{"id":8828,"date":"2022-07-21T23:41:05","date_gmt":"2022-07-21T21:41:05","guid":{"rendered":"http:\/\/fibrainternacional.org\/?p=8828"},"modified":"2022-07-21T23:41:31","modified_gmt":"2022-07-21T21:41:31","slug":"alceu-valenca-e-a-nova-turne-europeia-entrevista-exclusiva","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fibrainternacional.org\/?p=8828","title":{"rendered":"Alceu Valen\u00e7a e a nova turn\u00ea europeia. Entrevista Exclusiva.","gt_translate_keys":[{"key":"rendered","format":"text"}]},"content":{"rendered":"\n<p>Por Fl\u00e1vio Carvalho, soci\u00f3logo e escritor.<br>@1flaviocarvalho | @quixotemacunaima<\/p>\n\n\n\n<p>Barcelona\/Olinda, julho de 2022.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right has-pale-cyan-blue-background-color has-background\"><strong>\u201cEu previ assim: a Bunda vai derrubar o Muro de Berlim\u201d<\/strong>.<br>(Alceu Valen\u00e7a\/em entrevista &#8211; junho de 2022)<\/p>\n\n\n\n<p>Acabando de completar 76 anos, no dia 1 de julho passado, Valen\u00e7a nos recebeu e contou novidades e muitas curiosidades do tempo em que o artista maior de S\u00e3o Bento do Una ganhou, no exterior, o t\u00edtulo:<strong> <em>The Protest Song, Brazilian Bob Dylan<\/em>.<\/strong><strong><\/strong><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignright size-large is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/Screenshot-2022-07-21-at-10.46.23-1024x583.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-8829\" width=\"412\" height=\"234\" srcset=\"https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/Screenshot-2022-07-21-at-10.46.23-1024x583.png 1024w, https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/Screenshot-2022-07-21-at-10.46.23-600x342.png 600w, https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/Screenshot-2022-07-21-at-10.46.23-300x171.png 300w, https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/Screenshot-2022-07-21-at-10.46.23-768x437.png 768w, https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/Screenshot-2022-07-21-at-10.46.23-1536x874.png 1536w, https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/Screenshot-2022-07-21-at-10.46.23-2048x1166.png 2048w, https:\/\/fibrainternacional.org\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/Screenshot-2022-07-21-at-10.46.23-1170x666.png 1170w\" sizes=\"(max-width: 412px) 100vw, 412px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Leia todos os detalhes desta conversa recente, animada e cheia de poesia com este \u00edcone da m\u00fasica brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando dois olindenses se encontram ou se reencontram, apesar de qualquer dist\u00e2ncia, sempre h\u00e1 de haver uma ladeira. Na casa de Alceu, um pouco acima do seu chap\u00e9u de palha, havia um quadro que se destacava, pendurado na parede: uma t\u00edpica imagem olindense, colorida. Foi o suficiente para uma boa conversa, com o objetivo principal de falar das cidades europeias onde o cantor e compositor pernambucano est\u00e1, neste momento, carregando toda essa energia positiva.<\/p>\n\n\n\n<p>Valen\u00e7a tratou de temas da sua inf\u00e2ncia, revisitou parte significativa de sua obra musical e detalhou suas rela\u00e7\u00f5es sentimentais com cada cidade ou pa\u00eds, \u201cpelas ruas que andou\u201d (e por onde, sim, logo voltar\u00e1!). Contador de causos, imitador cheio de gra\u00e7a, n\u00e3o escondia a satisfa\u00e7\u00e3o pela boa acolhida dos seus \u00faltimos trabalhos junto \u00e0s \u201cnovas gera\u00e7\u00f5es\u201d: &#8211; \u201ca visualiza\u00e7\u00e3o da Belle de Jour na Internet, bateu mais de 200 milh\u00f5es \u2013 219 milh\u00f5es para ser exato. E isso n\u00e3o \u00e9 pouco. \u00c9 quase como se a popula\u00e7\u00e3o de todo o Brasil tivesse me visto, a mim, lembrando<strong> <em>da mo\u00e7a bonita na Praia de Boa Viagem <\/em><\/strong>\u2013 e foi justamente pra ela que eu escrevi o meu primeiro Blues\u201d \u2013 explicou-me, cantarolando. E tudo isso por uma m\u00fasica que ningu\u00e9m escutou muito quando ela saiu, que fala de uma mo\u00e7a que estava dan\u00e7ando m\u00fasica cl\u00e1ssica na frente da casa da minha m\u00e3e, l\u00e1 em Boa Viagem&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Confira, a seguir, a entrevista.<\/p>\n\n\n\n<p>FC: Valen\u00e7a, eu posso come\u00e7ar voltando no tempo? Estamos comemorando 40 anos de lan\u00e7amento de um disco que virou a minha cabe\u00e7a e de toda uma gera\u00e7\u00e3o (n\u00e3o somente em Olinda). Cavalo de Pau. Voc\u00ea estava morando na Europa, antes de voltar ao Brasil e explodir com esse disco que vendeu um milh\u00e3o e seiscentas mil c\u00f3pias.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>AV: Pois \u00e9. Tem hist\u00f3ria. Antes disso, no ano 1979 eu gravei Saudades de Pernambuco, quando eu morava em Paris, num au<\/strong><strong>toex\u00edlio. Ent\u00e3o j\u00e1 faz tempo que eu fa\u00e7o muitos shows pela Europa. Voltei cheio de inspira\u00e7\u00e3o e gravei, sim, Cavalo de Pau. Eu tava muito inspirado. Depois eu fiquei indo e voltando para fazer meus shows na Europa. Eu tenho boas lembran\u00e7as, por exemplo, da grava\u00e7\u00e3o do disco M\u00e1gico, na Holanda.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>FC: Eu te proponho fazermos, juntos, ent\u00e3o, o percurso da Turn\u00ea Europeia, que est\u00e1 em pleno andamento, de 14 a 30 de Julho. Come\u00e7ando por Amsterdam, em Melkweg. Vamos?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>AV: Claro, vamos sim. Come\u00e7ando pela Holanda, que sempre me inspirou muito.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Alceu se interrompe para cantar <strong>\u201cMoinhos, Moinhos, Moinhos de Holanda\u201d<\/strong>&#8230; Salta para outra parte da sua pr\u00f3pria composi\u00e7\u00e3o: \u201c<strong>Coqueiros de Olinda, Moinhos de Holanda\u201d<\/strong>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>FC: Sua rela\u00e7\u00e3o com a Holanda vem de longe, n\u00e9?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>AV: Eu me lembro de quando eu preparei toda uma comitiva para receber a ilustre visita de um pr\u00edncipe holand\u00eas &#8211; que at\u00e9, depois, virou rei da Holanda. Ser\u00e1 que ele viria no meu pr\u00f3ximo show, em Amsterd\u00e3? Eu montei num cavalo branco, aqui na frente do Mosteiro de S\u00e3o Bento, e preparamos uma comitiva de Caboclos de Lan\u00e7a, muito bonito, do Maracatu Rural. A gente fez um almo\u00e7o muito louco praquele pr\u00edncipe, na minha casa, em Olinda. Depois daquele tempo eu passei a me vestir de Maur\u00edcio de Nassau, fantasiado, pelo carnaval. A Holanda \u00e9 uma maravilha.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>FC: O que j\u00e1 conhecias da Holanda, antes de fazer aqueles shows, composi\u00e7\u00f5es e grava\u00e7\u00f5es por l\u00e1?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>AV: Pois bem&#8230; Quando eu tinha perto de 12 anos eu respondi v\u00e1rias perguntas sobre a Holanda, num programa chamado O C\u00e9u \u00e9 o Limite. E eu sabia quase tudo sobre a Invas\u00e3o Holandesa. E eu fui ganhando, avan\u00e7ando, naquele <\/strong><strong>programa. Enquanto meu pai dizia \u201cDesista!\u201d, e eu n\u00e3o desisti. Eu s\u00f3 parei quando me botaram uma pergunta errada. Depois me pediram desculpas e mandaram me chamar de volta, mas eu n\u00e3o voltei.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>FC: Jogaram uma casca de banana pra Alceu Valen\u00e7a quando ele ainda era crian\u00e7a, no programa O C\u00e9u \u00e9 o Limite?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>AV: Exatamente. E foi assim que eu dei tchau pra aquele programa. J\u00e1 n\u00e3o dava mais. Deixei.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>FC: J\u00e1 vejo que come\u00e7ar a turn\u00ea por Amsterdam te trouxe muitas lembran\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>AV: E realmente est\u00e1 tudo relacionado, foi na Holanda que um diretor da Polygram, chamado Cor Van Dyke, queria me lan\u00e7ar internacionalmente. O cara era muito importante e todo mundo me falava dele. Acontece que eu n\u00e3o tinha a menor ideia de quem ele era. S\u00f3 sei que dali eu tive um impulso para gravar o disco <em>M\u00e1gico<\/em>.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>O cara era o diretor geral da gravadora na Europa e eu me perguntando quem diabos era Cor Van Dyke. J\u00e1 pensou?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Alceu n\u00e3o para de rir relembrando esse epis\u00f3dio&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPassarinho do dia, como o Can\u00e1rio. Passarinho da noite, como o Bacurau. E caminharemos pela Rua do Amparo sobre a Lua de S\u00e3o Jorge nos protegendo do Mal\u201d&#8230; Eu n\u00e3o resisto e interrompo a entrevista mencionando essa can\u00e7\u00e3o, que abre o disco M\u00e1gico, mencionado pelo compositor. At\u00e9 que Alceu me pergunta de onde eu sou. \u201cEu, Fl\u00e1vio, sou de Olinda\u201d. &#8211;<strong>\u201c\u00c9 amigo de Serginho\u201d<\/strong>, comenta Alceu \u2013 me trazendo com ele pra Olinda.<\/p>\n\n\n\n<p>FC: Vamos ent\u00e3o, Valen\u00e7a, para&#8230; Berlim! Um Festival em Kreuzberg!<\/p>\n\n\n\n<p><strong>AV: Em Berlim a primeira coisa importante e que me vem \u00e0 mente \u00e9 que, l\u00e1, eu tenho queridos parentes. Como a minha sobrinha, Ricarda. Que eu at\u00e9 gostaria de poder visitar, mas a turn\u00ea \u00e9 algo t\u00e3o intenso que eu lamento n\u00e3o poder dedicar todo o tempo que eu queria para essas cidades bonitas da Europa. \u00c9 um show atr\u00e1s do outro. Tudo muito intenso. N\u00e3o vai dar tempo de curtir tranquilamente, infelizmente.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>FC: Estivestes em Berlim quando ainda havia o muro, sim?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>AV: Eu tenho boas lembran\u00e7as desse tempo, em que eu passava v\u00e1rias vezes de Berlim Ocidental pro lado Oriental. E o curioso \u00e9 que ningu\u00e9m criou caso com a gente. Eu n\u00e3o via aquela agressividade t\u00e3o grande que ent\u00e3o me falavam. At\u00e9 que num certo dia, eu procurei um banheiro, e falei pras autoridades na fronteira, que estavam dentro de uma Van: vai cair esse Muro de Berlim. Ficaram surpresos e me perguntaram, como \u00e9 que o muro iria cair. Por causa do papel higi\u00eanico de voc\u00eas, eu respondi. \u00c9 que parece uma lixa! A bunda vai derrubar o Muro de Berlim! E n\u00e3o \u00e9 que aconteceu logo depois?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>FC: Grande Alceu. Um profeta do agreste pernambucano em Berlim!<\/p>\n\n\n\n<p><strong>AV: Pois bem, eu vou lembrando muitas coisas agora mesmo, na minha cabe\u00e7a. Em Berlim tinha um operador de c\u00e2mera incr\u00edvel chamado Ilverson. Me ajudou a gravar, acho que no est\u00fadio da <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Philips_Records\">Philips<\/a>, o <a href=\"https:\/\/youtu.be\/V_t37hGu38U\">Rock de Repente, Que Grilo D\u00e1<\/a>, com uma rapidez genial. Ficou na minha cabe\u00e7a, foi maravilhoso. Tem at\u00e9 um videoclipe e um <a href=\"Pelas%20Ruas%20Que%20Andei%20(2013)%20-%20DOCUMENT\u00c1RIO%20com%20Alceu%20Valen\u00e7a\">document\u00e1rio na Internet<\/a>. Merece ser visto. Eu recomendo.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>FC: Precisamente, Alceu, farei quest\u00e3o de te lembrar: s\u00e3o 12 shows em 8 pa\u00edses. Ali\u00e1s, como \u00e9 que tu aguentas, rapaz?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>AV: \u00c9, mas eu aguento, sim. Aqui no Brasil tudo \u00e9 at\u00e9 muito mais distante. Pra quem est\u00e1 acostumado, como eu, a viajar de um show em Porto Alegre pra outro show em Fortaleza, essas dist\u00e2ncias aqui da Europa n\u00e3o t\u00eam nem compara\u00e7\u00e3o. N\u00e9?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Veja bem, eu fiz anivers\u00e1rio no dia 1 de <\/strong><strong>julho e o pessoal da Funda\u00e7\u00e3o Progresso disse que eu era doido de fazer show no dia do meu anivers\u00e1rio e pensaram que eu n\u00e3o ia querer. Eu falei: eu quero \u00e9 palco!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>FC: Tens toda raz\u00e3o. Vamos ent\u00e3o para Dublin? Eu s\u00f3 me lembro dos grandes escritores, Joyce, Becket, Oscar Wilde&#8230; Teu show, no <em>Button Factory<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>AV: Eu gosto muito da cultura europeia. Tenho muitas lembran\u00e7as. Vou gostar de visitar as cidades por onde andei, mas ao mesmo tempo estou empolgado em conhecer lugares novos, para mim, como Dublin. Prepararam-me bem, falando da Irlanda, dizendo que \u00e9 bacana demais. E realmente \u00e9 bom demais, bom demais, sim.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>FC: Eu vou aqui, Valen\u00e7a, seguindo o teu roteiro&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>AV: \u00c9 voc\u00ea que vai me lembrando. Muito bom. V\u00e1 me dizendo a\u00ed que eu t\u00f4 preparado&#8230;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>FC: Depois, Valen\u00e7a, tr\u00eas shows seguidos em Londres: tr\u00eas shows seguidos no m\u00edtico <em>The Jazz Cafe<\/em>. Eu li um jornalista ingl\u00eas, muitos anos atr\u00e1s, insistindo nas tuas influ\u00eancias do rock brit\u00e2nico, te chamando de roqueiro&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>AV: Eu gosto muito de Londres. Fiz shows por l\u00e1, acho que no ano 93, voltando de Nova York. Fomos pra Fran\u00e7a, It\u00e1lia, voltamos a Berlim&#8230; Eram muitas turn\u00eas. E depois eu fui fazendo mais turn\u00eas aqui mesmo, por esse grande Brasil. E hoje em dia estamos, aos poucos, voltando \u00e0s viagens internacionais. Eu acho que com a <\/strong><strong>internet, a quest\u00e3o da linguagem universal da m\u00fasica vai se tornando cada vez mais universal. Antigamente at\u00e9 havia a quest\u00e3o angl\u00f3fona com certo predom\u00ednio, mas que hoje caiu muito com a quest\u00e3o da <\/strong><strong>internet. Por exemplo, eu vi \u2013 recentemente \u2013 um cara, perto de mim, ouvindo uma m\u00fasica inglesa, depois entrou uma m\u00fasica indiana. N\u00e3o \u00e9 legal?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Mas, bem, voltando a esse assunto, eu, de fato, n\u00e3o sou roqueiro.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Quando eu fui para o <em><a href=\"https:\/\/www.nycgo.com\/events\/summerstage\/\">SummerStage, em Nova York<\/a><\/em>, houve aquele jornalista do <em>New York Times<\/em> que n\u00e3o entendeu a minha m\u00fasica. Quem melhor entendeu a minha m\u00fasica foi Luiz Gonzaga, quando falou que eu inventei um timbre \u2013 <\/strong>e aqui Alceu volta a imitar a fala de Gonzaga:<strong>-\u2018olha Alceu juntando a guitarra com a flauta, parecendo uma Banda de Pife El\u00e9trica\u2019. Gonzaga entendeu, porque m\u00fasica tem aquela coisa: melodia, harmonia e ritmo. E como na minha m\u00fasica eu tinha aquela pegada, vamos dizer assim, dos instrumentos que eram utilizados pelo <\/strong><strong><em>rock<\/em>, a distor\u00e7\u00e3o que eu usava confundia as pessoas. Na verdade, meu irm\u00e3o, a quest\u00e3o \u00e9 que eu n\u00e3o ouvi muita m\u00fasica, n\u00e3o. N\u00e3o ouvia porque o meu pai n\u00e3o queria que eu fosse artista. N\u00e3o ouvia porque eu nunca aprendi m\u00fasica. N\u00e3o ouvi porque a m\u00fasica que eu aprendi era a m\u00fasica que tocava no r\u00e1dio quando eu era pequeno. E olha que eu tinha condi\u00e7\u00f5es, sim, de ter radiola em casa, porque o meu pai era Promotor P\u00fablico. Mas era pra eu n\u00e3o me influenciar e n\u00e3o seguir a carreia de artista. T\u00e1 entendendo? Desta maneira foi que eu me descobri. Eu nem compunha. N\u00e3o tocava. At\u00e9 hoje eu tenho essas dificuldades.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Eu inventei de ser artista quando eu fui pros Estados Unidos. Pra Boston. Pra Universidade de Harvard. De repente eu peguei num viol\u00e3o que n\u00e3o era nem meu, emprestado de um amigo e passei a tocar na rua. A\u00ed todo mundo adorava. Era a \u00e9poca da Guerra do Vietn\u00e3. Os <\/strong><strong><em>hippies<\/em> botavam a m\u00e3o na cabe\u00e7a e pareciam que estava at\u00e9 baixando um santo neles.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Da\u00ed passou um jornalista chamado de uma localidade l\u00e1 perto de Boston, chamada <em>Fall River<\/em>, e me perguntou: <\/strong><strong>-\u2018que m\u00fasica \u00e9 essa?\u2019 Eu disse: \u00e9 A Minha! <\/strong><strong>-\u2018Mas quem \u00e9 voc\u00ea?\u2019 &#8211; ele insistiu em perguntar. Eu sou um estudante aqui da Universidade, respondi. <\/strong><strong>-\u2018Mas \u00e9 Brasil? Isso \u00e9 Samba?\u2019 &#8211; ele continuou: Eu disse: n\u00e3o; pois o samba \u00e9 mais de outros locais do Brasil. E eu sou de Pernambuco. Ele ent\u00e3o perguntou: <\/strong><strong>-\u2018e voc\u00ea faz que tipo de m\u00fasica?\u2019 Eu respondi assim: eu fa\u00e7o m\u00fasica rom\u00e2ntica, e m\u00fasica contra a ditadura. Era uma reuni\u00e3o do grupo ativista aquele, Os Panteras Negras. Da\u00ed ele escreveu: Alceu Valen\u00e7a<\/strong><strong>: The Protest Song; Brazilian Bob Dylan. P<\/strong><strong>orra<\/strong><strong>! eu n\u00e3o tinha nem como ouvir Bob Dylan naquela \u00e9poca, como eu j\u00e1 expliquei. At\u00e9 sabia quem ele era, mas nunca tinha ouvido. Pois bem, depois que eu voltei pra Nova York e toquei no <em>Village<\/em>, a\u00ed sim. Eu trabalhei como jornalista, rep\u00f3rter, no JB, o Jornal do Brasil, e na Revista Bloch. E a\u00ed sim, eu fiquei mais por l\u00e1, me inspirando pra voltar pro Brasil e me inscrever no Festival Internacional da Can\u00e7\u00e3o. E logo que eu cantei no Brasil, a primeira vez, foi no Gin\u00e1sio do Maracan\u00e3zinho. Imenso! Da\u00ed em diante, eu, j\u00e1 advogado, entrei pra trabalhar num escrit\u00f3rio de advocacia. Por\u00e9m, fui dar raz\u00e3o \u00e0 outra parte, \u00e0 parte contr\u00e1ria \u00e0 minha. A\u00ed n\u00e3o deu, n\u00e9? Ca\u00ed fora.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>E pra terminar essa hist\u00f3ria da minha rela\u00e7\u00e3o com o <\/strong><strong><em>rock<\/em>, eu cantei l\u00e1 nos Estados Unidos no <em>Cool Jazz Festival<\/em>. Perguntaram logo de onde eu vinha, sobre aquela m\u00fasica que eles diziam n\u00e3o saber de onde vinha. E, em seguida, me perguntaram se eu conhecia o <em>Yes<\/em>. Eu disse logo: N\u00e3o! <\/strong><strong>-\u2018Mas voc\u00ea n\u00e3o ouviu nem <em>Rolling Stones<\/em>?\u2019 \u2013 insistiram em me perguntar. Eu sabia ent\u00e3o somente uma m\u00fasica deles, dos <em>Rolling Stones<\/em>.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em>Alceu come\u00e7a a imitar Micky Jagger cantando Satisfaction e acaba com uma gargalhada boa.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>AV: Da\u00ed em diante, eles escreveram assim: Alceu Valen\u00e7a, o <em>rock<\/em> que n\u00e3o \u00e9 <em>rock<\/em>.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>FC: Raul Seixas dizia o mesmo sobre o \u201croqueiro\u201d Luiz Gonzaga.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>AV: Cara, quando eu cantei no <em>Rock in Rio<\/em>, veio falar comigo aquele cantor, o George Benson, e eu nem sabia quem ele era. Eu n\u00e3o ouvia&#8230;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Mas, deixa eu seguir. Claro que eu respeito todo mundo. Mas me perguntaram: <\/strong><strong>-\u2018e Micky Jagger<\/strong><strong>?\u2019 O cara do cavalo ingl\u00eas? Micky Jegue! Que eu mesmo pego o Jegue, associo a Jumento e vou montando no meu cavalo, vou montado no jumento. Pronto. Que ele, Micky Jegue vai montado no cavalo dele e eu no meu jumento. Mas eu n\u00e3o quero ser ele. Nem ele quer ser eu. Eu quero ser eu! Eu fa\u00e7o as coisas do jeito que eu quero. E pronto! Ningu\u00e9m manda em mim.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>FC: Sempre foi assim, n\u00e9? Personalidade pr\u00f3pria e forte. Importante.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>AV: Depois fica at\u00e9 chato, pois recentemente um produtor mandou uma m\u00fasica pra mim. De uma pessoa muito fina. A\u00ed, ontem mesmo, eu ouvi e n\u00e3o gostei. A\u00ed eu fui ouvir de novo, com o meu telefone celular. E acabei dizendo pra mim mesmo: sabe de uma coisa? Eu n\u00e3o gostei, n\u00e3o! Sabe por qu\u00ea? Porque eu s\u00f3 gosto das coisas que entram bem na minha cabe\u00e7a. E aquela m\u00fasica n\u00e3o entrou bem. N\u00e3o entrou, n\u00e3o.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ent\u00e3o isso s\u00f3 serve pra refor\u00e7ar aquela minha ideia de que eu s\u00f3 gravo o que eu quiser, do jeito que eu quiser, com a banda que eu gostar. A sonoridade \u00e9 minha e acabou-se. Pode vir dos Estados Unidos, da Fran\u00e7a, do Jap\u00e3o.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>E sabe por qu\u00ea? Do pouco que eu ouvia, eu gostava. Como Luiz Gonzaga.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>E depois ele virou um mito na fam\u00edlia porque Nelson Valen\u00e7a, primo do meu pai, foi parceiro dele tamb\u00e9m, de Luiz Gonzaga.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em>Alceu sorri novamente, aproveitando pra cantarolar Gonzaga, e imitando Seu Luiz, como ele sempre adora fazer.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>As minhas influ\u00eancias s\u00e3o m\u00faltiplas. Agora \u00e9 verdade que eu gosto de muita variedade. A Batida mais roqueira, para mim, \u00e9 ele mesmo: Luiz Gonzaga. E foi Jackson do Pandeiro. E foi tamb\u00e9m o Coronel Ludugero. N\u00e3o esque\u00e7amos que eu nunca fui de ter escutado muita coisa, daquele jeito, porque eu escutava mesmo \u00e9 r\u00e1dio, no interior, nas feiras, nas pra\u00e7as.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Quando eu fiz aquele show no <em><a href=\"https:\/\/youtu.be\/V_t37hGu38U\">Rock in Rio<\/a><\/em>, foi divertido ver os jornalistas me perguntando por aquela banda chamada <em>Yes<\/em> e eu dizendo que nem conhecia.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>FC: Ent\u00e3o vamos falar da Su\u00ed\u00e7a, que s\u00f3 me lembra aquele disco seu gravado ao vivo, em Montreaux. Genial!<\/p>\n\n\n\n<p><strong>AV: Mas n\u00e3o confunda Montreaux com Zurique, que \u00e9 onde temos o nosso show. Cidade bel\u00edssima. Na Su\u00ed\u00e7a eu adorava aqueles lagos, aquela paz. E um p\u00fablico sempre muito bom.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>FC: Sim. Isso mesmo. Show no <em>Moods<\/em>, em Zurique. Ent\u00e3o, me permites uma pausa pra rebuscar aquela velha compara\u00e7\u00e3o sobre o p\u00fablico dos teus shows, no Brasil, agora com esses shows de festas juninas que certamente ir\u00e1s fazer, e \u2013 por outro lado \u2013 aqui pra brasileirada no exterior. O nosso povo que mora por aqui e que fica fazendo terapia em cima da saudade, quando vai aos teus shows fora do Brasil, onde vivemos&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>AV: A energia do p\u00fablico \u00e9 sempre \u00fanica e contagiante, seja onde for. Voc\u00ea sabe qual a m\u00e9dia de idade do meu p\u00fablico, agora, aqui no Brasil? 25 anos de idade! N\u00e3o \u00e9 legal, isso? Gente muito jovem est\u00e1 vindo aos meus shows, curtindo a minha m\u00fasica. Isso \u00e9 muito bom. J\u00e1 parou pra pensar naquilo, de que somente de visualiza\u00e7\u00f5es de um v\u00eddeo meu<\/strong> (Alceu se interrompe pra cantar <a href=\"https:\/\/youtu.be\/l-FxY25lYzY\">La Belle de Jour<\/a>), <strong>eu tenho quase a popula\u00e7\u00e3o do Brasil?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Pois sobre a quest\u00e3o da saudade, eu tamb\u00e9m sinto saudade \u2013 e muita! Mas eu sinto saudades mesmo \u00e9 de cantar, de estar no palco, de estar com o p\u00fablico, como agora, nesse S\u00e3o Jo\u00e3o, ou mesmo nos shows de Carnaval. Ou nessa nova turn\u00ea europeia que estamos aqui conversando.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>FC: Da\u00ed, voc\u00ea volta \u00e0 Alemanha. Stuttgart. Precisamente a Sangerhalle.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>AV: Que maravilha. Bom demais. \u00c9 realmente uma coisa muito importante pra mim. &nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>FC: Em alguns lugares os ingressos j\u00e1 est\u00e3o esgotados, Alceu. As pessoas est\u00e3o comprando com meses de anteced\u00eancia. Em outros, tenho certeza que j\u00e1 esgotar\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>-\u201c<strong>Mas n\u00e3o acabou n\u00e3o; ainda falta<\/strong>\u201d \u2013 interrompe-me o entrevistado. -\u201c<strong>Ainda falta\u201d&#8230;<\/strong> Corrigiu-me Alceu Valen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>FC: Pois sim, Alceu. Ent\u00e3o vamos pra c\u00e1, pra essa Espanha.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>AV: Eu escutava muita m\u00fasica espanhola na R\u00e1dio. Gostava de cantar. Cantei numa das primeiras participa\u00e7\u00f5es minhas na r\u00e1dio, quando eu ainda era crian\u00e7a. Quando eu ia para os concursos de calouros. A primeira vez foi pra cantar uma m\u00fasica de Capiba.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>FC: A primeira parada espanhola, Alceu, ser\u00e1 em Madri: <em>Mon Live<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Cantarolamos juntos: <strong><em>\u201cEeeeu fui \u00e0s touradas de Madri, pararatimbum-bum-bum\u201d<\/em>&#8230;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>FC: Ali\u00e1s, eu li em algum lugar que voc\u00ea, Valen\u00e7a, lia filosofia em espanhol, gostava de Ortega y Gasset&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>AV: Na verdade, j\u00e1 tinha muita coisa traduzida ao portugu\u00eas. Eu sempre gostei, sim, de filosofar. Mas, da\u00ed eu lembrei que eu fui salvo por uma professora chamada Bernadete Pedrosa, que eu gostava muito. Porque ela me chamou aten\u00e7\u00e3o pra minha <\/strong><strong>dislexia. E, ao mesmo tempo, eu gostava sim, de escrever, mas era muito r\u00e1pido em tudo o que eu fazia, comia letras&#8230;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>FC: Mas, ent\u00e3o, Alceu, voc\u00ea sabe combinar essa capacidade criativa de ser um cara el\u00e9trico, antenado, agitador&#8230; E que tamb\u00e9m sabe ser calmo, tranquilo, desenhando roteiros de cinema com uma can\u00e7\u00e3o como aquela que me acompanha por onde eu vou \u2013 por exemplo \u2013 cantando que as ruas de Olinda (de noite, principalmente) cheiram \u00e0 Jasmim. E que me parecem muito cinematogr\u00e1ficas, muito narrativas, que conduzem \u00e0 gente para determinados lugares, como agora, aqui, falando contigo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>AV: Pois foi da\u00ed de onde voc\u00ea mora, de Barcelona, que eu conheci uns caras de um festival de cinema e m\u00fasica, chamado <em>In-Edit<\/em>, muito interessante. Na verdade, eu havia conhecido esses caras em S\u00e3o Paulo, caminhando, na rua. Eu gosto mesmo, sim, disso de combinar linguagens: cinema e m\u00fasica, principalmente. E sempre tive um interesse muito grande pelo cinema, gra\u00e7as tamb\u00e9m \u00e0 minha m\u00e3e, como eu sempre repito. Eu sempre sonhei em fazer cinema. Eu queria ser cineasta. Gosto de fazer m\u00fasica como se fizesse imagens. Mas da\u00ed eu me recordo que o meu pai n\u00e3o queria que eu fosse artista. E a outra coisa que eu me lembrei agora, sobre cinema, \u00e9 que eu tinha muita dificuldade em conseguir arrumar namorada, porque eu era t\u00edmido. At\u00e9 que, um belo dia, uma revista decidiu me comparar com um artista de cinema daquela \u00e9poca, o Jean-Paul Belmondo. E eu comecei a melhorar nisso. Mas o mais engra\u00e7ado \u00e9 que ele, o Belmondo, tinha a venta quebrada, de tanto que ele lutava boxe. E eu n\u00e3o. Disseram ent\u00e3o que eu era mais bonito do que ele. Da\u00ed eu comecei a ter um pouco mais de sucesso com as namoradas.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>FC: Ent\u00e3o, Valen\u00e7a, esta conversa est\u00e1 muito divertida e prazerosa, mas estamos chegando ao final da Turn\u00ea Europeia, depois do teu show aqui em Barcelona, na bel\u00edssima Sala Apolo, acabando em Portugal: <em>Time Out<\/em>, Lisboa, e <em>Hard Club<\/em>, no Porto.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Alceu come\u00e7a a brincar, falando com sotaque de Portugal, mandando abra\u00e7os pra v\u00e1rios nomes de amigos que moram naquele pa\u00eds&#8230;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>AV: Eu me divido entre Rio de Janeiro, Olinda e Portugal. Gosto muito de caminhar por aquelas ruas. De passear pela Cidade Alta. Gosto de ir \u00e0 Rua da Saudade. De sentar naquele banquinho, na Rua Garret, pra pegar na m\u00e3o de Fernando Pessoa. Pois bem&#8230; Em Portugal, n\u00f3s vamos tocar em Lisboa. E a Turn\u00ea acabar\u00e1 na cidade do Porto. Com <\/strong><strong>chave de <\/strong><strong>ouro. Foi l\u00e1, na cidade do Porto que eu comecei a compor O P da Paix\u00e3o, que eu s\u00f3 acabei em Porto Alegre. E foi em Lisboa que eu parei na rua para divulgar o meu show, de repente, cantando Anuncia\u00e7\u00e3o&#8230; Reuniu-se ali umas vinte mil pessoas!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>FC: Ent\u00e3o, Alceu, me permitir\u00e1s falar de duas coisas muito importantes nessa turn\u00ea. Primeiro o repert\u00f3rio, com umas quantas boas m\u00fasicas de Luiz Gonzaga, e depois com uma sele\u00e7\u00e3o de m\u00fasicos excelentes.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>AV: E tem musica nova, dedicada a ele, Luiz Gonzaga:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>S\u00e3o Jo\u00e3o, a fogueira t\u00e1 queimando meu querido S\u00e3o Jo\u00e3o; S\u00e3o Jo\u00e3o do <\/em><\/strong><strong><em>carneirinho, meu santo de devo\u00e7\u00e3o. Protetor do forr\u00f3zinho, do xaxado e do bai\u00e3o&#8230;<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Pra Europa eu estou levando uma banda sen-sa-cio-nal! Um sanfoneiro doid\u00e3o de Caruaru chamado Andr\u00e9 Juli\u00e3o. Tovinho, tecladista, o Rei dos Teclados. Zi Ferreira, maravilhoso guitarrista, muito sens\u00edvel, incr\u00edvel, al\u00e9m de ter muita t\u00e9cnica. Nando Barreto, baixista: \u00e9 <em>swing<\/em> muito! Cunha, baterista que d\u00e1 aula pro mundo todo &#8211; porque tamb\u00e9m ensina online. Essa banda \u00e9 realmente impressionante. E a gente t\u00e1 levando exatamente o show que estamos fazendo agora. Voc\u00ea vai encontrar La Belle de Jour, Anuncia\u00e7\u00e3o, Tropicana, Girassol, Cora\u00e7\u00e3o Bobo, e vai por a\u00ed&#8230;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>FC: Pode despedir-se mandando um abra\u00e7o pro p\u00fablico que est\u00e1 te esperando na Europa?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>AV: Eu vou fazer uma nova turn\u00ea na Europa. Fique ligado. Se voc\u00ea mora em Dublin, pode contar comigo, sim. Se voc\u00ea mora em Londres, Lisboa, na cidade do Porto, eu vou passar com meu show perto de voc\u00eas todos. Se voc\u00ea mora em Madri eu tamb\u00e9m vou passar por a\u00ed. Se voc\u00ea mora em Barcelona, vai ser muito bacana. Se voc\u00ea mora em Berlim, tamb\u00e9m; \u00e9 claro que sim. Se voc\u00ea mora na Su\u00ed\u00e7a, show de Alceu Valen\u00e7a, \u00e9 sem pregui\u00e7a.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>FC: Valeu, Alceu.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>AV: \u00d3timo. Obrigado. Maravilha. Tudo de bom pra voc\u00ea e pra todo mundo. Falou. A gente se encontra pessoalmente por Barcelona. Abra\u00e7o pra todo mundo por a\u00ed.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>At\u00e9 logo.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p>Colaborador da FIBRA, Fl\u00e1vio Carvalho \u00e9 escritor, poeta, antrop\u00f3logo, ex-consultor da UNESCO, FAO e OIM. Filiado e ex-assessor parlamentar do PT, trabalhou como consultor do Minist\u00e9rio do Desenvolvimento Agr\u00e1rio e do Minist\u00e9rio da Cultura no Governo Lula, al\u00e9m de atuar como Coordenador de Forma\u00e7\u00e3o e Planejamento do Or\u00e7amento Participativo de Olinda. Foi educador da CUT, CONTAG e MST, bem como Coordenador de Cultura do F\u00f3rum Social Nordestino. Foi vice-Presidente do Conselho de Representante dos Brasileiros no Exterior e \u00e9 fundador e membro do Coletivo Brasil Catalunha.<\/p>\n\n\n\n<p>Acesse as m\u00eddias de Fl\u00e1vio Carvalho:<\/p>\n\n\n\n<p>T<em>witter e Instagram: <strong>@1flaviocarvalho<\/strong><\/em><br><em>Facebook: <strong>@quixotemacunaima<\/strong><\/em><em><strong><\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Nota: <\/strong>Os textos, cita\u00e7\u00f5es, e opini\u00f5es s\u00e3o fornecidos pelo autor, sendo de sua exclusiva responsabilidade, e podem n\u00e3o expressar \u2013 no todo ou em parte, a opini\u00e3o dos Coletivos da Fibra.<\/p>\n","protected":false,"gt_translate_keys":[{"key":"rendered","format":"html"}]},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Fl\u00e1vio Carvalho, soci\u00f3logo e escritor.@1flaviocarvalho | @quixotemacunaima Barcelona\/Olinda, julho de 2022. \u201cEu previ assim: a Bunda vai derrubar o Muro de Berlim\u201d.(Alceu Valen\u00e7a\/em 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