POR UMA FRENTE ÚNICA ANTIFASCISTA E PELA DEMOCRACIA DO VALE DO AÇO

No 8 de janeiro de 2023, o mundo assistiu ao violento assalto golpista aos Três Poderes da República brasileira. Bandoleiros fascistas invadiram, depredaram, vandalizaram e saquearam prédios do Palácio do Planalto, do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal, em uma intolerável ameaça à democracia, ao Estado Democrático e de Direitos. Golpe contra o voto popular que elegeu, legitimamente, Luiz Inácio Lula da Silva Presidente da República.
Por algumas horas, a capital federal virou terra sem lei e ordem por ação da horda fascista que, sabidamente, contou com a facilitação e colaboração das forças de Segurança do Distrito Federal e com, no mínimo, a conivência ativa de setores das Forças Armadas e da Polícia Militar. Foram incalculáveis os prejuízos humanos, históricos, culturais e materiais.
Várias ações foram tomadas pelo governo eleito e pelo STF, dentre elas: a prisão do ex-ministro da Justiça do governo Bolsonaro, em cuja casa foi encontrada a “Minuta do Golpe”. E as investigações têm buscado informações não apenas sobre os bandoleiros que vandalizaram os prédios e feriram 44 policiais mas, também, sobre os seus idealizadores, articuladores e financiadores.
Em defesa da democracia, a investigação deve apurar toda a teia de envolvimentos e responsabilidades. Deve chegar até os mais distantes territórios do país, caso do Vale do Aço, e dos indivíduos e das empresas, como a Paladar [1], que financiaram e mantiveram o acampamento dos fascistas, plantado por mais de um mês, na rodovia 381.
A Marcha Fascista sobre Brasília foi derrotada. É hora de não só avançar nas investigações e prisões, mas também nas condenações dos principais articuladores e financiadores do golpe. E mais, é urgente a desfasticização do país e de suas instituições. Tudo em conformidade com a lei e Sem Anistia! Mas, temos que ser claros: o discurso fascista, suas mentiras e manipulações permanecem, ou seja, o terror golpista continua e exige um enfrentamento, sem tréguas, de todos que defendem a democracia, das esquerdas brasileiras e dos movimentos sociais populares. Somente as ações das instituições do Estado não são suficientes. O perigo de golpe continua.
CONCLAMAMOS os movimentos sociais e culturais – negros, feministas, LGBT+, indígenas, estudantis, dos trabalhadores e trabalhadoras do campo e da cidade –, partidos de esquerda e sindicatos a se organizarem e se porem em marcha. CONVOQUEM ações nacionais nas ruas e praças de todo o país em defesa da democracia e pela prisão dos golpistas. O fascismo, derrotado nas urnas em 2022, deve agora ser derrotado mais uma vez pela luta popular.
Será nas ruas que teremos que medir nossas forças, pois derrotar o fascismo – a história mundial já demonstrou fartamente – não se dá apenas no terreno militar, institucional e em eleições. Será também nas redes sociais que precisaremos combater a alienação, que divulga mentiras, insultos, distorce as informações e amplia a falta de consciência crítica. Nesse sentido, faz-se necessário o enfrentamento e a superação nos campos político, ideológico, histórico, cultural.
“O fascismo significa a miséria, a opressão, o espezinhamento das consciências”. Ele representa os interesses do grande capital, haja vista os multimilionários que compõem o atual governo dos EUA. “Começa por destruir todas as organizações sociais populares e acaba por se tornar o senhor absoluto, ´integral´que não admite divergências”. Não existe garantia de qualquer espécie, nenhuma segurança se oferece aos cidadãos, como vemos atualmente na Faixa de Gaza em que se concretiza o genocídio palestino praticado pelo governo de Israel, apoiado por diversos países ocidentais.
“A dignidade humana, a fraternidade, a ligação confiante entre os homens, desaparecem. Cada indivíduo vê no seu semelhante um inimigo e um espião que o entregará, na primeira oportunidade, à ferocidade dos governantes. O fascismo é a morte certa para os que protestam e a volta da barbárie para os que ficam. Acima de quaisquer interesses de classe, ele é, essencialmente, desumano e anti-humano”[2].
Precisamos aprender com nossas experiências. Não podemos incorrer no mesmo erro de “anistiar” os golpistas do 8 de janeiro, como “anistiamos” os crimes cometidos pelos agentes da Ditadura Civil-Militar de 1964 e do Estado Novo. A extrema direita deve ser parada. Havendo impunidade, ela voltará.
Lutar contra o Fascismo é lutar pela própria existência!
A Frente Única Antifascista, que agora constituímos na Região Metropolitana do Vale do Aço, é mais um instrumento de luta contra o nazifascismo, em Defesa da Democracia e do Estado de Direitos. O seu surgimento se justifica pela necessidade inadiável de colocarmos a participação popular, a ocupação das ruas como o principal e estratégico caminho para a construção de uma governabilidade transformadora. Capaz não somente de apoiar o governo em suas ações, mas, também e fundamentalmente, de garantir que as demandas e bandeiras da classe trabalhadora e do movimento popular brasileiro sejam incluídas na pauta do governo.
Mas, além de desmobilizar os golpistas, prendê-los e dissolver suas organizações e agrupamentos nazifascistas espalhados pelo Brasil, é preciso avançar em políticas públicas democráticas e eficazes em todos os campos, sobretudo no enfrentamento da pobreza e das desigualdades sociais e de renda, na cultura e na educação da sociedade brasileira.
É vital e urgente enfrentar a ascensão global do neofascismo reunindo as mais amplas alianças em defesa da democracia, do meio ambiente, da igualdade de gênero e de raça, dos direitos dos imigrantes, trabalhando para construirmos uma corrente, uma internacional dos trabalhadores e trabalhadoras que se oponha ao neoliberalismo na defesa do interesse comum, contra o domínio e os interesses do capital.
SEM ANISTIA! FASCISTAS, NÃO PASSARÃO! DITADURA NUNCA MAIS!
Região Metropolitana do Vale do Aço, março de 2025.
FRENTE ÚNICA ANTIFASCISTA E PELA DEMOCRACIA – VALE DO AÇO
[1] Conferir em Mídia Ninja: acesso em 19/03/2025.
[2] Manifesto da Frente Única Anti-Fascista ao Povo do Brasil. Homem Livre, n.8, São Paulo, 17/07/1933.