Por Namir Martins, para o site da Fibra.
Frankfurt, 08 de agosto de 2026

O Hamburg Pride (conhecido localmente como CSD – Christopher Street Day) é um dos maiores eventos LGBTQIA+ da Alemanha. A deste ano – ocorrida no dia 1 de agosto, contou com um aparato reforçado de segurança por ter sido a primeira depois do atentado em Berlim feito por um extremista islamista.
A população não apenas de Hamburgo mas, de outras cidades respondeu ao chamado das instituições, partidos políticos, associações que lutam pelos direitos humanos e do movimento LGBTQIA+ comparecendo em peso no evento em Hamburgo. Segundo estatísticas locais quase 300.000 pessoas marcaram presença na Parada deste ano. Muitas participaram da grande festa de encerramento em torno do lago, cartão turístico da cidade de Hamburgo.
As pessoas estavam receosas de participar da passeata devido a rumores de um possível novo atentado como ocorrido em Berlim. No entanto, o desejo de demonstrar tolerância e o compromisso com a diversidade superou o medo e levou a população às ruas, tornando a Hamburg Pride a maior CSD já registrada da cidade.
O Christopher Street Day como é comemorado em todo mundo começou na cidade de Nova Iorque, no ano de 1969. Depois de uma batida policial em um bar que era um ponto de encontro LGBT+, os gays, lésbicas e pessoas trans da cidade fizeram uma revolta e entraram em confronto com a polícia exatamente na Christopher Street, no bairro de Greenwich Village (lembra do grupo Village People e da Musica YMCA? Pois é!), que daria o nome da Parada: CSD!
O evento de Hamburgo teve como lema “Queer em solidariedade. Marcar presença por um futuro sem medo” e ocorreu uma semana após o ataque à Parada do Orgulho de Berlim – Abdul B. atropelou várias pessoas cọm um carro, outras pessoas teriam sido atacadas com uma faca. O resultado trágico deixou uma mulher morta e 31 pessoas feridas. Abdul acabou morto dựrante operação policial. A Schura, o Conselho das comunidades islâmicas, se pronunciou dizendo que “quem usa o Islã para incitar o ódio, está abusando da religião. O Islã não admite a justiça pelas próprias mãos!”
A parada do dia 1 de agosto começou pontualmente às 12 hs. Uma espécie de “comissão de frente” – formada por representantes políticos, personalidades conhecidas pela mídia, representantes de associações e grupos de direitos humanos, disparou um canhão de confete acompanhado pelas buzinas das Dykes on Bikes dando inicio ao evento pra lá de especial.
O que torna uma Pride especial? O povo na rua, a mostrar com alegria que a sociedade está presente e apoia o movimento! O desfile contou com 6O caminhões e 80 grupos que caminharam pelas ruas do centro da cidade durando aproximadamente 4 horas e meia. A seguir a festa em torno do Alster tomou conta do evento que terminou altas horas da noite.
Nem sempre foi assim na Alemanha. É preciso relembrar a História: em maio de 1871 foi introduzido na lei o Parágrafo 175, que estabelecia como crime passível de punição, os atos sexuais entre pessoas do mesmo sexo. Esse parágrafo criminalizou a homossexualidade por mais de 123 anos e deu legitimidade ao Estado para perseguir gays e bissexuais. Só a partir de 1994 é que a homossexualidade foi descriminalizada na Alemanha tendo sido retirada, como crime, do código penal! A partir de 2017, o casamento entre pessoas do mesmo sexo foi finalmente regulamentado.

Segundo pesquisas recentes, cerca de 94% dos entrevistados na Alemanha afirmam que a homossexualidade não é algo moralmente errado, o que reforça a sociedade alemã como das mais liberais do mundo. Dos números apurados apenas 12% considera a homossexualidade imoral ou antinatural. No entanto, pessoas LGBT+ afirmam que ainda enfrentam preconceitos, especialmente nas cidades pequenas e aldeias, na região do campo, no ambiente familiar e no meio profissional.
A situação infelizmente está mudando na Alemanha, principalmente com o crescimento da extrema direita. É preciso estar atento a essas mudanças! Não apenas na Alemanha, mas no mundo inteiro.
A sociedade precisa por um ponto final no preconceito, dizer basta à descriminação ao movimento LGBTQIA+, lutar em particular contra qualquer tipo ou forma de “crença” limitante que continue a promover a exclusão e naturalizar as violências contra as pessoas desta comunidade.
Como diz o lema: “Viver e deixar viver!”
Namir Martins.