Geralmente interessados:<\/strong><\/li><\/ol>\n\n\n\n<p>\u201cEles podem tentar vender um produto, ou atrair olhares, espalhando (o que acabaria sendo) falsidades. Embora possam publicar falsidades sobre a vida profissional ou pessoal das pessoas, n\u00e3o t\u00eam interesse em prejudicar ningu\u00e9m; Falando s\u00e9rio, por\u00e9m, o dano acaba sendo colateral. Seu iniciador de rumores pode n\u00e3o ser baseado em nenhuma evid\u00eancia, um pouco, moderado ou muito. O que importa \u00e9 que seu pr\u00f3prio interesse est\u00e1 claramente em jogo. Na Internet, as pessoas costumam espalhar boatos falsos como forma de atrair olhares. Aqueles que espalham fofocas, de um tipo ou de outro, se enquadram nessa categoria.\u201d (p\u00e1g. 4)<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\"><li><strong>Altru\u00edstas:<\/strong><\/li><\/ol>\n\n\n\n<p>\u201cEles est\u00e3o preocupados com algum tipo de causa. Quando dizem que alguma pessoa p\u00fablica cometeu m\u00e1 conduta, est\u00e3o tentando promover o bem p\u00fablico como o v\u00eaem. Ao iniciar ou espalhar um boato falso sobre um indiv\u00edduo ou uma institui\u00e7\u00e3o, eles esperam ajudar ainda mais a causa. Na Internet, assim como em programas de r\u00e1dio, propagadores altru\u00edstas s\u00e3o f\u00e1ceis de encontrar; desempenham um papel particularmente importante na arena pol\u00edtica. Tanto os propagadores ego\u00edstas quanto os altru\u00edstas podem ser extraordinariamente casuais com a verdade, no sentido de que \u00e0s vezes est\u00e3o dispostos a dizer o que sabem ser falso, e \u00e0s vezes est\u00e3o dispostos a dizer o que n\u00e3o sabem ser verdade. (p\u00e1g. 4)<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\"><li><strong>Concupiscentes, cru\u00e9is, mal\u00e9volos:<\/strong><\/li><\/ol>\n\n\n\n<p>\u201cEles procuram descobrir e revelar detalhes embara\u00e7osos ou prejudiciais, n\u00e3o por interesse pr\u00f3prio ou causa, mas para seu pr\u00f3prio bem. Eles afirmam afirmativamente prejudicar as pessoas, geralmente por raiva, raiva ou crueldade particular ou generalizada. Aqui tamb\u00e9m, a rela\u00e7\u00e3o entre suas alega\u00e7\u00f5es e a verdade pode n\u00e3o ser totalmente pr\u00f3xima.\u201d (p\u00e1g. 4)<\/p>\n\n\n\n<p>Como podemos ver, para entender not\u00edcias falsas tamb\u00e9m \u00e9 importante entender os conjuntos de inten\u00e7\u00f5es que est\u00e3o por tr\u00e1s delas. Mas de acordo com Sunstein (2008), &#8220;os rumores geralmente aparecem e ganham tra\u00e7\u00e3o por causa de sua rela\u00e7\u00e3o com as condena\u00e7\u00f5es anteriores do aceitante&#8221; (p. 2). A pessoa nega um fato porque este fato vai contra seu grupo de refer\u00eancia, ou uma ideologia ou cren\u00e7a que muitas vezes constr\u00f3i sua identidade. Isto \u00e9 chamado de &#8220;disson\u00e2ncia cognitiva&#8221;. Sunstein (2008) argumenta que &#8220;quando aliados de uma figura p\u00fablica afirmam n\u00e3o acreditar num boato, eles podem muito bem estar dizendo a verdade; eles est\u00e3o fortemente motivados a neg\u00e1-la, mesmo para si mesmos&#8221; (p. 5). Mas \u00e9 bem prov\u00e1vel que as mesmas pessoas aceitem uma mentira sobre uma figura p\u00fablica que n\u00e3o faz parte de seu coletivo. Garc\u00eda-Mar\u00edn e Aparici (2019) chamam este fen\u00f4meno de &#8220;vi\u00e9s de confirma\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas por que a verdade se tornou t\u00e3o elusiva, t\u00e3o intang\u00edvel, t\u00e3o f\u00e1cil de falsificar, t\u00e3o irrelevante em nossos tempos?<\/p>\n\n\n\n<p>Vil\u00e9m Flusser (2001) escreve que &#8220;o pensamento cr\u00edtico est\u00e1 atualmente em crise, porque lhe faltam crit\u00e9rios adequados para criticar seus pr\u00f3prios produtos&#8221; (p. 134). No passado, a escrita era usada para descrever ou criticar imagens. Tais cr\u00edticas geraram uma ci\u00eancia que por sua vez desenvolveu aparelhos capazes de criar imagens t\u00e9cnicas que por sua vez n\u00e3o podem ser usadas para criticar as imagens t\u00e9cnicas. Isto criou um distanciamento da realidade f\u00edsica que deu origem a um relativismo, um &#8220;vale tudo&#8221;, desde que se sinta ou acredite o suficiente.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Ant\u00f4nio C. Grayling citado em Murolo (2019) &#8220;da filosofia, as ra\u00edzes da p\u00f3s-verdade est\u00e3o no p\u00f3s-modernismo e no relativismo&#8221;. Tudo \u00e9 relativo. As hist\u00f3rias s\u00e3o inventadas o tempo todo, n\u00e3o existe mais a verdade&#8221;.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 verdade que os seres humanos na modernidade tardia tiveram que conviver com diferentes sistemas de ideologias e cren\u00e7as. Mas o fil\u00f3sofo Dario Sztajnszrajber, tamb\u00e9m citado em Murolo (2019), \u00e9 mais cr\u00edtico em rela\u00e7\u00e3o ao car\u00e1ter do poder que faz certas hist\u00f3rias se apresentarem como verdades hoje. Para Sztajnszrajber (citado em Murolo, 2019), &#8220;embora a verdade n\u00e3o exista, \u00e9 gerado consenso a partir de certos estratos de poder para estabelecer que certas id\u00e9ias passam como se fossem verdadeiras&#8221;.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No contexto das redes sociais, onde tamb\u00e9m h\u00e1 polariza\u00e7\u00e3o, s\u00e3o feitas tentativas de impor &#8220;a verdade&#8221; de um lado ou do outro. Mas a grande m\u00eddia \u00e9 apresentada como alto-falantes nesta &#8220;sala p\u00fablica onde todos podem dizer o que quiserem&#8221;. O surgimento da Internet eliminou de alguma forma o poder da m\u00eddia tradicional de ditar a agenda (agenda setting) e a constru\u00e7\u00e3o de &#8220;verdades&#8221; na sociedade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Mas no contexto da m\u00eddia e das redes, &#8220;uma andorinha n\u00e3o faz um ver\u00e3o&#8221;. Apenas uma not\u00edcia mal redigida ou maliciosa n\u00e3o muda a subjetividade geral. \u00c9 necess\u00e1ria a cria\u00e7\u00e3o de um discurso em torno de um assunto ou em torno de um parafuso para que seja gerada uma p\u00f3s-verdade. Murolo (2019) argumenta que &#8220;a melhor maneira de esconder uma grande mentira \u00e9 entre muitas pequenas&#8221;. Desta forma, uma p\u00f3s-verdade que prop\u00f5e que um grupo de pessoas \u00e9 corrupto pode ser constru\u00edda com uma soma de not\u00edcias falsas que falam precisamente de lugares, caminhos e quantidades. Falsas not\u00edcias que d\u00e3o precis\u00e3o e se escudam em verosimilhan\u00e7a&#8221;.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na se\u00e7\u00e3o seguinte analisarei o caso que levou \u00e0 condena\u00e7\u00e3o do ex-presidente do Brasil, Luiz In\u00e1cio Lula da Silva, por suposta corrup\u00e7\u00e3o relacionada \u00e0 aceita\u00e7\u00e3o de subornos para aprovar contratos de grandes empresas. Mas para isso, tamb\u00e9m \u00e9 necess\u00e1rio analisar o contexto da m\u00eddia naquele pa\u00eds, pois, como veremos, o contexto pol\u00edtico e econ\u00f4mico no Brasil est\u00e1 intimamente ligado ao funcionamento da m\u00eddia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>2. Estudo de caso<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A imprensa foi proibida no Brasil at\u00e9 a chegada da fam\u00edlia real, em janeiro de 1808, mais de tr\u00eas s\u00e9culos ap\u00f3s sua descoberta (Zweig, 1941, p. 76). No Brasil de hoje, 211 anos ap\u00f3s a publica\u00e7\u00e3o do primeiro jornal, a situa\u00e7\u00e3o da m\u00eddia \u00e9 bem diferente, mas ainda dominada por oligarquias pol\u00edtico-econ\u00f4micas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Classificado em 105\u00ba lugar em liberdade de imprensa pelos Rep\u00f3rteres Sem Fronteiras em 2019, o Brasil est\u00e1 atr\u00e1s do L\u00edbano (101\u00ba), Ucr\u00e2nia (102\u00ba), Mo\u00e7ambique (103\u00ba) e Montenegro (104\u00ba). A grande imprensa no Brasil \u00e9 hoje dominada por 11 fam\u00edlias que t\u00eam um p\u00e9 na m\u00eddia e outro na pol\u00edtica (Brasil : Se vislumbra&#8230;, 2019) (FNDC &#8211; M\u00eddia brasileira&#8230;, 2019).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Embora a propriedade da m\u00eddia seja proibida por lei no Brasil, de acordo com os Rep\u00f3rteres Sem Fronteiras (Oligop\u00f3lios de m\u00eddia&#8230;, 2017), 32 deputados federais e 8 senadores s\u00e3o propriet\u00e1rios formais da m\u00eddia. Tamb\u00e9m segundo Rep\u00f3rteres (Idem), &#8220;a fam\u00edlia Macedo, que controla o grupo Record e a Igreja Universal do Reino de Deus, tamb\u00e9m domina um partido pol\u00edtico, o Partido Republicano Brasileiro (PRB), que tem um ministro no governo federal, um senador, 34 deputados federais, 37 deputados estaduais, 106 prefeitos e 1.619 conselheiros&#8221;.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A grande m\u00eddia est\u00e1 concentrada no sudeste do pa\u00eds, onde os 50 maiores grupos de m\u00eddia pertencem a 26 grupos econ\u00f4micos (Oligop\u00f3lios de m\u00eddia&#8230;, 2017).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com Rep\u00f3rteres sem Fronteiras:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Nove s\u00e3o do grupo Globo, cinco do grupo Bandeirantes, cinco de Edir Macedo (considerando a Rede Record e os meios de comunica\u00e7\u00e3o da Igreja Universal do Reino de Deus), quatro da RBS, tr\u00eas do grupo Folha. O grupo Estado, o grupo Abril e o grupo Editorial Sempre Editora \/ SADA controlam cada um dois dos ve\u00edculos com o maior p\u00fablico. Os outros grupos possuem apenas um dos meios investigados&#8221; (Oligop\u00f3lios de m\u00eddia&#8230;, 2017).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A Rede Globo e a democracia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, o direito \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o em massa \u00e9 uma concess\u00e3o estatal, ou seja, o Estado disponibiliza um servi\u00e7o de informa\u00e7\u00e3o aos cidad\u00e3os atrav\u00e9s de empresas privadas que oferecem este servi\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>A TV Globo foi oficialmente fundada (legalizada) em 1967, tr\u00eas anos depois de 20 anos de ditadura militar no Brasil. Mas a esta\u00e7\u00e3o de Roberto Marinho n\u00e3o se tornou uma rede, a Rede Globo, at\u00e9 1969 com a transmiss\u00e3o do m\u00edtico Jornal Nacional (Rede Globo, 2019).<\/p>\n\n\n\n<p>Talvez tamb\u00e9m por causa de sua posi\u00e7\u00e3o de lideran\u00e7a, a TV Globo sempre foi alvo de muitas acusa\u00e7\u00f5es, desde promover a aliena\u00e7\u00e3o at\u00e9 ajudar em elei\u00e7\u00f5es fraudulentas no Brasil. Uma das maiores acusa\u00e7\u00f5es tem sido a de apoiar o golpe militar de 1964.&nbsp; De fato, em 2013 o jornal O Globo admitiu apoiar o golpe militar:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A mem\u00f3ria \u00e9 sempre desconfort\u00e1vel para o jornal, mas n\u00e3o h\u00e1 como neg\u00e1-lo. \u00c9 hist\u00f3ria. O Globo, na \u00e9poca, concordou com a interven\u00e7\u00e3o dos militares, ao lado de jornais como &#8216;O Estado de S. Paulo&#8217;, &#8216;Folha de S. Paulo&#8217;, &#8216;Jornal do Brasil&#8217; e &#8216;Correio da Manh\u00e3&#8217;, para citar apenas alguns&#8221;. (Apoio editorial ao&#8230;, 2013)<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 tamb\u00e9m acusa\u00e7\u00f5es de ter feito uma cobertura omissiva do processo de redemocratiza\u00e7\u00e3o conhecido como Diretas j\u00e1 (elei\u00e7\u00f5es diretas j\u00e1 para presidente) e de ter favorecido em 1989 o ent\u00e3o candidato Fernando Color de Melo contra o candidato esquerdista Lula da Silva (Rede Globo, 2019).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O Governo da Dilma e a Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato (lavagem de carros)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No campo pol\u00edtico, a ex-presidente Dilma Rousseff em 2013 teve \u00edndices de popularidade muito altos devido aos bons resultados das pol\u00edticas de seu governo e de seu antecessor, Lula da Silva. Com tanta popularidade, a Dilma decidiu assumir os bancos e cortar as taxas de juros. Isto desagradou muito ao setor financeiro, que viu reduzidas suas possibilidades de crescimento.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A partir de meados de 2013, o Brasil sofreu uma s\u00e9rie de protestos. Os primeiros foram alegadamente motivados pelo aumento de 20 centavos no pre\u00e7o do transporte em S\u00e3o Paulo. Em tr\u00eas semanas, a popularidade da Dilma caiu 27 pontos (Popularidade de Dilma&#8230;, 2013).<\/p>\n\n\n\n<p>Em mar\u00e7o de 2014, a chamada Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato iniciou suas opera\u00e7\u00f5es. O nome da opera\u00e7\u00e3o \u00e9 dado ap\u00f3s o uso de uma rede de lavanderias e postos de gasolina por grupos criminosos para lavar dinheiro.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 em 2008, o empres\u00e1rio Hermes Magnus do setor eletr\u00f4nico denunciou a tentativa de lavagem de dinheiro atrav\u00e9s de sua empresa. As investiga\u00e7\u00f5es levaram a quatro grupos criminosos. Um dos l\u00edderes desses grupos era o cambista Alberto Youssef, que havia comprado um carro para um diretor da companhia petrol\u00edfera estatal Petrobras.&nbsp; &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No final de 2014, apesar da queda de popularidade e apoio, Dilma Rousseff conseguiu ser reeleita, mas seu oponente, A\u00e9cio Neves, senador do PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira), n\u00e3o aceitou os resultados (53% dos votos) e iniciou uma campanha para seu impeachment. Devido \u00e0 pris\u00e3o de alguns membros do Partido dos Trabalhadores da Dilma, A\u00e9cio chamou seu partido de &#8220;organiza\u00e7\u00e3o criminosa&#8221;.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Grupos extremistas de direita surgiram ent\u00e3o em redes sociais: Revoltados Online (Rebeldes Online), MBL (Movimento Brasil Livre) entre outros que n\u00e3o pouparam acusa\u00e7\u00f5es contra membros da esquerda e especialmente os do PT.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Lava Jato e Lula da Silva<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Parte da estrat\u00e9gia da Lava Jato para perturbar as quadrilhas criminosas \u00e9 a chamada &#8220;den\u00fancia recompensada&#8221;, ou seja, um recurso para encorajar os acusados a denunciar outras pessoas em troca de uma redu\u00e7\u00e3o em suas penas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No final de 2015, a Pol\u00edcia Federal do Brasil anunciou um roubo de quase 42,8 bilh\u00f5es de reais da Petrobras. Em dezembro, Lula da Silva testemunhou como informante no caso. N\u00e3o como r\u00e9u. Entretanto, em janeiro do ano seguinte, ele foi acusado sob o regime de informante premiado por Nestor Cerver\u00f3, um ex-diretor da Petrobr\u00e1s que o acusa de t\u00ea-lo nomeado em troca de um empr\u00e9stimo fraudulento. A partir de ent\u00e3o, a imagem de Lula n\u00e3o seria mais a mesma, pelo menos para os membros da Lava Jato e na m\u00eddia (Opera\u00e7\u00e3o Lavagem de carros, 2019).<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2 de mar\u00e7o de 2016, o Juiz Sergio Moro ordenou a pris\u00e3o coerciva de Lula para testemunhar, mas proibiu que o ex-presidente fosse registrado. Em 4 de mar\u00e7o, Lula foi levado \u00e0 for\u00e7a para a Pol\u00edcia Federal. Lula nunca havia recebido uma intima\u00e7\u00e3o para ir \u00e0 pol\u00edcia. O evento foi maci\u00e7amente coberto pela m\u00eddia. Mais tarde ficou conhecido que a opera\u00e7\u00e3o foi gravada e as imagens divulgadas para a m\u00eddia pela pr\u00f3pria Pol\u00edcia Federal. Um ator que interpretaria o personagem de Lula da Silva em uma s\u00e9rie Netflix admitiu assistir \u00e0s grava\u00e7\u00f5es em prepara\u00e7\u00e3o para sua performance (Ator incorporou trejeitos&#8230;, 2019). Ao saber que sua ordem n\u00e3o foi cumprida, a \u00fanica a\u00e7\u00e3o do Juiz Moro foi solicitar informa\u00e7\u00f5es ao Minist\u00e9rio P\u00fablico, que disse que n\u00e3o houve viola\u00e7\u00e3o. Que as imagens foram feitas para garantir o bom funcionamento da opera\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em 16 de mar\u00e7o de 2016, o Juiz Moro do julgamento da Lava Jato escutou a Presidente Dilma em uma conversa com Lula da Silva sobre uma suposta nomea\u00e7\u00e3o dele como Ministro da Casa Civil. Os \u00e1udios foram entregues \u00e0 Rede Globo para publica\u00e7\u00e3o no Jornal Nacional (Fern, C. e Globo, 2016).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em 14 de setembro de 2016, o Procurador Geral da Rep\u00fablica, Deltran Dallagnol, convocou uma coletiva de imprensa em um hotel em Curitiba. Neste evento, o promotor mostrou uma apresenta\u00e7\u00e3o em PowerPoint onde apresentou v\u00e1rias supostas evid\u00eancias de que Lula da Silva era o l\u00edder de um esquema de corrup\u00e7\u00e3o na Petrobras (Nogueira, K., 2016).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o a tal &#8220;evid\u00eancia&#8221;, Dallagnol argumentou que &#8220;a evid\u00eancia \u00e9 uma pe\u00e7a da realidade que gera convic\u00e7\u00e3o sobre um determinado fato ou hip\u00f3tese&#8221;. Para os promotores presentes, Lula da Silva foi &#8220;o comandante m\u00e1ximo da corrup\u00e7\u00e3o na Petrobras&#8221;, pois foi ele quem &#8220;escolheu os nomes para os altos comandos do governo&#8221; e &#8220;\u00e9 o verdadeiro mestre desta orquestra criminosa&#8221; (Nogueira, K., 2016). As acusa\u00e7\u00f5es foram muito fortes, mas a conclus\u00e3o a que chegaram os promotores foi a seguinte:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;N\u00e3o temos provas, mas temos convic\u00e7\u00e3o&#8221; (Nogueira, K., 2016).<\/p>\n\n\n\n<p>O ex-presidente foi finalmente condenado pelo Juiz Sergio Moro a 12 anos e um m\u00eas de pris\u00e3o pelo caso do suposto recebimento de um apartamento de uma construtora em que Lula da Silva nunca dormiu uma noite e nunca teve um registro legal de posse. Ele foi impedido de concorrer \u00e0 presid\u00eancia em 2018. O promotor Deltran Dallagnol continua como promotor do Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal e o Juiz Sergio Moro foi nomeado Ministro da Justi\u00e7a e Seguran\u00e7a P\u00fablica do candidato vencedor, Jair Messias Bolsonaro.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A p\u00f3s-verdade&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Como disse Manuel Castells, &#8220;poder \u00e9 mais que comunica\u00e7\u00e3o, e comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 mais que poder&#8221;. Mas o poder depende da comunica\u00e7\u00e3o, assim como a contra-pot\u00eancia depende da quebra desse controle&#8221;. Manuel Castells (Comunica\u00e7\u00e3o e Poder, p.23). Por esta raz\u00e3o, os interessados em projetos de poder v\u00eaem a m\u00eddia como uma grande possibilidade de construir seu poder.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>As pot\u00eancias que existem no Brasil, um pa\u00eds com dimens\u00f5es continentais, s\u00e3o enormes. S\u00e3o grupos olig\u00e1rquicos, de m\u00eddia, religiosos, militares, econ\u00f4micos e judiciais. Meu argumento \u00e9 que muitos desses grupos s\u00e3o constitu\u00eddos como uma colabora\u00e7\u00e3o t\u00e1cita. N\u00e3o \u00e9 um acordo silencioso, mas indiv\u00edduos e grupos se ap\u00f3iam mutuamente por causa da sobreposi\u00e7\u00e3o de interesses. Estamos falando aqui dos mesmos mecanismos psicol\u00f3gicos que operam dentro de outros grupos fechados, as chamadas bolhas ideol\u00f3gicas.&nbsp; &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Um exemplo desta colabora\u00e7\u00e3o t\u00e1cita poderia ser o impeachment de Dilma Rousseff iniciado por pol\u00edticos que se opunham a ela, divulgado na grande m\u00eddia, apoiado por grupos de direita nas redes sociais, e embora nenhum crime tenha sido encontrado, Dilma acabou sendo impedida, negando os fatos e impondo o poder de decis\u00e3o. Vale notar que, nestes processos, o sil\u00eancio tamb\u00e9m \u00e9 uma forma de colabora\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na pr\u00e1tica, esta colabora\u00e7\u00e3o gera a constru\u00e7\u00e3o de uma &#8220;verdade&#8221;, de uma subjetividade social que tem o poder de polarizar a sociedade. Ela gera uma bola de neve onde a verdade n\u00e3o tem mais que estar relacionada \u00e0 realidade. O mais importante \u00e9 o consenso, como afirma Dar\u00edo Sztajnszrajber (citado em Murolo, 2019), &#8220;embora a verdade n\u00e3o exista, o consenso \u00e9 gerado, muito dirigido a partir de certos estratos de poder para estabelecer que certas id\u00e9ias passam como se fossem verdadeiras&#8221; (Murolo, 2019).<\/p>\n\n\n\n<p>Murolo (2019) argumenta que &#8220;not\u00edcias falsas s\u00e3o geralmente baseadas no uso do verbo no condicional, para ent\u00e3o afirmar dados &#8211; datas e lugares &#8211; que emba\u00e7am o pr\u00f3prio condicional para se tornarem uma afirma\u00e7\u00e3o&#8221;. Desta forma, as hist\u00f3rias s\u00e3o moldadas por m\u00faltiplos interesses e preconceitos de confirma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Desta forma, a id\u00e9ia apresentada por Murolo (2019) de que &#8220;a melhor maneira de esconder uma grande mentira \u00e9 entre muitas pequenas&#8221; \u00e9 fundamental.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O Telegrama e Lava Jato<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Recentemente, o jornal de investiga\u00e7\u00e3o digital The Intercept come\u00e7ou a publicar uma s\u00e9rie de vazamentos sobre as a\u00e7\u00f5es do ex-juiz Sergio Moro e do promotor Deltran Dallagnol, que supostamente mostraram uma rela\u00e7\u00e3o de coopera\u00e7\u00e3o, e at\u00e9 mesmo orienta\u00e7\u00e3o do ex-juiz nas a\u00e7\u00f5es da Lava Jato.<\/p>\n\n\n\n<p>Membros da for\u00e7a tarefa Lava Jato, outros ju\u00edzes e funcion\u00e1rios do judici\u00e1rio supostamente comunicados, dispersos em v\u00e1rios grupos de Telegramas. Esses grupos poderiam ter o potencial de gerar uma bolha ideol\u00f3gica?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Michel Hoechsmann, Paul R. Carr e Gina Th\u00e9s\u00e9e (2019) mais uma vez chamam nossa aten\u00e7\u00e3o para a polariza\u00e7\u00e3o em ambientes digitais, dizendo:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;a volatilidade das informa\u00e7\u00f5es em ambientes digitais tem afetado a qualidade do discurso de um usu\u00e1rio que, na aus\u00eancia de um conjunto compartilhado de textos chave, tende cada vez mais a ler apenas aquilo que concorda com suas opini\u00f5es anteriores&#8221;.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, os autores advertem sobre as graves conseq\u00fc\u00eancias dessas bolhas ideol\u00f3gicas para a democracia:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;As implica\u00e7\u00f5es que estes processos t\u00eam para uma democracia significativa, funcional e cr\u00edtica s\u00e3o numerosas, e grande parte da estrat\u00e9gia em torno do uso e desenvolvimento de tecnologias digitais novas e alternativas relaciona-se mais com a forma de ganhar uma elei\u00e7\u00e3o do que com a constru\u00e7\u00e3o de uma democracia participativa&#8221; ( Hoeschsmann, M., R. Carr, P., &amp; Th\u00e9s\u00e9e, G., 2019).<\/p>\n\n\n\n<p>As investiga\u00e7\u00f5es est\u00e3o apenas come\u00e7ando a desvendar este novo epis\u00f3dio da Opera\u00e7\u00e3o Lavagem de Ve\u00edculos. Muitos fatos ainda est\u00e3o sendo publicados por The Intercept e outros meios de comunica\u00e7\u00e3o brasileiros. Ser\u00e1 necess\u00e1rio esperar para saber mais sobre estes fatos. Entretanto, este \u00e9 certamente um exemplo de como os setores pol\u00edtico, econ\u00f4mico, da m\u00eddia e jur\u00eddico podem estar enredados na estrutura de poder da sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>3. Conclus\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Concluindo, podemos dizer que o Brasil est\u00e1 atualmente mostrando fortes sinais de constru\u00e7\u00e3o p\u00f3s-verdade, seja por causa dos interesses pol\u00edtico-econ\u00f4micos de sua m\u00eddia, seja por causa do poder exagerado que exercem, seja por causa do sentimento de impunidade que esta situa\u00e7\u00e3o gera.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m conclu\u00edmos que h\u00e1 uma polariza\u00e7\u00e3o na sociedade brasileira devido ao impeachment de Dilma Rousseff e ao impedimento da candidatura de Lula da Silva, eventos que podem ser vistos como ultrajes do sistema democr\u00e1tico e que podem levar \u00e0 exacerba\u00e7\u00e3o de posi\u00e7\u00f5es em redes sociais e na sociedade como um todo. Tudo isso tem o poder de gerar posi\u00e7\u00f5es partid\u00e1rias, mesmo por parte dos poderes estabelecidos.<\/p>\n\n\n\n<p>De modo mais geral, conclu\u00edmos que:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>No mundo de hoje, a produ\u00e7\u00e3o da &#8220;verdade&#8221; est\u00e1 cada vez mais distante da realidade f\u00edsica e muito mais pr\u00f3xima dos projetos de poder.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>Os meios de comunica\u00e7\u00e3o de massa n\u00e3o perderam o poder de ditar o que \u00e9 e o que n\u00e3o \u00e9 falado na sociedade. Que a disputa para impor a narrativa \u00e9 \u00e0 l&#8217;ordre du jour. Uma disputa que tamb\u00e9m representa uma forma de lutar por uma sociedade democr\u00e1tica e justa.&nbsp;<\/li><\/ul>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>O Brasil precisa de mais garantias para o livre exerc\u00edcio do jornalismo e isto requer o fortalecimento do Estado de Direito e uma nova lei de m\u00eddia que regule o setor para evitar oligop\u00f3lios de m\u00eddia e controle ideol\u00f3gico. A informa\u00e7\u00e3o \u00e9 um direito, assim como a comunica\u00e7\u00e3o, e o Estado deve garantir esses direitos.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>No contexto atual do Brasil, \u00e9 importante que a m\u00eddia mostre determina\u00e7\u00e3o em produzir jornalismo Parciall para garantir credibilidade e assim varrer o avan\u00e7o das ideologias fascistas que se aproveitam deste descr\u00e9dito para tomar conta do espa\u00e7o narrativo.&nbsp;<\/li><\/ul>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>E finalmente, vemos a necessidade de distanciar o judici\u00e1rio da m\u00eddia por causa do risco de que a espetaculariza\u00e7\u00e3o do judici\u00e1rio tamb\u00e9m prejudique sua credibilidade e sua a\u00e7\u00e3o livre de erros.&nbsp;<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p><strong>6. Bibliografia e Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Albert, P. (2003). <em>Histoire de la presse<\/em> (10. \u00e9d., Mise \u00e0 jour, 67. mille). Paris: Presses Univ. de France.<\/p>\n\n\n\n<p>Apoio editorial ao golpe de 64 foi um erro. (2013, agosto 31). Recuperado 23 de junio de 2019, de O Globo website: https:\/\/oglobo.globo.com\/brasil\/apoio-editorial-ao-golpe-de-64-foi-um-erro-9771604<\/p>\n\n\n\n<p>Benjamin, W., Weikert, A. E., &amp; Echeverr\u00eda, B. (2003). <em>La Obra de arte en la \u00e9poca de su reproductibilidad t\u00e9cnica: [Urtext<\/em>. Colonia del Mar, M\u00e9xico: Itaca.<\/p>\n\n\n\n<p>Brasil\u202f: Se vislumbra un periodo oscuro | Reporteros sin fronteras. (s.&nbsp;f.). Recuperado 23 de junio de 2019, de RSF website: <a href=\"https:\/\/rsf.org\/es\/brasil\">https:\/\/rsf.org\/es\/brasil<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Fern, Castro,&nbsp; o, &amp; Globo, S. N. e V. N. G. P. e da T. (2016, marzo 16). Moro derruba sigilo e divulga grampo de liga\u00e7\u00e3o entre Lula e Dilma; ou\u00e7a. Recuperado 24 de junio de 2019, de Paran\u00e1 website: http:\/\/g1.globo.com\/pr\/parana\/noticia\/2016\/03\/pf-libera-documento-que-mostra-ligacao-entre-lula-e-dilma.html<\/p>\n\n\n\n<p>Flusser, V. (2001). <em>Una filosof\u00eda de la fotograf\u00eda<\/em>. Madrid: Ed. S\u00edntesis.<\/p>\n\n\n\n<p>FNDC &#8211; M\u00eddia brasileira \u00e9 controlada por apenas 11 fam\u00edlias. (s.&nbsp;f.). Recuperado 23 de junio de 2019, de FNDC website: http:\/\/fndc.org.br\/noticias\/midia-brasileira-e-controlada-por-apenas-11-familias-924625\/<\/p>\n\n\n\n<p>Hoeschsmann, M., R. Carr, P., &amp; Th\u00e9s\u00e9e, G. (2019). Viejos, nuevos medios y Democracia 2.0. En <em>La posverdad: Una cartograf\u00eda de los medios, las redes y la pol\u00edtica<\/em> (Primera). Editorial GEDISA.<\/p>\n\n\n\n<p>Kr\u00fcger, K. (2006, octubre 25). El concepto de la \u00abSociedad del Conocimiento\u00bb. <em>Revista Bibliogr\u00e1fica de Geograf\u00eda y Ciencias Sociales<\/em>, <em>XI<\/em>(683), 1-14.<\/p>\n\n\n\n<p>Marx, K., &amp; Engels, F. (1974). <em>La ideolog\u00eda alemana<\/em>. Barcelona: Grijalbo.<\/p>\n\n\n\n<p>Murolo, L. (2019). La posverdad es mentira. Un aporte conceptual sobre fake news y periodismo. En <em>La posverdad: Una cartograf\u00eda de los medios, las redes y la pol\u00edtica.<\/em> Gedisa Editorial.<\/p>\n\n\n\n<p>Nogueira, K. (2016, septiembre 14). \u00abN\u00e3o temos provas, mas convic\u00e7\u00e3o\u00bb: o powerpoint de Dallagnol nos jogou de vez no Paraguai. Por Kiko Nogueira. Recuperado 24 de junio de 2019, de Di\u00e1rio do Centro do Mundo website: https:\/\/www.diariodocentrodomundo.com.br\/nao-temos-provas-mas-conviccao-o-powerpoint-de-dallagnol-nos-jogou-de-vez-no-paraguai-por-kiko-nogueira\/<\/p>\n\n\n\n<p>Operaci\u00f3n Autolavado. (2019). En <em>Wikipedia, la enciclopedia libre<\/em>. Recuperado de https:\/\/es.wikipedia.org\/w\/index.php?title=Operaci%C3%B3n_Autolavado&amp;oldid=116853272<\/p>\n\n\n\n<p>Popularidade de Dilma cai 27 pontos ap\u00f3s protestos &#8211; 29\/06\/2013 &#8211; Poder. (s.&nbsp;f.). Recuperado 24 de junio de 2019, de Folha de S.Paulo website: http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/poder\/2013\/06\/1303541-popularidade-de-dilma-cai-27-pontos-apos-protestos.shtml<\/p>\n\n\n\n<p>Rede Globo. (2019). En <em>Wikip\u00e9dia, a enciclop\u00e9dia livre<\/em>. Recuperado de https:\/\/pt.wikipedia.org\/w\/index.php?title=Rede_Globo&amp;oldid=55297103<\/p>\n\n\n\n<p>Zweig, S. (1941). <em>Brasil, pa\u00eds do futuro<\/em>. Editora Guanabara.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Acompanhe as m\u00eddias de Ermeson:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Instagram: @ermeson_vieira_gondim<br>Youtube: https:\/\/www.youtube.com\/channel\/UCDphyzfI-IQQyzvxJ-hMGSw<br><em>@cultura_acentuada<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Acesse seu livro (<em>ebook<\/em>) \u201c<a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/dp\/B09V3BFFWD\/ref=cm_sw_r_tw_dp_00EDC4131YE83YX60BAK\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Jonas em Guaramiranga<\/a>\u201d : via @amazonBR<\/p>\n\n\n\n<p>Nota: Os textos, cita\u00e7\u00f5es, e opini\u00f5es s\u00e3o fornecidos pelo autor, sendo de sua exclusiva responsabilidade, e podem n\u00e3o expressar \u2013 no todo ou em parte, a opini\u00e3o dos Coletivos da Fibra.<\/p>\n","protected":false,"gt_translate_keys":[{"key":"rendered","format":"html"}]},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Ermeson Vieira Gondim Em fevereiro de 2015 escrevi um texto entitulado \u2018Debates sobre p\u00f3s-verdade e fake news no caso judicial do ex-presidente do 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